Como ‘pequeno retranqueiro’ conseguiu convencer ídolos históricos da Espanha no mercado
Getafe acertou termos com Carvajal e mantém contatos com Parejo, e a política de reforços contrasta com o estilo pragmático de José Bordalás
O Getafe tenta transformar o mercado de jogadores livres em uma oportunidade para reforçar o elenco com nomes de peso do futebol espanhol. Dani Carvajal, ex-capitão do Real Madrid, e Dani Parejo, meio-campista com passagens marcantes por Valencia e Villarreal, estão no radar do clube, que busca alternativas para ampliar as opções de José Bordalás.
De acordo com o “Marca”, o Getafe chegou a um acordo com Carvajal para um contrato até o fim da temporada. O presidente Ángel Torres confirmou ao jornal que as partes haviam acertado os termos, e a expectativa inicial era apresentar o lateral após o compromisso pela Conference League contra o Universitatea Craiova. A inscrição, porém, esbarrou no limite salarial de LaLiga.
Parejo é outro nome experiente que pode entrar no projeto. Aos 37 anos, o meio-campista está livre após encerrar seu vínculo com o Villarreal e já recebeu contatos do Getafe, segundo o Marca. O clube também monitora outras oportunidades no mercado, em uma tentativa de oferecer mais alternativas a Bordalás para disputar LaLiga, a Copa do Rei e a Conference League.
Sem renovação com Real Madrid, Carvajal se aproxima de acordo com rival de LaLiga
Carvajal e Parejo: experiência para um elenco que busca mais opções
A possível chegada de Carvajal seria um movimento significativo para um clube que não costuma disputar contratações com os grandes nomes do futebol europeu. Campeão de seis edições da Champions League pelo Real Madrid e da Eurocopa de 2024 com a Espanha, o lateral encerrou sua trajetória no clube merengue ao fim da temporada 2025/26.
O entrave, neste momento, é financeiro. O controle econômico de LaLiga dificultou a inscrição do jogador, mesmo com a possibilidade de um acordo por valores inferiores aos que recebia no Real Madrid. O presidente Ángel Torres chegou a tratar publicamente a negociação com cautela, enquanto a imprensa espanhola relatava que o clube buscava uma fórmula para viabilizar a contratação.
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Parejo representa um perfil diferente, mas igualmente relevante. Revelado pelo Real Madrid, o meio-campista passou pelo Getafe entre 2009 e 2011, antes de construir uma trajetória de destaque no Valencia, onde foi capitão e referência técnica, e no Villarreal. Sua qualidade no passe, a capacidade de controlar o ritmo das partidas e a experiência acumulada em competições europeias e na seleção poderiam oferecer ao time uma alternativa para organizar a saída de bola.
A eventual reunião dos dois veteranos também teria valor simbólico. Carvajal é uma das figuras mais vitoriosas da história recente do Real Madrid, enquanto Parejo marcou época no futebol do país. São jogadores acostumados a ambientes de cobrança e a disputar partidas de alto nível, características que podem ajudar um elenco com menos recursos financeiros do que os principais concorrentes.
O estilo de Bordalás e o contraste com as estrelas que o Getafe procura
A possível chegada de Carvajal e Parejo também chama a atenção pelo treinador que encontrariam no Getafe. José Bordalás construiu sua reputação com uma equipe competitiva, física e difícil de enfrentar, frequentemente criticada por rivais que consideram seu futebol excessivamente pragmático. O estilo costuma ser associado ao “antifutebol“, sobretudo pela combinação de duelos intensos, faltas táticas e estratégias para interromper o ritmo dos adversários.
A descrição, porém, não conta toda a história do modelo. O Getafe não se limita a recuar e proteger a própria área. Dependendo do adversário e do momento da partida, a equipe pode pressionar a saída de bola, encurtar os espaços no meio-campo e tentar recuperar a posse em zonas avançadas. A organização defensiva, a agressividade nos duelos e a capacidade de disputar segundas bolas são elementos centrais do trabalho de Bordalás.
Na fase ofensiva, o time costuma priorizar a progressão direta e a ocupação de espaços que permitam avançar rapidamente. Em vez de insistir em longas sequências de passes, o Getafe busca explorar bolas direcionadas aos atacantes, ganhar disputas físicas e aproveitar a aproximação dos meio-campistas. Quando precisa defender por períodos prolongados, compacta as linhas e procura dificultar a criação pelo centro.
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Nesse contexto, Carvajal poderia oferecer experiência defensiva e capacidade de apoiar o ataque pelo lado direito, enquanto Parejo acrescentaria uma alternativa de passe e controle do ritmo no meio-campo. A presença do volante também poderia ajudar o Getafe a administrar melhor momentos em que precisa conservar a bola, sem que isso implique uma mudança radical na proposta de Bordalás.
A situação de Carvajal ainda depende de uma solução para o impasse de inscrição, enquanto a negociação com Parejo está em estágio de contatos. O clube também trabalha em outras possibilidades no mercado de agentes livres.
Se conseguir avançar nas negociações, o Getafe poderá combinar a experiência de jogadores consagrados com um modelo de jogo que privilegia intensidade, organização e competitividade. A questão será como transformar esse reforço de currículo em ganhos concretos dentro de campo sem perder a identidade que tornou o time de Bordalás um adversário incômodo no futebol espanhol.