João Félix: ‘Jogar no Real Madrid? Eu seria o maior traidor da história do futebol’
Atacante português tem se reencontrado após boas atuações com a seleção e com o Al-Nassr
Após vivenciar temporadas complicadas, João Félix viu em 2026 um ano de “recomeço”. O início do ano rendeu ao jogador atuações importantes pelo Al-Nassr e pela seleção portuguesa, onde viu o seu futebol ser resgatado.
Após passagens fracassadas no Chelsea, Milan, Atlético de Madrid e Barcelona, o português conseguiu se reencontrar no futebol saudita e vive um novo momento na carreira, em que elevou o seu desempenho e conseguiu desenvolver maior confiança em suas atuações.
Durante entrevista ao jornal “AS”, o atacante relembrou as suas passagens apagadas pelos gigantes da Europa, mas destacou que atualmente entende melhor os momentos do jogo e que viu no seu crescimento profissional o estilo de jogo introduzido pelo técnico Jorge Jesus — atualmente na seleção portuguesa –, que resgatou o seu melhor futebol na última temporada.
— Como jogador, me sinto melhor; entendo melhor o jogo e os momentos da partida. Não é a mesma coisa ter 26 anos e ter 20 ou 21. Sinto-me muito mais jogador agora do que antes. E, claro, há o fato de jogar na minha posição, em um estilo de jogo que potencializa minhas habilidades em benefício da equipe — afirmou.
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Na Espanha, João Félix não viveu momentos fáceis. O português foi anunciado pelo Atlético de Madrid quando ainda tinha 19 anos, em uma transição avaliada em 126 milhões de euros, tornando-se a quarta contratação mais cara do futebol, naquele momento, ficando atrás apenas de Neymar (222 milhões de euros), Philippe Coutinho (145 milhões de euros) e Kylian Mbappé (135 milhões de euros).
Na época, o jogador chegou com a difícil missão de preencher a lacuna deixada pela saída de Antoine Griezmann, após se destacar pelo Benfica. Contudo, a passagem que parecia ser emblemática pelos Colchoneros acabou se transformando em uma dor de cabeça. O jogador, que tinha contrato com o clube até 2029, não engrenou na equipe comandada por Diego Simeone e acabou acumulando empréstimos consecutivos.
— Não me arrependo, obviamente que não. Vivi momentos muito bonitos, muito importantes no Atleti. Claro que eu gostaria que as coisas tivessem corrido melhor, mas é assim o futebol, faz parte do crescimento como jogador. Serviu para eu crescer e aprender. Mas não, obviamente, não me arrependo de ter ido tão cedo — relembrou o jogador.
Durante os momentos em que defendeu os rojiblancos, o atacante conseguiu celebrar a conquista de LaLiga na temporada 2020/21. No entanto, sem nunca ter conseguido vingar na equipe comandada por Simeone, em 2025 a sua passagem pelo clube espanhol chegou ao fim com uma venda ao Al-Nassr.
— Fomos campeões em um ano, com uma temporada muito boa. É futebol. Às vezes as coisas dão certo, outras não. Como sempre disse, nunca deixei de tentar fazer o melhor para mim e para a equipe. Tentei ajudar quando podia e, se as coisas não deram certo, paciência. Como tudo na vida, o jogador vive altos e baixos, mas é claro que eu gostaria de ter tido mais momentos bons do que tive no Atlético — pontuou.
João Félix realizou sonho com o Barcelona, mas não considerava transferência para o rival
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Apesar da passagem sem êxito no Barcelona, o atacante português afirmou que conseguiu realizar o seu sonho e o do seu pai em atuar pelo Barcelona, desejo que nutria quando era criança, mas também pontuou a pressão em tentar se provar enquanto jogador emprestado.
— No fim, não conseguimos ganhar nada, mas simplesmente jogar pelo Barcelona já me deixou muito feliz. Obviamente, ir por empréstimo não é a mesma coisa que pertencer ao clube. Sendo jogador do clube, tudo é diferente. Em um ano pode acontecer de tudo. Estar muito bem ou muito mal, em alta ou em baixa, mas estou muito feliz por ter vestido a camisa do Barça, que era um sonho de infância: meu, do meu pai e do meu irmão. Foi um orgulho — ressaltou.
Questionado sobre o Real Madrid ter sido o único time que não defendeu, entre os gigantes da Espanha, João Félix afastou as possibilidades.
— Teria sido o maior traidor do futebol. Não, não, não. Gostei muito de estar no Barcelona. Bom, sim, faltou o Real Madrid, mas tenho orgulho de ter jogado no Barcelona — declarou.
Por fim, o jogador ressaltou que ainda tem o sonho de ajudar Cristiano Ronaldo a alcançar o seu milésimo gol na carreira, e revelou que ainda sonha em voltar a atuar no futebol europeu.
— Crescemos vendo o Cristiano como nosso ídolo, como uma referência, e agora posso compartilhar momentos com ele. O campeonato do ano passado foi muito especial. Poder ajudar o Cristiano a conquistar aquele título que ele buscava desde que chegou… Quando faltar apenas um [gol], sempre que eu estiver com a bola, vou olhar para ele para ver se consigo dar o passe. Esse gol vai ficar para a história do futebol, e estar presente nesse momento seria muito legal –, revelou.
— No final da temporada, terei 27 anos. Penso em voltar para a Europa, não sei se ao final desta temporada ou da próxima. Voltar a disputar a Champions e competir lá é sempre diferente. Enfrentar as melhores equipes do mundo traz uma motivação extra, e obviamente tenho isso em mente — finalizou.