‘Yamal dependência’ acabou? Como Flick equilibrou Barcelona com reforços
Barça se tornou a equipe mais interessante de se assistir neste início de temporada mesmo sem o brilho de seu camisa 10
Foram apenas três rodadas de La Liga 2026/27, mas o Barcelona tem encantado. A equipe soma 100% de aproveitamento, 12 gols marcados e apenas dois sofridos, e um futebol envolvente, ofensivo e até muito vertical — o que chegou a incomodar o treinador Hansi Flick. E isso sem precisar de uma grande versão de Lamine Yamal.
O jovem espanhol, como foi na conquista da Copa do Mundo, começou a temporada ainda longe da forma física e técnica ideal. Após dois primeiros jogos abaixo, deu a primeira mostra do craque que é ao marcar dois lindos gols e acumular dribles e lances deslumbrantes contra o Rayo Vallecano.
Ainda assim, é longe do que foi visto nas duas últimas temporadas, quando surgiu o termo “Yamal dependência” por conta da influência do camisa 10.
Barcelona: Notícias, rumores, transferências e mercado
Em um time que, por vezes, era muito previsível com a bola no pé contra defesas muito fechadas, o ponta ficava sempre aberto pela direita para receber no mano a mano e era a única alternativa para que saísse uma jogada individual que quebrasse o sistema defensivo adversário, abrindo o caminho para mudar o jogo.
Para a temporada atual, no entanto, essa válvula de escape tem acontecido com menos frequência. Obviamente, Yamal ainda é muito acionado no lado do campo para potencializar seu drible e a velocidade de tomada de decisão contra defensores. A diferença é que o Barça equilibrou essa alternativa com outras.
Combo Gordon e Xavi Espart equilibra o Barcelona
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F09%2Fgordon-xavi-espart-scaled.jpg)
A dependência em Yamal ocorria também porque o lado esquerdo quase sempre tinha um lateral aberto, como Alejandro Balde, jogador de ultrapassagens e de receber no espaço mais do que vencer adversários no mano a mano. A posição do lateral dava liberdade a Raphinha para flutuar para dentro, seja para rondar a entrada da área ou atacar o espaço entre zagueiro e lateral adversário.
Yamal, inclusive, deu diversas assistências ao brasileiro nesse cenário de ataque às costas da defesa adversária.
Em 26/27, no entanto, Raphinha virou centroavante. O lado esquerdo, agora, tem tido a amplitude de um atacante, Anthony Gordon ou Karim Adeyemi, dupla de muita velocidade. O inglês ainda tem o drible como parte importante de seu jogo.
O apoio fica por parte do lateral improvisado Xavi Espart, volante de origem e destro, que pode atacar por dentro ou abrir o campo para o ponta atacar por dentro.
Muitas vezes, a estrutura garante dois atacantes contra a marcação de só um lateral — na direita, Yamal ficou mais “solitário” porque Jules Koundé perdeu a vaga e Eric García se tornou o lateral-direito, sendo mais fixo junto aos zagueiros.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F09%2Fbarcelona-espart-gordon-esquerda.png)
Essa dinâmica ainda foi a responsável por não só tirar a dependência de Yamal, mas também dar mais espaço aos meias, porque agora a marcação adversária precisa ter atenção redobrada dos dois lados. Dos 12 gols culés no Campeonato Espanhol, cinco tiveram exatamente a movimentação do corredor esquerdo como protagonista.
No último gol da goleada sobre o Elche na estreia, Espart teve a bola na intermediária, Gordon atraiu a marcação para fora e deu o espaço para o passe do jovem de La Masia encontrar Fermín López entre as linhas de marcação antes de belo gol.
Frente ao Athletic, dessa vez Adeyemi recebeu a bola bem aberto e, enquanto Espart puxava a marcação, levou para a linha de fundo e cruzou para outro tento de Fermín.
Na última rodada, contra o Rayo, foram três graças ao lado esquerdo. O jovem foi protagonista novamente: por dentro, deu um toquinho mortal de primeira em passe de Pedri para deixar Raphinha no mano a mano, e o brasileiro fez um golaço. Depois, foi a vez dele estar aberto e Gordon infiltrar para receber de Dani Olmo e dar o cruzamento para gol contra.
Ainda teve tempo de uma dinâmica ainda pouco explorada, com o apoio de Raphinha. Gordon venceu seu duelo mano a mano e cedeu de calcanhar para o brasileiro, em ultrapassagem para sua posição “antiga”, fazer mais um gol e se tornar artilheiro de La Liga.
O Barcelona tem sido muito agradável de se assistir, tendo um ataque muito móvel por ter o brasileiro como camisa 9, Gordon e Yamal como pontas agressivos e um meia com tanto faro de gol como Fermín.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F09%2Fbarcelona-espart-gordon-esquerda-2.png)
Flick ainda precisa de outros desafios para testar nova alternativa
O recorte ainda é pequeno para garantir que o Barcelona está plenamente livre da “Yamal dependência”. Até porque o jovem ainda está retomando o seu melhor. 100% física, técnica e mentalmente, é natural que chame mais o jogo e receba mais a bola.
Ainda tem um fator mais importante: os adversários. Elche, Athletic e Rayo são a cara do Campeonato Espanhol: times ousados, ofensivos, que gostam da bola e jogam com linhas altas. Com isso, deram o contexto ideal para o Barça, muito superior tecnicamente, ter o espaço perfeito para explorar.
A nova estrutura de Hansi Flick precisa ser testada contra adversários que desafiem seu repertório, como defesas mais fechadas e recuadas na própria área.
O duelo com o Valencia, neste domingo (6), pode ser o primeiro desses testes. A equipe ainda não venceu em La Liga e teve menos posse de bola em duas das três rodadas.