Copa do Rei

Joaquín: “A vida me presenteou poder levantar um troféu com o Betis, que é tudo para mim”

Em entrevista coletiva, Joaquín falou sobre seus sentimentos e emoções após a conquista da Copa do Rei

Joaquín viveu uma semana feliz como raras em sua carreira, mesmo com mais de 20 anos atuando profissionalmente. O ponta teve o gosto de reconquistar um título com o Betis, após um hiato de 17 anos, e comandou a festa da fanática torcida ao longo do último final de semana. O feito na Copa do Rei serviu de deixa para o camisa 17 anunciar que permanecerá no clube por mais um tempo, com a ideia de renovar seu contrato para atuar até os 41 anos. Nesta quarta, Joaquín deu uma longa entrevista em que falou das emoções e sentimentos envolvidos diante de tamanha oportunidade de celebrar com sua gente, em sua cidade e por seu clube do coração.

Como foram os últimos dias

“Foram dias muito longos, dias de muitas emoções, de muitas lágrimas de alegria, de repetir na cabeça várias vezes esse momento em que Juan converte o último pênalti, da comemoração com as pessoas e, como não, de levantar a taça ao céu de Sevilha diante de todos os beticos. Isso vai ficar para a história e foi um momento especial muito bonito”.

A motivação para seguir

“Tentei poder alegrar as pessoas fazendo o que gosto, jogar futebol, fazer feliz muita gente. Isso está aí, as pessoas sabem valorizar e para mim é o maior. Entrar na história do futebol e do Betis é o mais bonito que pode acontecer. Mas é verdade que tenho o carinho e a admiração de mais gente, de muitos sevillistas também, tenho amigos sevillistas e contar com essa admiração é muito bonito. Ir a qualquer parte e que te recebam com essa alegria e carinho é muito bonito”.

A mentalidade antes da final

“Tínhamos em mente que esse troféu não podia escapar. Os dias prévios eram assim: ‘É nosso momento, a Copa do Rei precisa ser nossa, diante de nossa gente’. Todos os dias eram assim. Pensávamos para elevar o moral e o pensamento positivo. É preciso jogar e ganhar, mas tínhamos isso na mente. E felizmente foi assim, creio que tivemos um grandíssimo adversário. Fomos melhores no primeiro tempo, mas no segundo foi um time difícil, que pôde se colocar à frente nos contra-ataques. Tivemos também um pênalti sobre Fekir que era claríssimo e nem olharam, a trave de Canales. Mas o Valencia foi um rival duro e víamos que iríamos aos pênaltis”.

A comemoração com as filhas

“O momento com minhas filhas foi muito emotivo, muito bonito. Queria abraçá-las porque elas viveram muitas coisas, mas nunca tinham visto o pai levantando um título. Essas lágrimas… As pobres se cansaram de chorar comigo, foi um momento muito especial, que suas filhas te abracem e sintam essa emoção, que possam celebrar contigo, é o mais maravilhoso do mundo. Minha volta a Sevilha foi muito bonita, mas os primeiros anos eram complicados e elas ficavam mal porque viam que eu não era feliz por não conseguirmos os objetivos. De alguma maneira, eu dizia que era algo longo, porque o Betis acabava de subir, é um caminho difícil, mas que não se preocupasse porque o time estaria onde a torcida merece. E tive a sorte de poder brindá-las com a Copa do Rei, que viram seu pai levantar um título em um dia tão especial e em Sevilha”.

A família presente no peito e nas arquibancadas

“Todos os jogadores usavam a foto de nossas famílias na camiseta por baixo, foi uma surpresa do Betis, não sabíamos de nada. Vimos chegar no vestiário e isso te dá um impulso moral incrível. Foi um dia inesquecível por muitas coisas. Voltar a viver uma final, momentos bonitos, recordar daquela final de 2005 e, o mais importante, que estão vendo esse bom trabalho dos últimos anos. Chegar a uma final e ganhar não é nada fácil. Nas arquibancadas, meu pai estava presente. O coitado ficou muito nervoso, minhas irmãs me disseram que ele chorava a cada dois ou três minutos. Ele já sofre de uma maneira especial. Também pude dar a ele uma noite mágica e que visse seu filho levantar a taça”.

As palavras do rei na entrega da taça

“O rei me disse: ‘Parabéns, vocês merecem e você ainda mais, me alegro muito por você e aproveite com sua gente’. É um orgulho, um privilégio, primeiro por sua presença e segundo porque eu sei que ele tem raízes béticas, sua avó torcia para o Betis. Com o nervoso e a emoção, esqueci de dizer isso a ele”.

A festa no dia seguinte, no Benito Villamarín

“Que momento foi no Villamarín… Dois estádios cheios no sábado, as ruas, as sacadas. Que espetáculo, que coisa mais bonita. Quando cheguei ao Betis, muita gente dizia que eu ia para um clube que acabara de subir, não sei o quê. Eu não sabia se era o melhor momento, mas eu queria voltar ao Betis, sonhava com isso muitas vezes, e sabia que não seria fácil. Mas esta é a recompensa pelo trabalho de cada dia de todos os que formamos o clube, tanto no esportivo quanto no institucional. Não são só os jogadores e a comissão técnica, mas os roupeiros, o pessoal da lavanderia, os cozinheiros, os faxineiros. É um conjunto de tudo, esse bom ambiente se reflete também em muitas outras coisas”.

O medo de perder o pênalti, como no Espanha x Coreia do Sul de 2002

“Quando fui bater o pênalti, eu me lembrei do jogo contra a Coreia do Sul em 2002 e não é mentira. É verdade que na Coreia bati o quarto, estava convencido de que faria, mas sempre passa um pouco pela cabeça isso, lembrei também do último pênalti contra o Rayo que perdi. Mas são momentos em que você precisa se armar de responsabilidade, de valor, de tentar ser o mais profissional possível. E houve um momento em que disse: ‘Vou fazer e ponto’, mas é verdade que você se assusta um pouco”.

Pensou em bater de cavadinha

“De início, quando o técnico me disse que bateria o segundo, pensei em bater de cavadinha, eu juro, mas vi como o goleiro esperou bastante no primeiro pênalti e já não me atrevi. Então tentei surpreender e bater do lado. Tentei fazer ele se decidir antes, mas esperou bastante e eu decidi chutar à sua direita. A sorte é que foi alta, ele tocou um pouquinho, mas não dá tempo de espalmar”.

O pênalti decisivo

“No pênalti de Miranda era onde estava mais seguro, eu estava convencido que ele ia fazer, porque Juan tem um chute extraordinário. Ele pega muito forte e muito bem, com seu pênalti eu estava tranquilo. Saiu da base, é betico de verdade e pode dar a Copa do Rei à sua equipe com o último pênalti. Imagina o que ele sentia naquele momento…”

A sequência da temporada

“Já começamos a tentar despertar desse bonito sonho, porque na segunda-feira temos outro objetivo, que é ganhar em Getafe para tentar disputar a Champions, que é a cereja do bolo que podemos dar nesta temporada”

O espaço menor nessa temporada

“Estou assimilando um pouco que não é a mesma coisa pensar e fazer, de que esse ano ia jogar menos ou ver as opções que tenho. E não é que tenha ido mal, mas que não me senti satisfeito porque via que merecia algo mais, que podia jogar mais, e essa era minha reclamação. Falava muitas vezes com o técnico e tinha essa raiva interior comigo mesmo. Tive esses momentos de transição, em que você precisa aceitar que tem que jogar menos e que isso acontece no futebol. Mas já tive esse momento de assimilar e ficou para trás. Agora a vida me presenteou poder levantar um troféu com o Betis, que é tudo para mim”.

A reação de Pellegrini e dos companheiros com sua renovação

“Quando decidi continuar um ano mais, o primeiro com quem falei, além da minha família, foi Manuel. Disse: ‘Esta acontecendo isso com o clube, tudo está em sintonia, no começo da temporada pensei uma coisa, mas agora sim me vejo com vontade e esperança de poder seguir, queria saber sua opinião’. Era importante para mim e ele me disse que era um aporte importante, porque trazia muitas coisas. Tinha as portas abertas se quisesse seguir, o faria feliz. E é muito bonito ver a alegria dos companheiros, que te festejem assim quando você decide continuar por mais um ano. Isso é espetacular. Já não sei o que o clube preparou para oficializar, que não me coloquem num foguete e me mandem para a Lua… Eu assino e eles podem colocar o que quiserem”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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