‘Para Arbeloa, eu sou o quarto atacante’: Mbappé fala após ser vaiado em retorno ao Real Madrid
Após começar no banco e ser vaiado no Bernabéu, francês fala em perda de espaço no Real Madrid e rebate críticas sobre comprometimento
A relação entre Kylian Mbappé e a torcida do Real Madrid ganhou um novo capítulo turbulento nesta quinta-feira (14), no Santiago Bernabéu. Após a vitória por 2 a 0 sobre o Real Oviedo, pela 36ª rodada de LaLiga, o atacante francês admitiu publicamente ter sido tratado como a “quarta opção” ofensiva do técnico Álvaro Arbeloa e revelou surpresa por começar no banco de reservas.
Contratado em meados de 2024 como principal reforço do projeto esportivo merengue, Mbappé atravessa o momento mais delicado desde sua chegada ao clube. Em meio à crise instaurada, ampliada após a perda do título espanhol para o Barcelona — sacramentada no último domingo (10), justamente diante do Real Madrid —, o camisa 10 virou alvo de críticas crescentes da imprensa e de parte dos torcedores.
No reencontro da equipe com o Bernabéu depois de mais de três semanas, o ambiente esteve longe de ser amistoso. Além dos protestos direcionados à diretoria e ao desempenho coletivo do time, Mbappé recebeu fortes vaias quando entrou em campo aos 24 minutos do segundo tempo, substituindo Gonzalo García. O francês reagiu com um sorriso antes de iniciar sua participação na partida.
Depois do jogo, o atacante evitou confronto direto com Arbeloa, mas deixou clara a leitura que faz do atual cenário dentro do elenco.
— Estou 100% bem. Não joguei porque, para o técnico, eu era o quarto atacante do elenco, atrás de Mastantuono, Vini e Gonzalo. Eu estava pronto para ser titular, mas a decisão é dele e sempre temos que respeitá-la. Não estou chateado.
Poucos minutos depois, Arbeloa foi questionado sobre a fala de Mbappé e tratou de rebater a interpretação do atacante francês. O comandante negou ter definido o francês como a quarta opção ofensiva do elenco e justificou a presença dele no banco pelo período recente de recuperação física.
— Eu não disse a Mbappé que ele é o meu quarto atacante. Há quatro dias, ele estava fora do El Clásico, nem sequer estava no banco. Então hoje, é só lógico que ele esteja no banco. Eu não tenho problema com ninguém. Eu sou o treinador e eu decido quem joga e quem não joga.
Mbappé e Real Madrid: cobranças públicas e desgaste crescente
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A entrevista de Mbappé também serviu como resposta indireta às declarações dadas por Álvaro Arbeloa na véspera da partida. Na quarta-feira (13), o treinador havia cobrado publicamente mais comprometimento do atacante neste fim de temporada.
— Se ele estiver bem, completar o treino e estiver disponível, certamente terá minutos. E terá a oportunidade nestes três jogos de continuar demonstrando o compromisso que tem com o clube — disse o técnico.
Arbeloa ainda reforçou o desejo de ver Mbappé mais decisivo e participativo nos compromissos finais da equipe em LaLiga: “Espero que ele dispute essas partidas fazendo gols e demonstrando, como já disse, o compromisso que tem com o Real Madrid. Como treinador, mas principalmente como madridista, é isso que gostaria de ver”, completou.
Embora tenha adotado um tom diplomático, Mbappé não escondeu o desconforto com a situação esportiva vivida no clube. Ainda assim, procurou evitar qualquer sinal de ruptura com o treinador.
— Não tenho nenhum problema com o Arbeloa. É preciso respeitá-lo. Você tem que aceitar a filosofia do técnico e eu tenho que jogar melhor para ser titular à frente do Vini, do Gonzalo e do Mastantuono. Não assisto às coletivas de imprensa do técnico. Em casa, tenho a TV francesa, não a espanhola.
A fala expõe um ambiente de pressão permanente no Real Madrid após uma temporada decepcionante. Eliminado nas semifinais da Champions League e sem o título espanhol, o clube encerra 2025/26 sob clima de frustração, e Mbappé acabou se tornando um dos rostos mais associados ao fracasso esportivo.
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Viagem de Mbappé para Itália aumentou críticas
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A ausência de Mbappé no clássico contra o Barcelona também alimentou ainda mais o desgaste. O francês ficou fora da derrota por 2 a 0 para o rival catalão por conta de uma lesão muscular, mas sua recuperação virou tema de debate nos últimos dias após a divulgação de uma viagem à Itália ao lado da atriz Ester Expósito.
Parte da torcida e da imprensa espanhola interpretou a viagem como um sinal de desconexão com o momento delicado do clube. Nesta quinta, o francês rebateu as críticas e garantiu que tinha autorização do Real Madrid para deixar a capital espanhola durante o período de recuperação.
— Quando não estava em Madri, tinha a autorização do clube. Não fui o único, mas é preciso aceitar e seguir em frente. Posso mudar essa situação facilmente — afirmou, antes de comentar sobre as vaias que recebeu.
— Não podemos mudar a opinião das pessoas. É a maneira de agir delas e não levo para o lado pessoal. Já passei por momentos na minha carreira em que fui vaiado. Faz parte do negócio e da vida.
Apesar do discurso sereno, o episódio reforça a deterioração da relação entre o atacante e o ambiente ao redor do Real Madrid. O jogador que chegou cercado de expectativa e tratado como sucessor natural da era de grandes estrelas do clube agora convive com desconfiança, críticas públicas e contestação da torcida.