Copa do Mundo

Wenger apoia menos datas Fifa e Copa do Mundo a cada dois anos

Ex-treinador do Arsenal quer reduzir e concentrar jogos de Eliminatórias e jogar a Copa com mais frequência

A Fifa conduz um estudo de viabilidade pensando em uma Copa do Mundo a cada dois anos, tanto no evento masculino, quanto no feminino. Além da mudança no seu principal torneio, há um estudo de reduzir o número de datas Fifa, as paradas de jogos internacionais. Arsène Wwenger, atual chefe global de desenvolvimento do futebol, apoia a ideia de um Mundial bienal e acredita que é necessário reduzir o número de jogos de seleções.

“Eu sempre tive a sensação que muitos períodos pequenos de parada era mais desfavorável para os jogadores. Aqueles sempre foram momentos de incertezas. Como os jogadores estão se sentindo mentalmente depois? Eles voltam machucados?”, disse Wenger.

“Foi exatamente isso que aconteceu com Robert Lewandowski, que se machucou com a seleção polonesa contra Andorra. Isso arruinou toda a temporada de Champions League do Bayern”, analisou o ex-técnico do Arsenal.

Wenger propõe que haja um mês de parada para jogos internacionais, em outubro, e condensaria todos os jogos de eliminatórias. Depois, jogaria a competição final em junho e julho do próximo ano. Ele já tinha falado sobre o assunto em março.

“As seleções podem se reunir em outubro, jogar sete partidas de eliminatórias por um mês, e então jogam as finais do torneio em junho. Queremos reduzir o número de jogos, isso é muito importante porque nós podemos ver a condição dos jogadores”, disse o francês.

Com isso, o número de dias reservados às paradas do futebol de seleções, que nos acostumamos a chamar de datas Fifa por aqui, seriam reduzidos de 50 para 28. O número de partidas eliminatórias também seria reduzido de 10 para sete jogos. Isso, claro, na Europa. Na América do Sul, as Eliminatórias da Copa são disputadas em 18 partidas.

“Nós garantimos um período de descanso depois de cada torneio. Pense desta forma: em 2026, a Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá; em 2017, uma Eurocopa e os outros torneios continentais; em 2018, outra Copa do Mundo; e assim vai”, continuou Wenger.

“As competições irão todas permanecer no lugar até 2024 e mudanças só podem ser feitas depois disso. Mais partidas de mata-mata, menos jogos qualificatórios. É isso que os torcedores querem”, disse ainda Wenger.

Proposta de Copa bienal é da Federação Saudita

A Fifa começou um estudo de viabilidade depois de uma proposta feita pela Federação Saudita de Futebol (SAFF, Saudi Arabia Football Federation) no Congresso Anual da Fifa, em maio. Não há qualquer prazo para que o estudo seja concluído, mas também não é possível fazer qualquer mudança no calendário internacional até 2024.

Desde que foi criada, em 1930, a Copa do Mundo é realizada a cada quatro anos, exceto em 1942 e 1946, anos em que o torneio não foi disputado por causa da Segunda Guerra Mundial. A Eurocopa também é disputada a cada quatro anos desde 1960, com a exceção de 2020, que foi adiado para 2021 por causa da pandemia da COVID-19.

A Federação Saudita tem interesse em uma Copa a cada dois anos porque há fundos de investimento do país por trás inclusive de propostas para financiar a ideia. Aliás, um fundo saudita também já esteve por trás da ideia de expandir o Mundial de Clubes e torná-lo um grande evento, tal qual a Copa do Mundo.

Resistência de clubes e ligas

A ideia de uma Copa do Mundo a cada dois anos pode ser até bastante atrativa para as emissoras que transmitem, mas tem uma oposição forte de clubes e ligas, que temem o esgotamento dos jogadores.

Uma das associações que se manifestaram contrárias foi a Associação de Ligas Europeias, que considera a proposta “irrealista”. A associação reúne 37 ligas e associações de clubes da Europa. Quem também se mostrou contrário foi o técnico do Manchester City, Pep Guardiola. Quando ele foi perguntado sobre a ideia, em abril, o catalão ironizou. “Talvez nós devêssemos pedir à Uefa e à Fifa para estender o ano. Talvez pudéssemos ter um ano de 400 dias”.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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