Espanha

‘Após uma firula de Cristiano Ronaldo, eu disse que arrancaria sua cabeça’

Ex-meia do Atlético de Madrid relembra situação inusitada com o português em clássico contra o Real Madrid

A época de Cristiano Ronaldo mais driblador e inventivo, entre o fim dos anos 2000 e começo de 2010, rendia lances mágicos e criativos. Certa vez, em uma vitória do Real Madrid por 2 a 0 sobre o Atlético de Madrid, o português recebeu no alto na ponta esquerda, decidiu virar e deu um passe de costas, chamado “espaldinhas” na Espanha, revoltando os rivais na época.

A situação foi relembrada por Raúl García, ex-meio-campista que passou sete temporadas nos Colchoneros, em entrevista ao canal no YouTube “El camino de Mario”. Questionado sobre o que disse a CR7 após a firula inusitada, ele assumiu: “que eu arrancaria a cabeça dele ou algo assim“, contou, aos risos.

— Acho que o respeito deve sempre vir em primeiro lugar, mas naquele dia saiu naturalmente — completou.

Uma leitura labial da imprensa espanhola naquela partida de novembro de 2010 tinha mostrado que García havia ameaçado Cristiano de agressão. “Isso você não faz quando está 0 a 0, né? Te dou um soco.”

Na época, o português se defendeu, dizendo que as espaldinhas são especulares e são para quem gosta de “futebol espetáculo”.

— Quem não gosta do que faço, feche os olhos ou desligue a televisão — finalizou.

Cristiano Ronaldo e Raúl García em Real Madrid x Atlético de Madrid pela temporada 2010/11
Cristiano Ronaldo e Raúl García em Real Madrid x Atlético de Madrid pela temporada 2010/11 (Foto: IMAGO / Alterphotos)

García revela clima tenso em clássicos com Real Madrid de Cristiano Ronaldo

“Os dérbis tiravam o pior de mim”, foi assim que Raúl García definiu os duelos com o Real Madrid. O espanhol tinha uma rivalidade especial com Sérgio Ramos.

— Não me arrependo de como os enfrentava. Com o Ramos era com quem eu mais disputava. Ele é como eu: queria ganhar, jogava duro, não tem problema. Eu tenho uma relação muito boa com ele. Mas, se tem que ir para o choque, tem que ir.

O ex-meia estava em um dos principais duelos entre os rivais de Madri nos últimos anos, a decisão da Champions League de 2014. García atuou como meia pela direita por 66 minutos até ser substituído. Ele mostrou um incômodo pela saída com o Atleti ganhando, porque o gol de Ramos, que empatou e levou a partida para prorrogação — que seria vencida pelo Real –, foi no local onde ocupava nos escanteios.

— Diego Simeone decidiu que tinha que me substituir. O gol foi na zona onde eu atacava a bola parada, e sei que eu defendia bem ali. Sofre-se muito, você fica pensando nisso várias vezes.

Ao menos, Raúl García esteve no elenco que venceu a Copa do Rei um ano antes sobre os Merengues, vitória por 2 a 1, também na prorrogação, com o brasileiro Miranda como herói.

— A Copa foi o título mais importante de todos. Sempre vivíamos com essa história de ‘azarados’, e acho que ali começou essa mudança de mentalidade.

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Ex-meia teve que superar perseguição no Atlético de Madrid

Diego Simeone e Raúl García em entrevista coletiva em 2013
Diego Simeone e Raúl García em entrevista coletiva em 2013 (Foto: IMAGO / Marca)

Apesar de hoje ser considerado um ídolo colchonero (campeão de LaLiga, Liga Europa e Supercopa da Europa e da Espanha, além da copa local), o início de Raúl García no clube foi complexo.

Como o Atlético de Madrid ainda era irregular, o jogador foi perseguido pela torcida entre 2007 e 2011. “A partir do segundo ano, sofri bastante. Fui um dos jogadores mais vaiados no Vicente Calderón [ex-estádio do time]”, contou na mesma entrevista.

— Filipe Luís me disse um dia no vestiário: ‘Raúl, como você consegue entrar em campo com essa pressão?’. Foi uma época em que eu não saía de casa. Ia treinar, voltava para casa e me deitava para dormir como conseguia. Isso me deixou mais forte. Muitos jogadores saíram do clube e não foram capazes de render como depois eu consegui.

Após um empréstimo ao clube que o revelou, o Osasuna, na temporada 2011/12, o então meia retorna ao clube e passa a render sob o comando de Diego Simeone. Ele chegou a bater 18 gols em 13/14, quando atuou em quase todas as opções de ataque. Meses depois, chegou à seleção espanhola.

— Eu precisava que um treinador se comprometesse comigo fora do vestiário. Com a imprensa, o Cholo me ajudou muito. Sempre me defendeu. Além disso, me entendeu como jogador. Eu nunca fui um jogador de construir jogadas. E ele me pedia para chegar na área. Tanto que, em um jogo em Eibar, havia um lado do campo cheio de lama, por onde não dava para jogar, e ele me colocou ali nos dois tempos.

Após o Atleti, García também teve um período importante no Athletic Bilbao por quase dez temporadas até se aposentar em 2024.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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