Os 7 episódios que explicam o colapso do Real Madrid na temporada
Crises internas, derrotas marcantes e tensão com estrelas levaram os merengues ao fracasso em todas as competições
A temporada do Real Madrid foi bastante turbulenta. Inicialmente, o clube apresentou um projeto empolgante mas que não se sustentou. Xabi Alonso, ídolo merengue e vindo de ótimo trabalho do Bayer Leverkusen, foi apresentado como treinador e teve um grande começo, mas nove meses depois o cenário era completamente oposto.
Sem títulos, o Real Madrid viu o Barcelona ser campeão de La Liga, caiu nas oitavas de final da Copa do Rei para o Albacete e deu adeus à Champions League nas quartas de final diante do Bayern de Munique. Em meio a tudo isso, o vestiário apresentava completa turbulência, com brigas entre jogadores, discussões e muita polêmica.
Ao longo da temporada, foram vários momentos que acenderam o sinal de alerta da equipe madridista. O jornal “Marca” elencou quais foram esses pontos cruciais para o ano merengue.
Derrota para o Atlético de Madrid
O primeiro grande abalo aconteceu em setembro, pela sétima rodada de La Liga. Líder do campeonato com 18 pontos, o Real Madrid chegou ao duelo contra o Atlético de Madrid, no Metropolitano, cercado de expectativa, mas saiu de campo atropelado pelo Atlético de Madrid em uma derrota por 5 a 2.
A equipe de Diego Simeone jogou com uma liberdade rara diante do rival e aproveitou cada fragilidade do time comandado por Xabi Alonso. Le Normand abriu o caminho da goleada, seguido por Sorloth, dois gols de Julián Álvarez e um de Griezmann já nos acréscimos, aos 93 minutos.
Do outro lado, Mbappé e Arda Güler até tentaram manter o Real Madrid vivo na partida, mas os dois gols marcados pela dupla foram insuficientes para evitar o desastre no clássico.
Após o confronto, Xabi Alonso evitou desculpas e reconheceu os problemas da equipe. O treinador viu seu Real Madrid se tornar cada vez mais dependente das individualidades e vulnerável sempre que os adversários conseguiam crescer dentro dos jogos.
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A polêmica com Vinícius Júnior
Três rodadas depois do desastre no Metropolitano, o Real Madrid parecia ter encontrado a resposta ideal. No Santiago Bernabéu, venceu o Barcelona por 2 a 1 em um Clásico intenso, resultado que tinha tudo para marcar a virada da equipe na temporada.
Mas o que ficou daquela noite não foi a vitória. A imagem que dominou o pós-jogo foi a de Vinicius Júnior que deixou o gramado completamente irritado. Substituído por Xabi Alonso, o brasileiro saiu gesticulando de forma explosiva, sem sequer olhar para o treinador, antes de seguir diretamente para o vestiário.
O episódio rapidamente ganhou repercussão na Espanha e aumentou ainda mais a pressão em torno do ambiente interno do Real Madrid.
Três dias depois, Vinicius publicou um pedido público de desculpas. O atacante se dirigiu aos torcedores, companheiros de equipe, ao clube e até ao presidente Florentino Pérez. Mas um detalhe chamou atenção: Xabi Alonso não foi mencionado em nenhum momento.
— Às vezes a paixão me domina, sempre querendo vencer e ajudar minha equipe — escreveu o camisa 7.
Apesar da tensão, o caso não gerou punições esportivas imediatas. Internamente, porém, a situação nunca pareceu totalmente resolvida.
A derrota para o Celta
O que veio depois foi uma sequência de tropeços que começou a desgastar o ambiente no Bernabéu. O Real Madrid entrou em novembro vivendo um lento processo de desgaste dentro de La Liga.
Os empates contra Rayo Vallecano, Elche e Girona interromperam o embalo da equipe e custaram a liderança do campeonato. A vantagem construída nas primeiras rodadas desapareceu rapidamente, enquanto o Barcelona retomava o controle da disputa.
No meio da turbulência, Xabi Alonso encontrou um raro momento de tranquilidade em San Mamés. Contra o Athletic Bilbao, o Real Madrid apresentou talvez sua atuação mais convincente da temporada e venceu por 3 a 0 com autoridade, controle e intensidade. Parecia o início da reação. Mas durou pouco.
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Uma semana depois, o Bernabéu voltou a mergulhar em tensão. O Celta de Vigo surpreendeu o Real Madrid dentro de casa e venceu por 2 a 0 em uma noite caótica, marcada por três expulsões e um ambiente completamente descontrolado.
A derrota aumentou a pressão sobre Xabi Alonso, que passou a ter o futuro discutido pela primeira vez de forma mais séria nos bastidores do clube.
No fim de novembro, o balanço era preocupante: apenas sete pontos conquistados em 12 possíveis, liderança perdida e quatro pontos de distância para o Barcelona.
A pior semana da temporada
A queda definitiva aconteceu em 11 de janeiro, na Arábia Saudita. Na final da Supercopa da Espanha, o Barcelona venceu o Real Madrid por 3 a 2 em mais uma noite traumática para o projeto comandado por Xabi Alonso.
Raphinha marcou duas vezes, Lewandowski completou o placar e nem a reação madridista foi suficiente para evitar o golpe. Após a partida, Alonso tentou diminuir o peso da derrota durante a coletiva, tratando o torneio como um tropeço pontual no meio da temporada.
Mas, internamente, a decisão já estava tomada e Florentino Pérez encerrou o ciclo do treinador poucas horas depois. No dia seguinte à derrota, o Real Madrid anunciou oficialmente a saída de Xabi Alonso em comum acordo, encerrando uma passagem que durou apenas seis meses e 34 partidas.
A resposta do clube foi imediata. Álvaro Arbeloa, amigo e ex-companheiro de Real Madrid do próprio Alonso, deixou o comando do Castilla e assumiu o time principal praticamente sem transição. Só que a crise estava longe de acabar.
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Dois dias após assumir o cargo, Arbeloa comandou o Real Madrid pela primeira vez em um duelo da Copa do Rei, contra o Albacete. O cenário parecia perfeito para aliviar a pressão, mas acabou se transformando em mais um capítulo caótico da temporada.
Nos acréscimos, aos 94 minutos, Jefté Betancor marcou o gol da vitória do Albacete em um chute colocado, suave, quase inacreditável diante do silêncio que tomou conta do estádio. O resultado eliminou o Real Madrid da competição e entrou para a história como a primeira vitória do Albacete sobre os merengues.
Em menos de 72 horas, o clube perdeu a Supercopa, demitiu o treinador e foi eliminado da Copa do Rei. O vestiário mergulhou em um cenário de completa instabilidade, enquanto o ambiente no Bernabéu se transformava em uma mistura de pressão, incredulidade e crise aberta.
As vaias no Bernabéu
O dia 17 de janeiro marcou uma das noites mais pesadas da temporada no Santiago Bernabéu. O Real Madrid recebeu o Levante sob um clima de enorme tensão após a sequência de crises que abalou o clube nos dias anteriores.
Os protestos começaram ainda antes de a bola rolar. Quando o ônibus da equipe chegou à Plaza de Sagrados Corazones, quase duas horas antes da partida, as vaias já dominavam o entorno do estádio.
A pressão aumentou durante o aquecimento e atingiu o ápice na divulgação da escalação. Bellingham, Valverde e Vinicius Júnior foram os principais alvos da torcida, que transformou o ambiente em um retrato da frustração acumulada ao longo da temporada.
No intervalo, com o placar ainda zerado, milhares de lenços brancos tomaram as arquibancadas em protesto direto contra Florentino Pérez e a condução do projeto esportivo do clube.
Apesar da atmosfera sufocante, o Real Madrid conseguiu vencer a partida. Mas o desgaste público já parecia irreversível naquele momento.
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Derrota para Osasuna e Getafe
Arbeloa tentava organizar o time e até conquistou uma sequência positiva, mas ela desmoronou no dia 21 de fevereiro, em Pamplona. Líder de La Liga, o Real Madrid visitou o Osasuna em uma partida tensa, equilibrada e que parecia caminhar para um empate até os minutos finais. Mas o VAR mudou completamente o roteiro da noite.
Raúl García balançou as redes, o auxiliar de arbitragem marcou impedimento imediatamente, e o árbitro anulou o lance ainda em campo. Só que, após longa revisão, o VAR validou o gol, decretando a vitória do Osasuna por 2 a 1.
Foi a primeira derrota de Arbeloa no Campeonato Espanhol e um golpe direto na disputa pelo título. Com o tropeço madridista, o Barcelona reassumiu a liderança da competição. E a situação piorou rapidamente.
Uma semana depois, o Bernabéu viveu mais uma noite traumática. O Getafe venceu o Real Madrid por 1 a 0 dentro da casa merengue pela primeira vez em 18 anos. O gol entrou instantaneamente para a história do clube azulón. Satriano acertou um voleio espetacular, sem chances para o goleiro.
Sem Mbappé, o Real Madrid teve enorme dificuldade para criar perigo real. A equipe controlou a posse de bola durante boa parte da partida, mas de maneira completamente improdutiva, sem conseguir transformar domínio territorial em chances claras.
As duas derrotas consecutivas deixaram o clube quatro pontos atrás do Barcelona e aumentaram ainda mais a sensação de desgaste físico e emocional do elenco.
No meio da crise, Mbappé tomou uma decisão importante: interromper definitivamente suas tentativas de jogar com dores e iniciar um tratamento mais profundo no joelho antes que a situação se agravasse de vez.
O colapso final
Abril terminou de destruir qualquer esperança restante no Real Madrid. O colapso veio em sequência, golpe após golpe, até transformar a temporada em um cenário de terra arrasada.
O primeiro impacto aconteceu no dia 4. Mbappé voltou ao time titular após semanas afastado, mas encontrou pela frente uma atuação gigantesca do goleiro Leo Román, que impediu o francês de marcar em várias oportunidades.
O Real Madrid parecia escapar da derrota quando Militão, recém-recuperado da lesão sofrida em dezembro, empatou a partida aos 88 minutos. Só que o alívio durou quase nada. Aos 91, Muriqi apareceu para marcar o gol da vitória do Mallorca por 2 a 1 e afundar novamente o time madridista em frustração.
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Onze dias depois, veio o que muitos trataram como o golpe definitivo da temporada. Na Allianz Arena, o Bayern de Munique eliminou o Real Madrid da Champions League em um confronto caótico. O agregado terminou em 6 a 4 para os alemães, após uma derrota por 4 a 3 no jogo decisivo.
O roteiro ainda teve espaço para polêmica. Camavinga foi expulso aos 86 minutos após receber o segundo amarelo em um lance bastante contestado pelos espanhóis. Três minutos depois, Luis Díaz marcou o gol que selou a classificação do Bayern e empurrou o Real Madrid para uma crise sem retorno.
Vestiário explode e título acaba nas mãos do Barcelona
No fim daquela semana, o cenário era devastador: eliminado da Champions League, fora da Copa do Rei e nove pontos atrás do Barcelona em La Liga. A confirmação simbólica do fracasso veio no empate dramático contra o Betis fora de casa. O lateral Héctor Bellerín marcou aos 93 minutos diante de um Real Madrid emocionalmente abatido, praticamente sem forças para continuar brigando pelo campeonato.
Mas ainda havia espaço para mais caos antes do El Clásico decisivo. Em Valdebebas, uma discussão entre Valverde e Tchouaméni terminou em agressão física. O uruguaio precisou levar pontos após a briga, enquanto José Ángel Sánchez, CEO do clube, convocou às pressas uma reunião de crise com presença extraordinária do capitão Carvajal.
No meio da turbulência, Mbappé estava de férias na Itália, situação que aumentou ainda mais o desgaste interno e as críticas da torcida.
O desfecho aconteceu no dia 10 de maio, no Camp Nou. O Barcelona venceu por 2 a 0 e confirmou o título espanhol diante de um Real Madrid apático, sem reação e completamente esgotado mentalmente.