La Liga 2026/27

Revelada ‘alavanca’ escondida de 15 bilhões que ajudou Real Madrid a montar os galáticos

Jaume Roures, magnata da mídia da Catalunha, afirmou que o Real Madrid utilizou alavancagens parecidas com as do Barcelona na atualidade no início dos anos 2000

Fundador do jornal Público e do grupo espanhol de comunicações multimídia Mediapro, o empresário Jaume Roures foi chamado aos estúdios da Cadena SER, cadeia de rádio mais antiga do país, para comentar o conturbado momento do Barcelona. Uma das declarações do magnata da mídia da Catalunha que mais chamou a atenção, no entanto, foi sobre o Real Madrid.

Ao ser questionado sobre a possibilidade do Barça fazer uma nova alavancagem — ou “palanca”, como chamam na Espanha — para conseguir cumprir as regras do Fair Play Financeiro, Roures afirmou que o clube merengue “também fez isso” para montar a primeira geração de “Galáticos” no início deste milênio, que contou com Zinédine Zidane, Luís Figo, Roberto Carlos, Ronaldo, David Beckham, Michael Owen e outros nomes badalados da época.

— Conheço-o porque participei de uma dessas alavancas com Florentino Pérez em 2000. Naquela altura, falávamos de 15 mil milhões de pesetas (moeda corrente da Espanha entre 1869 e 2002), que eram muitas pesetas — declarou Jaume Roures.

— Foi uma coisa chamada Sociedade de Direitos, na qual a Caja Madrid e o Canal Plus colocaram esses 15 bilhões. Durante alguns anos, todos os direitos derivados de merchandising serviram para recuperar esse investimento junto com a Ciudad Deportiva, que mais tarde se tornou Zidanes e Pavones — completou o magnata da mídia catalã.

As diferenças entre as alavancas de Barcelona e Real Madrid

É verdade que o Real Madrid vendeu direitos audiovisuais no início dos anos 2000, mas o clube garante que a negociação foi bem diferente das recentes alavancagens do Barcelona. Na época, os direitos de transmissão não eram negociados coletivamente por La Liga como na atualidade, mas sim individualmente por cada equipe. Além disso, nenhum dos acordos financeiros foi feito de última hora ou para inscrever jogadores na véspera da estreia em uma competição, como no caso do Barça.

Em agosto de 2022, o Barcelona fez sua quarta “palanca” para inscrever todos os seus reforços para a estreia de La Liga ao vender mais 24,5% do Barça Studios (empresa de produção de conteúdo) à Orpheus Media por € 100 milhões. Vale destacar que a Orpheus Media é administrada por Jaume Roures, que é muito ligado à atual administração blaugrana e foi quem quem se tornou avalista, também de última hora, para que Joan Laporta tivesse as garantias financeiras para assumir o clube em 2021.

Antes desta operação, o Barça já tinha vendido outros 24,5% do Barça Studios para a Socios.com, fechou um acordo de patrocínio com o Spotify que incluiu os naming rights do Camp Nou e vendeu um total de 25% dos seus direitos futuros de transmissão para a empresa de investimento Sixth Street, em dois negócios separados avaliados em € 500 milhões. Com todas essas alavancagens, o time que um ano antes precisou de despedir de Lionel Messi por não ter dinheiro para inscrevê-lo no Campeonato Espanhol conseguiu registrar as chegadas de Raphinha, Robert Lewandowski, Franck Kessié, Andreas Christensen, Jules Koundé e os novos contratos de Ousmane Dembélé e Sergi Roberto.

Para Roures, a resposta para o Barcelona é ‘vender uma parte do clube'

Apesar das quatro alavancas, a situação econômica do Barcelona segue crítica cerca de um ano e meio depois. Em outubro, o jornal catalão Sport noticiou que o clube devia cerca de € 207 milhões por contratações de jogadores nas últimas temporadas. Já em novembro, a inscrição do atacante Vitor Roque em La Liga foi colocada em cheque porque poderia violar as regras do Fair Play Financeiro e dependeu de um acordo de € 40 milhões com o fundo alemão Libero Football Finance por 9,8% do Barça Media.

Para Jaume Roures, a solução para o Barça nada mais é que negociar uma parte do clube, que é uma associação esportiva sem fins lucrativos com um numeroso caso de sócios que elegem os dirigentes. Uma venda do tipo só seria possível se os blaugranas se transformassem em uma Sociedade Autônoma de Futebol (SAF).

— Estamos num momento em que temos que pegar o touro pelos chifres e ver como a situação económica de Barcelona se resolve. Acho que só há uma solução para o Barcelona: vender uma parte do clube e ficar com a maioria — declarou Roures.

Foto de Felipe Novis

Felipe NovisRedator

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.

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