O problema tático que dificulta titularidade de ‘super-reserva’ da Alemanha na Copa do Mundo
Atacante saiu do banco nos dois jogos da seleção alemã e marcou três gols, além de duas assistências
Diferente da estreia na Copa do Mundo, a Alemanha encontrou muitas dificuldades em sua segunda partida. Depois de golear Curaçao por 7 a 1, a seleção treinada por Julian Nagelsmann enfrentou a competitiva Costa do Marfim, saiu perdendo e precisou correr atrás do prejuízo com o impacto de um reserva que tem brilhado.
O centroavante Deniz Undav já tinha sido importante para ampliar a goleada anterior contra o adversário caribenho, marcando o sexto gol e distribuindo duas assistências para o quinto e sétimo de Nathaniel Brown e Kai Havertz, respectivamente. Frente aos africanos, foi ainda mais decisivo.
Ele saiu do banco para, como no jogo anterior, substituir Jamal Musiala. Com um toque, empatou o jogo em cruzamento na medida de Nadiem Amiri. Nos acréscimos, em assistência perfeita de Felix Nmecha no meio da defesa, Undav dominou com uma perna e bateu com a outra na área para virar o placar, 2 a 1.
Como família – fora e dentro de campo – fez Florian Wirtz virar esperança da Alemanha
— Não faço ideia [como faço os gols]. Eu me posiciono no lugar certo. Meus companheiros facilitam muito para mim. Eu apenas tento estar onde preciso estar. Estamos em um bom caminho, mas toda equipe é difícil. Agora precisamos aproveitar esse embalo e seguir em frente — assumiu o modesto jogador.
Impacto absurdo do atacante que ganha apelo por sua titularidade. Ao mesmo tempo, porém, isso não é simples de acontecer.
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Entrada de Undav na Alemanha precisaria mudar estrutura do time
Atualmente, a Alemanha joga em um 4-2-3-1. O quarteto de frente é formado por Florian Wirtz à esquerda, Leroy Sané à direita, Musiala como camisa 10 e Havertz como um atacante central móvel. Em teoria, quem precisaria sair para entrar Undav seria Sané, em péssimo momento e destoando do restante dos atacantes. No entanto, a estrutura implementada por Nagelsmann dificulta isso.
No momento ofensivo, a seleção alemã ataca próxima de um 3-1-1-5 porque Joshua Kimmich faz a saída de bola com os zagueiros, Alexander Pavlovic apoia o trio e Felix Nmecha fica mais próximo do quinteto da frente. No ataque, o lateral-esquerdo Brown sobe para ocupar a ponta e dar liberdade para ocupar o corredor. Do outro lado, a amplitude para potencializar duelos mano a mano fica com Sané. Aí, entre o problema.
Se Undav substituir o ponta direita, o “super-reserva” automaticamente viraria centroavante. Então, Havertz, em grande momento, teria que ser movido para ficar fixo no lado direito, onde não é sua posição natural e tiraria sua liberdade, que tem dado frutos à Nationalelf.
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Até por isso que o atacante, que já é o artilheiro da Copa do Mundo, só entrou no lugar de Musiala, o que facilita o encaixe: Havertz recua para flutuar mais como meia e o jogador do Stuttgart fica como camisa 9.
Musiala, uma das maiores joias alemãs, também não deve perder a posição, apesar da má fase, nem Havertz, pelo bom momento que atravessa.
Talvez seja por esse contexto que Nagelsmann deixou em aberto uma possível titularidade do camisa 26, exaltando o impacto dele ao sair do banco. “Agora vão começar novamente as perguntas sobre se ele deve ser titular. Mas também se pode dizer: deixem-no continuar nesse embalo“, disse.
— Foram dois gols de altíssimo nível do Deniz. Ele é simplesmente um centroavante nato. Marca dois grandes gols de forma instintiva, sem precisar pensar muito. Ele sabe exatamente onde está o gol. Está cumprindo seu papel de maneira excepcional — elogiou.
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‘Super-reserva’ já brilhava antes da Copa do Mundo
Convocado pela primeira vez em 2024 e parte do elenco que chegou às quartas de final da Eurocopa daquele ano, Undav não recebeu grande continuidade na seleção até chegar este ano.
A razão principal foi sua grande temporada pelo Stuttgart, com 19 gols só na Bundesliga — 25 no total –, somando também 14 assistências ao longo da trajetória em 2025/26, com a disputa também da Liga Europa e Copa da Alemanha.
Nagelsmann, que não o convocava desde o meio do ano passado, decidiu dar uma chance em março de 2026, e o atacante de 29 anos abraçou. Entrou no intervalo no amistoso com Gana e marcou o gol da vitória, o que basicamente o garantiu na Copa.
Nos amistosos antes da competição, com a chance de ser titular na ausência de Havertz pela final da Champions League, foi às redes duas vezes e deu uma assistência na goleada sobre a Finlândia. No banco contra os Estados Unidos, entrou nos instantes finais e não teve o mesmo impacto.
O desempenho na temporada e nos amistosos, mais o que mostra na Copa do Mundo, aumenta os pedidos por sua titularidade entre torcedores e imprensa. A ver qual será a decisão do técnico alemão. A seleção europeia, garantida na primeira colocação do grupo E, pode rodar o time para a última rodada, contra o Equador, na próxima quinta-feira (25), antes da fase de mata-mata.