Bate-boca entre Arbeloa e Mbappé só confirma que Real Madrid precisa de alguém como Mourinho
Álvaro Arbeloa deu resposta à altura das fortes declarações do camisa 10 francês
O Real Madrid poderia ter apenas conquistado uma vitória protocolar contra o já rebaixado Oviedo em LaLiga. Entretanto, com tantas polêmicas de bastidores nas últimas semanas, Kylian Mbappé piorou ainda mais o clima ao declarar que “para Álvaro Arbeloa, ele é o quarto atacante” da hierarquia dos Merengues.
Após ficar afastado por lesão e ter seu comprometimento com o Real Madrid questionado por atitudes extracampo, o atacante francês voltou a ser relacionado na última quinta-feira (14), porém, começou a 36ª rodada no banco de reservas, sendo acionado no 2º tempo e vaiado pela torcida.
Em entrevista na zona mista do Santiago Bernabéu, Mbappé garantiu que tinha condições físicas de ser titular, mas, por decisão do interino, alegou que está atrás de Franco Mastantuono, Vinicius Jr. e Gonzalo Garcia na fila de prioridades. Arbeloa, por sua vez, fez questão de rebater o camisa 10 dos Merengues.
— Eu não disse nada disso (que Mbappé era o quarto atacante), ele deve ter entendido errado. Eu decido quem joga enquanto estou sentado nesta cadeira, não me importo se você discorda, seja quem for. E se você não concorda, pode esperar pela próxima oportunidade — disparou o técnico espanhol em coletiva.
O contexto do desabafo de Mbappé contra Arbeloa
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A última vez que Kylian Mbappé havia entrado em campo pelo Real Madrid foi no empate com o Betis, no dia 24 de abril. Nas semanas seguintes, o atacante de 27 anos ficou no departamento médico tratando um problema muscular na coxa.
Contudo, em meio à recuperação, o francês foi cobrado por viajar com a namorada para a Itália enquanto os Merengues estavam às vésperas de um clássico que poderia evitar o título espanhol adiantado do Barcelona. A expectativa era que Mbappé retornasse a tempo para El Clásico decisivo do último final de semana.
O Real Madrid estava confiante na presença do camisa 10, que havia treinado normalmente nos dias anteriores. Só que, na última atividade preparatória, Kylian Mbappé foi embora a cinco minutos do fim alegando um desconforto. Naquele momento, ele sabia que começaria no banco contra o Barça.
No Camp Nou, o rival venceu os Merengues por 2 a 0 e foi campeão de LaLiga. Na coletiva que antecedeu o jogo contra o Oviedo, Álvaro Arbeloa explicou que daria minutos para o atacante francês “demonstrar o comprometimento que tinha com o Real Madrid”.
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Durante o desabafo público, Mbappé deixou claro que “não ficou chateado” e “respeitava a decisão do treinador” ao montar a escalação. Arbeloa, por sua vez, justificou a escolha em não começar jogando com o camisa 10 devido seu longo período afastado por contusão.
— Há quatro dias, ele nem sequer podia ir para o banco, e hoje (15) não era uma final. Não tenho problema com ninguém. Entendo que aqueles que não estão jogando não estejam felizes, mas é uma decisão baseada nas circunstâncias. Foi a coisa mais lógica, natural e sensata a se fazer — começou o interino espanhol.
— (Kylian Mbappé foi ingrato?) Não espero dos meus atletas o que lhes ofereci. Sei como eles se sentem e pensam. Especialmente jogadores deste calibre, com ambição e egos inflados. Não mudaria nada do que disse ou fiz — concluiu Álvaro Arbeloa
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Por que Real Madrid precisa de um técnico como Mourinho?
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O que ajuda a explicar o fracasso dos Merengues em 2025/26 foi a sequência de desentendimentos internos. Primeiro, com Xabi Alonso, Vinicius Jr. e Federico Valverde tiveram rusgas com o treinador, que prejudicou a sequência de seu trabalho no Real Madrid.
O uruguaio reconheceu o incômodo com a improvisação frequente como lateral-direito, enquanto o brasileiro teve uma reação explosiva ao ser substituído no clássico contra o Barcelona no 1º turno do campeonato. Em janeiro, o espanhol foi demitido.
Com o interino, os Merengues até mostraram uma reação nos primeiros jogos, porém, novas controvérsias abalaram a relação com o elenco. Nomes como Raúl Asencio, Daniel Carvajal e Dani Ceballos se voltaram contra Arbeloa, que já sabe que não continuará no cargo na próxima temporada.
Para fechar com chave de ouro, Valverde e Aurélien Tchouaméni brigaram no CT do Real Madrid, inclusive com o camisa 8 parando no hospital com traumatismo craniano. Por conta de todo esse caos, Florentino Pérez sabe que precisa trazer um comandante que tenha currículo para controlar o ambiente turbulento.
Com tantas estrelas reunidas, os Merengues necessitam de um gestor que saiba lidar com tanta pressão. Carlo Ancelotti deixou o comando elogiado por saber equilibrar esse cenário caótico. Agora, José Mourinho é o favorito para liderar o Real Madrid com pulso firme.
Apesar do técnico português estar em baixa na carreira, é inegável que sua figura impõe respeito a qualquer um no futebol, principalmente em um grupo com tamanha imponência como os Merengues. Resta saber se ele de fato deixará o Benfica.
Sem garantia de sucesso esportivo, Mourinho talvez seja a única opção acessível no mercado com potencial de resolver esses burburinhos recentes do Real Madrid. Como também não é de trato fácil, é de se esperar que o Special One bata de frente com os líderes dos Merengues, mas longe de ser o elo mais fraco na visão da diretoria, assim como aconteceu com Alonso e Arbeloa, que ainda estão no início da carreira na área técnica.