Copa do Rei

O Barcelona devastou o Athletic no segundo tempo e conquistou a Copa do Rei com goleada

Messi anotou dois gols e se tornou o maior artilheiro da história das finais do torneio, ainda que Frenkie de Jong também tenha brilhado

O Athletic Bilbao teve sua segunda chance de conquistar a Copa do Rei neste mês de abril, mas viu seu sonho acabar pulverizado no Estádio Olímpico de La Cartuja. O Barcelona aplicou uma goleada incontestável para assegurar o título da competição na temporada 2020/21. Os bascos vinham com uma estratégia defensiva e até seguraram o zero no primeiro tempo, quando os catalães tinham 84% de posse. Porém, na volta do intervalo, um furacão blaugrana passou pela Andaluzia e devastou a meta adversária. O time de Ronald Koeman goleou por 4 a 0, com os tentos marcados num intervalo de 12 minutos. Messi fez dois gols e recebeu o prêmio de melhor em campo, mas Frenkie de Jong também gastou a bola e coroou a temporada excepcional que vive.

Marcelino García Toral repetiu nove jogadores que perderam a decisão anterior da Copa do Rei para a Real Sociedad, com a espinha dorsal formada por Unai Simón, Iñigo Martínez, Iker Muniain, Raúl García e Iñaki Williams. Ronald Koeman vinha com a base de seu sistema com três zagueiros, mas muita força ofensiva. Pedri, Frenkie de Jong e Sergio Busquets preenchiam o meio-campo, com Lionel Messi e Antoine Griezmann se combinando no ataque.

O primeiro tempo já seria um monólogo do Barcelona. Com mais de 80% de posse de bola, os blaugranas sitiavam o campo de ataque. Aos cinco minutos, De Jong já mandou uma bola na trave num chute colocado. Os espaços não eram muitos, mas os catalães tentavam e acabavam carimbando a marcação. O Athletic mal contra-atacava, ainda que uma cobrança de falta tenha permitido a Iñigo Martínez assustar logo aos 12, sem pegar em cheio a bola. Seria um lance isolado, considerando como o Barça era senhor do embate.

O Athletic parecia até acomodado pela maneira que se continha no campo defensivo, com duas linhas de quatro, sem acertar muitas ligações diretas com o ataque. Gerard Piqué também ia bem nas coberturas, impondo dificuldades a Iñaki Williams e Raúl García. Pelo menos, os Leones não deixavam o Barcelona jogar. O domínio total dos blaugranas não resultava em grandes oportunidades e as emoções eram escassas. Os catalães até chegaram a pedir um pênalti por toque de mão de Dani García, mas a arbitragem não marcou. De qualquer forma, faltava ao Barça aproveitar melhor seus recursos, explorando pouco as pontas até então.

O jogo melhorou no segundo tempo, graças ao Barcelona. A equipe passou a encontrar frestas na trincheira, sobretudo atacando pela direita. O goleiro Unai Simón passou a salvar o Athletic, primeiro barrando Griezmann na pequena área, num lance em que o francês não aproveitou o rebote. Depois buscando no cantinho o arremate de Pedri na entrada da área. O arqueiro ainda fez outro desvio decisivo diante de Busquets na sequência da cobrança de escanteio. Enquanto isso, Marcelino fechava mais a casinha para evitar a pressão e tentar jogar por uma bola. Sua ideia logo cairia por terra.

Aos 15 minutos, o Barcelona abriu o placar. A partir de então, a fortaleza basca começou a ruir. O primeiro gol surgiu na resposta de um contragolpe basco, com o campo mais aberto. Frenkie de Jong recebeu na direita e fez o cruzamento para Griezmann escorar. Três minutos depois, já saiu o segundo. Desta vez Jordi Alba cruzou pela esquerda e, sem que ninguém desviasse, De Jong apareceu na área para concluir. O Athletic se via pressionado a propor mais o jogo. Não conseguiria fazer isso e se descuidaria ainda mais atrás.

Faltava o de Messi, que saiu aos 23. O camisa 10 tabelou com De Jong e invadiu a área pela direita. Fintou a marcação e chutou cruzado, no cantinho. Já aos 27, a máquina de moer carne anotou o quarto. Alba serviu e Messi bateu no canto, com a complacência de Unai Simón. Segundo os dados do Mister Chip, o camisa 10 alcançou os nove gols em finais da Copa do Rei e superou o recorde de Telmo Zarra, lenda dos Leones. Marcelino até havia realizado uma mudança tripla pouco antes do primeiro tento do argentino, mas nada que tenha adiantado muito. Na reta final, o Athletic se colocou no campo de ataque para tentar o gol de honra. Deu sorte de não sair com um saldo pior, com um gol anulado de Griezmann aos 41. As combinações do ataque blaugrana eram fatais.

O Athletic Bilbao lamenta a dupla chance perdida. Se o time não tinha jogado bem contra a Real Sociedad há duas semanas, desta vez realizou uma atuação ainda mais retraída e pior. O efeito positivo gerado por Marcelino em sua chegada não se mantém e a voracidade vista na Supercopa fez falta. Amplia-se o jejum dos bascos na Copa do Rei, sem levar o troféu desde 1984. A partir de então, são seis vices, quatro deles diante do Barcelona – cada vez mais à frente como maior vencedor do torneio.

O Barça chega a 31 taças da Copa do Rei, contra 23 do Athletic. O sucesso do clube na competição é marcante especialmente durante aos últimos 12 anos, com sete troféus levantados desde 2009 – quatro deles diante do Athletic. Presentes em todas essas campanhas, Messi, Piqué e Busquets igualaram o recorde de títulos na competição. Além do mais, a goleada deste sábado é a segunda maior em uma final do torneio nos últimos 40 anos e tem seu simbolismo. Os blaugranas se refazem do revés na Supercopa e no Superclássico. Com o gosto do ouro, podem chegar mais fortes à reta final de La Liga, na qual seguem vivíssimos pela dobradinha.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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