‘Com Ancelotti, o Real Madrid não estaria nessa situação. Nunca vi nada tão sério’
Ex-atacante panamenho critica ambiente no clube merengue e se diz chocado com episódios recentes no vestiário
A sucessão de conflitos internos, derrotas marcantes e episódios extracampo transformou o fim de temporada do Real Madrid em um ambiente de tensão permanente. Em meio ao caos vivido pelo clube merengue, o ex-atacante Julio César Dely Valdés avaliou que o cenário atual dificilmente aconteceria sob o comando de Carlo Ancelotti.
Em entrevista ao jornal espanhol “AS”, o panamenho — que teve passagem destacada pelo Real Oviedo entre 1997 e 2000 — apontou a capacidade de gestão do treinador italiano como um diferencial determinante para evitar crises de vestiário como a que explodiu nos últimos dias em Madri.
— Claro que não (a crise no Real Madrid não aconteceria), nem os resultados nem o mau ambiente no vestiário. Não seria como é agora. Quando ele estava lá, isso nunca acontecia. Além do lado esportivo, o mais importante para um treinador é saber gerir um vestiário, e nisto, como em tantas outras coisas, Carlo era um mestre.
A declaração surge em meio a uma sequência de episódios que expôs fissuras profundas no elenco madridista. Um dos primeiros sinais públicos veio após relatos de atrito entre Álvaro Carreras e Antonio Rudiger durante um treinamento. Já Dani Ceballos rompeu relações com o técnico Álvaro Arbeloa depois de uma discussão acalorada no vestiário, aumentando a sensação de instabilidade nos bastidores do clube.
Como se o cenário já não fosse suficientemente conturbado, Kylian Mbappé também entrou no centro das críticas. O atacante francês passou a ser questionado internamente após viajar para a Itália ao lado da atriz Ester Expósito durante o período de recuperação de uma lesão. A decisão foi mal recebida por parte da diretoria e também pela torcida, especialmente diante do rendimento irregular da equipe em reta decisiva da temporada.
Clima fora de controle no Real Madrid
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O ponto máximo da crise merengue, porém, envolveu Federico Valverde e Aurélien Tchouaméni. Os dois se desentenderam durante um treino realizado no último dia 7 de maio e voltaram a discutir na atividade seguinte. A situação saiu completamente do controle e terminou em agressão física.
Valverde precisou ser encaminhado ao hospital após a confusão e recebeu diagnóstico de traumatismo cranioencefálico. O episódio obrigou o Real Madrid a convocar uma reunião emergencial para tentar conter os danos internos. Como medida disciplinar, o clube aplicou multa de 500 mil euros a cada um dos envolvidos.
A gravidade do caso impressionou até alguém acostumado ao ambiente competitivo do futebol profissional há décadas, como Dely Valdés.
— Estou envolvido com futebol a vida toda e nunca vi nada tão sério, com um jogador no hospital depois de confrontar um companheiro de equipe, nem como jogador, nem como treinador.
O caos extracampo acabou refletindo diretamente no desempenho esportivo da equipe. No último domingo (10), o Real Madrid foi amplamente dominado pelo Barcelona no Camp Nou e acabou derrotado por 2 a 0. Mais do que a derrota em si, chamou atenção a superioridade do rival durante praticamente toda a partida, em um clássico que simbolizou o tamanho da diferença entre os dois times nesta reta final de temporada.
O resultado confirmou o título antecipado de LaLiga para o Barcelona, com três rodadas de antecedência, e deixou o Real Madrid sem qualquer conquista relevante no calendário de 2025/26.
No meio de uma temporada marcada por desgaste interno e perda de controle nos bastidores, Carlo Ancelotti volta a ser lembrado em Madri pela capacidade de manter o elenco sob equilíbrio mesmo nos momentos de maior pressão. A avaliação de Julio César Dely Valdés reforça justamente essa percepção: a de que o italiano conseguia impedir que atritos individuais se transformassem em crises públicas, algo que o Real não foi capaz de evitar neste fim de temporada.