Espanha

Com a vaga na Champions garantida, Girona precisa tomar importante decisão

Uefa não permite que estádios tenham assentos temporários, como o Montilivi do Girona, e clube precisará decidir o que fará na próxima temporada

Na pequena cidade de Girona, de apenas 100 mil habitantes, localizada na Catalunha, pode ter certeza que ninguém dormiu no último sábado (2) e muitos talvez ainda estejam de resseca hoje. O motivo? A inédita e história classificação do clube à UEFA Champions League da próxima temporada após bater o Barcelona por 4 a 2 pela 34ª rodada de La Liga. No entanto, a gestão da modesta equipe catalã precisa tomar algumas decisões e uma delas tem a ver com a casa deles.

A Uefa não permite que estádios tenham arquibancadas temporárias em suas competições, o que é o caso do Montilivi, do Girona, que teria que diminuir a capacidade para 9 mil espectadores caso queira jogar a Champions. O presidente do clube, Delfí Geli, disse que a prioridade é atuar em casa, mas ainda há dúvidas porque alguns sócios perderão lugares com a retirada dos lugares temporários.

Por isso, a gestão da equipe catalã também considera atuar fora da cidade. Poderia ir para Barcelona mandar as partidas da Champions no Olímpico de Montjuïc, onde o Barça tem atuado pelas reformas no Camp Nou, ou no Cornellà-El Prat, do Espanyol, localizado na região metropolitana da capital da Catalunha.

O Montilivi teve a capacidade aumentada para esta temporada e, com as temporárias, agora recebe 14.500 torcedores. Mesmo com essa expansão, é o menor estádio da primeira divisão da Espanha.

Se depender de prefeito, Girona mandará os jogos no Montilivi

O Montilivi ganhou um apoio de peso para receber os jogos da Champions: do prefeito de Girona, Lluc Salellas i Vilar. Em entrevista à rádio catalã RAC1, o político do partido de esquerda CUP garantiu que o povo da cidade quer que a principal competição da história dos Blanquivermlls aconteça na casa deles.

– Temos conversado com o clube sobre diversas possibilidades e cabe ao clube decidir. Mas acho que a cidade, o povo de Girona que lotou o estádio e as ruas, o que queremos é que a Liga dos Campeões seja disputada em Girona – pediu Selellas.

O prefeito afirmou que a cidade tem estrutura para receber o público de um torneio como esse e ainda utilizou como exemplo a pequena de Vilarreal, com metade da população de Girona e histórico de partidas europeias.

– [O clube está] estudando todos os cenários possíveis. A cidade está preparada para a visita de clubes e torcedores muito poderosos da Liga dos Campeões. Vilarreal, por exemplo, com metade da população, esteve [na Champions] durante várias temporadas. Somos uma cidade aberta ao mundo e temos infraestruturas para que as melhores equipas do mundo nos possam visitar. O melhor será feito pelo clube e pelos seus associados. Todos queremos que o Girona desfrute da Liga dos Campeões, é um sonho – finalizou.

Girona e Manchester City na Champions: há problema?

Pertencente ao Grupo City, o mesmo do Manchester City, o Girona não deve encontrar problemas para disputar a Champions. Apesar da Uefa proibir que clubes com o mesmo proprietário disputem as competições europeias, a entidade flexibilizou as regras do Multi-club Ownership (MCO) e, recentemente, times do mesmo conglomerado participaram de Champions, Liga Europa e Conference League (casos de RB Leipzig/Red Bull Salzburg, Aston Villa/Vitória de Guimarães, Brighton/Union Saint-Gilloise e Milan/Toulouse).

No entanto, segundo o jornal espanhol Relevo, não quer dizer que não haverá mudanças. O clube catalão possui três proprietários, são eles os empresários Pere Guardiola (tem 16% do time), irmão do técnico do City, e Marcelo Claure (35%), além do City Football Group (47%), empresa do Abu Dhabi United Group, pertencente à família real dos Emirados Arábes Unidos.

Por possuir três membros no Conselho de Administração que são do Grupo City, o Girona precisará realizar uma reestruturação para garantir que não há influência dos ingleses nas decisões da equipe. Os profissionais precisam se desvincular do conglomerado de times ou dos Blanquivermells.

A história do modesto Girona até a Champions

Historicamente, o Girona, fundado em 1930, nunca foi um time de primeira divisão. Tanto que tem apenas quatro temporadas na elite do futebol local. Os títulos são apenas de patamares inferiores, sendo uma da quarta divisão (2007/08) e cinco da terceira (1933/34, 1947/48, 1954/55, 1988/89 e 2005/06).

A mudança de patamar para equipe que vemos hoje começa em 2017, quando passou a ser parte do Grupo City. Esteve em La Liga nas temporadas 2017/18 (a primeira) e 2018/19, caiu e retornou para 2022/23, já com Míchel como técnico. Com um orçamento modesto, terminou em 10º na temporada passada e na atual fez história.

Começou a campanha com tudo e chegou a liderar o Campeonato Espanhol. O tempo foi ingrato e o time caiu de rendimento, especialmente fora de casa, o que fez o Real Madrid disparar na liderança. Mas não há o que lamentar, alcançar a Champions como foi já é um feito enorme.

Obviamente, por ser do Grupo City, a equipe segue os princípios do principal clube do conglomerado, o Manchester City. Assim, Míchel, adepto a filosofia do Jogo de Posição, montou um Girona ofensivo, intenso e protagonista dos jogos. Escalado normalmente em um 3-4-3, o time utiliza muito bem os pontas brasileiros Savinho e Yan Couto, ambos bem abertos nos lados e abusando dos dribles. Por dentro, muita qualidade no passe com Aleix Garcia, Iván Martín e outros. O destaque geral é o centroavante ucraniano Artem Dovbyk, artilheiro de La Liga com 20 gols.

Com 74 pontos, os Blanquivermlls podem terminar o Espanhol como vice-campeões, o que seria à altura do que apresentaram durante toda temporada. O Barcelona soma 73 de pontuação, enquanto o Atlético de Madrid, mais distante, tem 67.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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