Até Yamal de centroavante: Barcelona pode optar por caminho perigoso na temporada
Possíveis movimentos no mercado podem deixar clube catalão com opções escassas no ataque
O Barcelona já não está mais tão otimista com a chegada de Julián Alvarez. Apesar da posição favorável do jogador, o Atlético de Madrid segue irredutível e não quer vender seu melhor jogador. Dentro do clube catalão, também parece que as figuras de gestão estão aceitando a situação e eles podem acabar sem um substituto para Robert Lewandowski.
O clube ainda pode perder Ferran Torres, centroavante que alternou a titularidade com o polonês na última temporada, alvo do PSG. “Nunca se sabe”, disse o espanhol ao falar de seu futuro nos Culés. O técnico Hansi Flick mostrou que pode haver ainda um movimento no mercado: “Sabemos que precisamos fazer alguma coisa. Também depende de Ferran.”
O alemão, porém, na mesma entrevista, cedida nesta semana durante a pré-temporada do Barça, deu uma declaração que pode assustar o torcedor. Flick assumiu que o maior craque do Barcelona, Lamine Yamal, pode jogar improvisado como centroavante — apesar de reforçar que a ideia é mantê-lo na ponta direita.
Ele também usou como exemplo improvisar os dois reforços como camisas 9: Anthony Gordon, de perfil parecido com o de Ferran e já tendo atuado bastante de centroavante, e Karim Adeyemi, ponta e que jogou no centro do ataque em alguns momentos no Borussia Dortmund. Um caminho estranho e que levanta dúvidas sobre a atuação da gestão do presidente Joan Laporta e do diretor Deco.
— Lamine jogou algumas partidas conosco por ali [de centroavante]. É um jogador fantástico, de classe mundial, e pode se adaptar. E Gordon e Adeyemi também podem jogar como 9 e nas duas pontas. Temos muitas opções — afirmou Flick.
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Barcelona pode complicar temporada sem um 9 de óficio
Usar Gordon como centroavante é até natural, pois um reforço de 80 milhões de euros não chegaria apenas para ser o reserva de Raphinha na esquerda do ataque, e ele manteria a ideia que deu certo com Ferran Torres em vários momentos no último ano.
A questão é a possibilidade de ter apenas o inglês no setor e precisar, a depender de imprevistos, improvisar alguém não acostumado a exercer a função com regularidade. Na última temporada, por exemplo, o titular da ponta esquerda teve cinco lesões e ficou afastado por mais de quatro meses. Raphinha tem feito uma preparação física especial, mas seu histórico deixa dúvidas.
Yamal também sofreu com lesões, teve a pré-temporada encurtada pela Copa do Mundo (na qual não teve desempenho regular justamente por estar se recuperando de um problema físico) e pode sentir o desgaste em 2026/27. Ou seja, Gordon deve jogar muito, mas não só ele, como também Adeyemi, um jogador muito irregular, apesar de encaixar bem com a filosofia intensa e agressiva de Flick.
Em alguns momentos, pode até ficar sem opções para a linha de frente e precisar usar Fermín López ou Dani Olmo no ataque, algo que já aconteceu na última temporada. Parece que a gestão culé confia tanto que Flick tirará da cartola grandes invenções e assim compensará o fraco mercado.
Desde sua chegada em 2024, o alemão, com um elenco curto e poucas contratações, conseguiu reinventar jogadores e usá-los em novas funções, como Eric García de volante e lateral-direito, Gerard Martín de zagueiro, e convencer Jules Koundé a se consolidar na lateral. Ele também encontrou várias soluções vindas de La Masia, estreando 12 jogadores no período. Isso, porém, não é uma garantia de que sempre vai acontecer.
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Próximo passo do projeto do Barça deveria ser a Champions League
Sustentar uma temporada de um gigante como o Barcelona em possíveis dúvidas no ataque é uma decisão ousada. Ainda mais porque o Barça focou tanto em Alvarez que parece ter esquecido de reforços para outras posições.
A zaga ainda não teve nenhum nome contratado. Depois das especulações envolvendo Alessandro Bastoni, nenhum outro alvo apareceu. É um setor que precisa de mais nomes de velocidade, porque a última linha sempre joga avançada e tenta deixar o adversário em impedimento. A dupla titular deve ter Pau Cubarsí e Eric García ou Gerard Martín. Os reservas, porém, serão os irregulares Andreas Christensen e Ronald Araújo.
Por que linha alta do Barcelona é caminho ‘sem saída’ para o clube
— Trivela (@trivela) April 17, 2026
Estilo de jogo do Barça foi questionado após eliminação para o Atlético de Madrid na Champions League https://t.co/UhkV6ZKUKu pic.twitter.com/stufLjZ8vm
O contexto do elenco do Barcelona não é o ideal para um projeto que, em teoria, vê a Champions League como o próximo passo para se consolidar. O clube conquistou duas vezes LaLiga em dois anos com Flick, além de duas Supercopas da Espanha e uma Copa do Rei.
As eliminações na maior competição da Europa tiveram contextos diferentes. Em 2024/25, na semifinal, caiu para a Internazionale em uma semifinal que poderia ir para qualquer lado. O Barça vivia o auge da passagem de Flick até aqui, e o 5 a 0 sofrido pelos italianos para o PSG na final mostrou que teria mais jogo se os catalães tivessem avançado.
Já na última temporada, a queda para o Atlético de Madrid — que também tirou os Culés na Copa do Rei com direito a 4 a 0 na ida — nas quartas de final veio com absoluta justiça e exposição da linha defensiva do Barça contra um adversário que soube explorá-la com perfeição.
A lição dos dois revezes deveria ser contratar defensores rápidos e atacantes dedicados para pressionar, mantendo a filosofia de Flick, que não irá mudar, como o próprio técnico reiterou em entrevistas. Gordon e Adeyemi, por suas características, cumprem parte disso, mas o restante, aparentemente, não ocorrerá.
A ver se o Barcelona, mesmo sem Alvarez, optará por um caminho ousado que exigiria muito de Flick em 2026/27. O início da temporada está marcado para 23 de agosto, quando abre o Campeonato Espanhol contra o Elche, fora de casa. Neste momento, o clube está em pré-temporada na Inglaterra e ainda enfrentará Nottingham Forest, Udinese e Al Ahly.