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Ancelotti, entre o conforto de Paris e a grandeza de Madri

A dança das cadeiras entre os técnicos dos principais clubes da Europa promete ser intensa nos próximos meses. Pep Guardiola e David Moyes foram os primeiros nomes confirmados, nas transições seguras feitas por Bayern Munique e Manchester United. Enquanto isso, Real Madrid, Manchester City, Chelsea e outros endinheirados parecem inertes em meio à incerteza do que ocorrerá no futuro.

Diante da iminente saída de José Mourinho, o Real Madrid começa a se mexer. E já teria feito os primeiros contatos em busca de um substituto: Carlo Ancelotti se reuniu com dirigentes merengues em Paris. Embora sua permanência no Paris Saint-Germain tenha sido colocada em xeque nos últimos tempos, o italiano é bancado pelo dono do clube francês, o Xeique Nasser Al-Khelaifi.

“O Real Madrid veio e discutiu com eles. Ancelotti tem contrato por mais um ano. E, por mim, ele continua aqui na próxima temporada. Ele é uma pessoa fantástica e estou certo que ele respeitará seu contrato. Hoje, não tenho nenhum plano de me reunir com Ancelotti. Agora é tempo de celebrar e aproveitar o momento”, afirmou o dirigente.

Mesmo tendo fracassado em sua primeira (metade de) temporada em Paris, Ancelotti merece um voto de confiança do magnata. O PSG caiu cedo nas copas francesas, mas fez ótimo papel nas competições que realmente importavam. Conquistou a Ligue 1 com a facilidade que se pedia, encerrando jejum de 19 anos sem a taça. Levou o time às quartas de final da Liga dos Campeões, jogando de igual para igual contra o Barcelona e não avançando por detalhes.

Apesar dos milhões disponíveis, é compreensível que o trabalho de Ancelotti tenha demorado um pouco para engrenar. Dez dos 11 titulares chegaram entre a temporada passada e a atual – a exceção é o capitão Christophe Jallet, trazido do Lorient em 2009. Ainda assim, o técnico conseguiu montar uma equipe entrosada, especialmente na defesa, chegando a quebrar seu recorde de tempo sem sofrer gols na Ligue 1.

No Real Madrid, a pressão sobre o técnico seria maior – situação com a qual Ancelotti mostrou não ter problema algum para lidar, especialmente em suas passagens por Milan e Chelsea. O caixa para contratações talvez seja tão generoso no Santiago Bernabéu quanto no Parc des Princes. O problema maior será lidar com uma possível reconstrução do elenco. A saída de Mourinho promete deixar algumas feridas abertas, assim como foi no Chelsea e na Internazionale.

Já se permanecer no PSG, Ancelotti terá mais alguns milhões à disposição para contratar novas estrelas, conquistar o bicampeonato francês e voar mais alto na Champions. As possibilidades de cumprir os objetivos são grandes, considerando o amadurecimento gradual da equipe. A visibilidade pode não ser tão grande quanto em Madri, mas o conforto para alavancar ainda mais seu projeto, sem dúvidas, pode ser preponderante para sua permanência em Paris.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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