Copa do Mundo 2026

Fragilidades individuais pesam na Tunísia e ‘efeito Hervé Renard’ não surte efeito

Nem chegada de técnico conhecido por salvar equipes africanas ajudou tunisianos a se recuperar

Depois da goleada por 5 a 1 sofrida para a Suécia, a Tunísia naufragou mais uma vez, desta vez por 4 a 0 diante do Japão, neste domingo, e já está eliminada da Copa do Mundo 2026 antes mesmo da última rodada. Nomeado técnico das Águias de Cartago na terça-feira para substituir Sabri Lamouchi, Hervé Renard não conseguiu mudar o panorama da equipe.

Muito barulho por nada… Durante toda a semana, os bastidores da seleção tunisiana dominaram as manchetes. A demissão relâmpago de Sabri Lamouchi após o vexame contra a Suécia e a chegada midiática de Hervé Renard haviam acendido a esperança de uma mudança radical de postura.

No fim, nada disso se confirmou. Já em desvantagem aos quatro minutos de jogo e nulas no ataque, as Águias de Cartago sofreram mais uma goleada diante dos Samurais Azuis e se despediram do torneio antes mesmo do último jogo contra a Holanda, na quinta-feira.

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As mesmas fragilidades de sempre

Se contra a Suécia a Tunísia desmoronou em sete minutos, desta vez foi ainda pior. Mal o cronômetro havia marcado um minuto e as Águias de Cartago já tremiam: Ayase Ueda caiu na área após contato com Ellyes Skhiri, dando um enorme susto com um possível pênalti que, para a sorte da Tunísia, não foi marcado.

O alívio durou pouco. Aos quatro minutos, após um erro na saída de bola de Aymen Dahmen, Keito Nakamura passou por Valéry antes de cruzar para Daichi Kamada, que abriu o placar mesmo cercado por quatro tunisianos na área. Em defesa dos jogadores, o empurrão sofrido por Wajdi Bronn no lance talvez pudesse ter sido assinalado pelo árbitro.

O segundo gol também nasceu de um erro na saída de bola, desta vez de Rekik. No terceiro, Montassar Talbi deu espaço demais para Ueda, que bateu um Dahmen hesitante no lance. A zaga ainda errou a linha de impedimento no terceiro gol, e o quarto foi consequência de uma bola perdida após falha de comunicação entre Skhiri e Ben Slimane.

Hannibal Mejbri, meio-campista da Tunísia, caído no gramado lesionado durante a partida entre Tunísia e Japão pelo Grupo F da Copa do Mundo FIFA 2026, no Estádio Monterrey, no México, em 20 de junho de 2026.
Hannibal Mejbri lesionado na Tunísia x Japão – Copa do Mundo 2026. (Foto: Heuler Andrey/IMAGO)

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As escolhas de Hervé Renard surtiram efeito?

Renard optou por um esquema 5-4-1, promovendo três mudanças em relação ao time de Lamouchi: Dahmen assumiu o gol no lugar de Chamakh, Wajdi Bronn entrou na zaga na vaga de Ben Hamida, e Oussama Tounekti, atuando como falso nove, foi o escolhido no lugar do volante Rani Khedira.

Titular na última Copa Africana de Nações, Dahmen até justificou a aposta do treinador num primeiro momento, fazendo uma grande defesa rasteira em cima da linha num chute de Ueda para evitar o segundo gol. Sua falha no segundo tento, no entanto, manchou a atuação. Bronn chegou a salvar a equipe com um corte providencial num cruzamento de Ueda, que já havia deixado Talbi para trás. Mesmo assim, Renard optou por sacá-lo no intervalo para recolocar Ben Hamida, cujo erro de posicionamento deixou Junya Ito livre para marcar o terceiro do Japão.

Os torcedores tunisianos estavam longe de imaginar, mas o chute ousado de Hannibal Mejbri pela esquerda, buscando o ângulo logo aos dois minutos, seria a melhor chance da equipe em toda a partida. Nem Oussama Tounekti, uma das grandes apostas de Renard, nem Elias Saad (que foi substituído no intervalo por Ismaël Gharbi) tiveram peso no jogo.

O futebol tunisiano foi lento, previsível e com poucas opções de passe para quem estava com a bola. A exemplo do cruzamento de Tounekti que passou entre as pernas de Mejbri no início do segundo tempo, as Águias de Cartago não tiveram a contundência necessária nas raras vezes em que pisaram na área adversária. A equipe terminou o jogo com apenas duas finalizações, nenhuma na direção do gol.

Como Renard reagiu?

O novo técnico sabia que estava assumindo uma “bucha”, mas provavelmente não esperava um pesadelo dessas proporções. Inicialmente tranquilo no banco, foi perdendo a paciência ao longo do jogo e cobrou os jogadores em diversas ocasiões, sem sucesso.

Em entrevista à beIN Sports após o apito final, o francês foi direto ao ponto: “Não podemos nos contentar com um placar desses. No primeiro tempo, não conseguimos jogar. Nos primeiros vinte minutos da segunda etapa, até fomos bem. Mas depois fomos muito passivos defensivamente e tomamos mais um gol.”

Publicamente, o bicampeão da Copa Africana preferiu não crucificar o elenco e apelou para o orgulho na última rodada: “O clima no vestiário está pesado, claro. Mas os jogadores tentaram, não jogaram a toalha. Caímos diante de uma equipe claramente superior. É preciso ser forte nesses momentos difíceis. Neste terceiro jogo, vamos precisar de brio para fazer a melhor apresentação possível.”

E agora?

Eliminada com uma rodada de antecedência, a Tunísia terá uma última oportunidade de se despedir do torneio com alguma dignidade na quinta-feira, contra a Holanda. Para Renard, o jogo é a chance de reabilitar parte da sua imagem e dar ao elenco uma despedida menos melancólica da Copa do Mundo de 2026.

Foto de Beneddra Naim

Beneddra NaimColaborador

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