Espanha

Barcelona ameaça ir à justiça comum contra embargo de transferências, mas é liga que pode salvá-lo

O Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) confirmou na terça-feira, 30, a punição que impede o Barcelona de contratar qualquer jogador na janela de transferências de janeiro e também na seguinte. O clube não poderá contratar ninguém em 2015 e só poderia fazer contratações em janeiro de 2016. Uma medida dura, somada a uma multa, que foi mantida quando muitos esperavam que a punição fosse revertida. O clube, é claro, discordou da punição e ameaça ir à justiça federal da Suíça contra a Fifa pela punição. Uma medida dificilmente tomará, até porque sabe que tem mais a perder do que a ganhar. É só um grito de uma criança birrenta, daqueles que se jogam no chão do mercado quando a mãe se recusa a comprar o que ela quer.

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A punição ao Barcelona por contratação irregular de jogadores menores de idade é dura, muito mais dura do que estamos acostumados a ver no futebol. A Fifa é sempre leniente e o futebol, de maneira geral, é bastante tolerante com irregularidades. Racismo? Dá-se uma multa, joga-se de portões fechados e pronto. Ou então os jogadores se cumprimentam ao final do jogo e já está tudo certo, não é Blatter? Não estamos acostumados com punições rigorosas.

Há detalhes que o Barcelona se apoia para tentar reverter a punição. O fato é que o próprio clube reconhece os erros, os assume e esperava, desta forma, ser agraciado com uma diminuição da punição. Não acontecerá. A Fifa usou o Barcelona, que tem uma das categorias de base mais famosas do mundo, para mandar um claro recado ao que acontece no futebol. Usou, sim, o Barcelona como a famosa punição exemplar. Ir à justiça comum iria contra o que a Fifa seria dar à entidade uma outra oportunidade de usar um dos clubes mais famosos do mundo para dar outro exemplo de punição: quem usa a justiça comum é punido (algo que não vimos acontecer no Brasil, aliás, haja visto casos como o do Rio Branco e Treze, em 2012).

Depois de recorrer da decisão, o Barcelona teve a punição suspensa e pode gastar o quanto quis na janela de julho e agosto. Não por acaso, torrou € 160 milhões em contratações, incluindo Ter Stegen (Borussia Mönchengladbach, € 12 milhões), Claudio Bravo (Real Sociedad, € 12 milhões), Ivan Rakitic (Sevilla, € 18 milhões), Luis Suárez (Liverpool, € 81 milhões), Jérémy Mathieu (Valencia, € 20 milhões), Thomas Vermaelen (Arsenal, € 10 milhões), Douglas Pereira (São Paulo, € 4 milhões) y Alen Halilovic (Dinamo de Zagreb, € 2,2 milhões). Sem poder contratar em 2015, não restará ao Barcelona muitas opções a não ser mostrar que La Masia é mesmo boa como dizem para fornecer jogadores para o time de cima.

Além da base, o time só poderá recorrer aos jogadores que estão emprestados, como Denis Suárez e Deulofeu, no Sevilla, Cristian Tello, no Porto, e Alex Song, que está no West Ham. Além disso, deve dificultar a saída de jogadores, mesmo aqueles que parecem querer sair, caso do lateral direito Montoya. Daniel Alves, que tem contrato até o fim da temporada, é uma dúvida.

A esperança do Barcelona, mais do que a justiça comum, que é um truque para dar satisfação à torcida, é a liga espanhola, LFP. A entidade considera a punição ao Barcelona um exagero e pode tomar ações para tentar reverter a questão. Isso porque o clube alega que os erros foram cometidos por um conflito normativo entre as regras da Fifa e a legislação espanhola. “A LFP está realizando uma análise sobre a adequação da normativa diferente da Fifa, assim como as diferentes normas da União Europeia”, disse, em nota, a liga.

A LFP pode ajudar muito o Barcelona nesta questão. A liga ameaça denunciar na União Europeia a parte do regulamento sobre transferência de menores de idade. Mais de uma dezena de jogadores menores de idade estão sem poder jogar pelo clube por causa das irregularidades. Os problemas podem fazer com que o diretor esportivo do Barcelona, Andoni Zubizarreta, seja demitido. Guillermo Amor e Albert Puig, que cuidavam das categorias de base, já saíram do clube por causa desse caso.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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