Espanha

‘Faltou bom senso’: ex-árbitros opinam sobre gol anulado do Real Madrid na La Liga

Gil Manzano causou polêmica ao terminar o jogo antes de gol marcado por Bellingham, que daria vitória ao Real Madrid

Gil Manzano ganhou as páginas dos jornais e demais portais esportivos do futebol europeu e mundial neste final de semana após anular bizarramente o terceiro gol do Real Madrid diante do Valencia em jogo válido pela 27ª rodada da La Liga. A partida estava empatada por 2 a 2 até que Bellingham aproveitou cruzamento de Brahim Díaz pela esquerda e mandou a bola para o fundo da rede. Inacreditavelmente o juiz do jogo terminou a partida com a bola ainda no ar e não validou o que seria o terceiro gol do time Merengue.

A ação do árbitro causou a revolta geral dos jogadores e da comissão técnica do Real Madrid, que indignados, não aceitaram que Gil Manzano tivesse terminado a partida com a bola ainda no alto, em uma clara chance de perigo criada pelo time madrilenho. Entretanto, o relógio já quase 54 minutos do segundo tempo, minutagem superior ao acréscimo dado pelo árbitro, que havia prometido o jogo até os 52 minutos.

A reportagem da Trivela conversou com alguns ex-árbitros para saber se o que Gil Manzano fez foi certo ou não, tendo como base o livro de regras do futebol. Segundo Carlos Eugênio Simon, embora o árbitro espanhol possa encerrar o jogo no momento que julgar necessário, ao fim do tempo de acréscimo, o juiz não teve bom senso ao terminar a partida durante um lance crítico de ataque do Real.

“Pela regra o árbitro pode fazer isso, terminou o tempo de acréscimo o responsável pela arbitragem pode encerrar o jogo a qualquer momento. Eu não faria isso, esperaria a jogada ser concluída, faltou bom senso ao árbitro”, afirmou Simon.

Ícone da arbitragem espanhola critica decisão de Manzano ao anular o gol do Real Madrid

Mateu Lahoz, espanhol que compôs o quadro da Fifa durante 12 anos, entre 2011 e 2023, foi um dos que mais criticou a postura de Gil Manzano, bem como de toda a arbitragem da atual temporada do futebol espanhol, em entrevista ao portal 20 minutos. Lahoz demonstrou sua preocupação com o desempenho abaixo da média do árbitro, que provavelmente será um dos juízes da próxima Eurocopa. Para o ex-profissional do apito, o erro de Manzano foi sistemático, já que no primeiro tempo de jogo já tinha demonstrado total despreparo em relação ao jogo que estava comandando.

“Os árbitros se interessam mais com as reuniões do Comitê de Arbitragem do que para o futebol. Tentam seguir orientações e é preocupante que alguém como Manzano, que apita há 11 anos seja o nosso representante na próxima Eurocopa. É uma questão de conceito total porque o timing na primeira parte também foi horrível”, afirmou Lahoz.

O antigo árbitro continuou tecendo críticas à arbitragem de Gil Manzano, afirmando que não havia motivos para o juiz apitar o final da partida naquele momento. Apesar da regra ser clara no que diz respeito à permissão de terminar o jogo assim que os acréscimos se encerram, assim como Carlos Eugênio Simon, Lahoz jamais teria encerrado a partida naquele momento, com a bola ainda pelo alto em um lance claro de gol em favor do time madrilenho.

“Se olharmos para o jogo que vivimos, qual era a necessidade de o terminar ali? Não se trata de saber se ele soprou o apito mais cedo”, concluiu Lahoz.

“Pai do VAR” no Brasil também questionou decisão de Manzano

A reportagem da Trivela também conversou com Manoel Serapião Filho, considerado o “Pai do VAR” no Brasil, ao ser o autor do projeto e responsável técnico pela implementação do árbitro de vídeo no país. A opinião do árbitro com relação à ação de Manzano segue a mesma linha de raciocínio de Carlos Eugênio Simon e de Mateu Lahoz.

Na visão de Serapião, houve a falta de bom senso por parte do árbitro espanhol, que deveria ter aguardado pela finalização do lance antes de terminar o jogo. Segundo o experiente juiz de futebol, a “boa etiqueta de arbitragem” recomenda que um lance agudo de ataque se encerre antes do término do jogo. O responsável pela implementação do VAR no Brasil vai além e diz que a postura do árbitro, passivo e apitando para baixo, foi um indicativo de insegurança da própria decisão que tomou.

“Pela regra o arbitro poderia encerrar o jogo naquela situação, pois o único motivo para dar continuidade ao jogo depois do encerramento do tempo é para cobrança de penalti. Todavia, a boa técnica de arbitragem, tampouco a essência do futebol recomendam encerrar uma partida em fase aguda de ataque. Faltou, portanto, ao árbitro sensibilidade, com a agravante de sua postura muito passiva, apitando baixo e com apenas um silvo, ao contrário do que é ensinado e habitual: 2 apitos altos e fortes, sendo o 1° com silvo longo e o 2° curto, conclusivo”, pondera Serapião.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Esse é Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia e da Trivela. Jornalista especializado em Marketing digital é também narrador do Portal Futebol Interior e da RP2Marketing.
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