Trump pode mudar sedes da Copa do Mundo? O que é verdade sobre as ameaças do presidente dos EUA
Próximo a presidente da Fifa, mandatário norte-americano sugeriu ter poder irrestrito para interferir no torneio
A Copa do Mundo 2026, a ser realizada nos Estados Unidos, Canadá e México entre junho e julho do próximo ano, está no centro de um nova polêmica devido às declarações do presidente Donald Trump, desta vez acerca das sedes dos jogos.
Questionado sobre a segurança de algumas cidades do país, Trump deu a entender que teria poder de decidir qual cidade receberia partidas do torneio ou não. Vale ressaltar que o presidente norte-americano vive uma intensa troca de acusações públicas com governadores do Partido Democrata, que é oposição a sua gestão.
“Como vocês provavelmente sabem, vamos para Memphis e para algumas outras cidades. Em breve, vamos para Chicago. Será seguro para a Copa do Mundo. Se eu achar que não é seguro, vamos para outra cidade, com certeza”, afirmou Trump neste mês. Apesar de ter sido citada pelo presidente, a cidade de Chicago não será sede do torneio.
Vale lembrar que o chefe de governo dos EUA é próximo de Gianni Infantino, mandatário da Fifa. No entanto, as coisas não seriam tão simples caso Trump realmente deseje tirar as ameaças do papel.
Por que não é tão fácil Trump mudar sedes de jogos da Copa do Mundo 2026?
O jornal “The Guardian” destacou quais poderes o presidente norte-americano tem e não tem quando se trata da Copa do Mundo. Há dois pontos a se considerar neste caso.
Para Copa, os acordos são firmados entre a Fifa e as cidades-sede, ou seja, o presidente de uma nação não tem poder para cancelá-los unilateralmente.
Contudo, Trump pode conseguir isso por meio de manobras políticas, como uma eventual suspensão de subsídio federal ao local e apelo mais fervoroso a Infantino. Isso conduz ao segundo ponto.
A Fifa pode, sim, optar pela transferência de sede. Os documentos incluem uma cláusula que determina que os governos municipais devem adotar medidas para aumentar a segurança pública, conforme afirmou o jornal.
— A Fifa poderia, em teoria, apontar essa cláusula como justificativa para revogar o status de cidades-sede da Copa do Mundo se sentir que os padrões de segurança estão defasados — escreveu o “Guardian”.
No entanto, a ideia é “improvável” devido à quantidade de implicações logísticas e de calendário que isso teria.
Além disso, Victor Montagliani, vice-presidente da Fifa, destacou que a palavra da entidade supera a de qualquer governo quando se trata de competições por ela administradas.
— É o torneio da Fifa, é a jurisdição da Fifa. A Fifa toma essas decisões — disse Montagliani.
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O que Trump afirmou em relação às sedes da Copa 2026?
A fala de Montagliani ocorreu após comentários de Trump. As 16 cidades-sede foram anunciadas em 2022 pela Fifa, e incluem Los Angeles, Baía de São Francisco, Houston, Dallas, Kansas City, Atlanta, Miami, Filadélfia, Nova York/Nova Jersey, Seattle e Boston nos EUA.
A cidade de Massachusetts foi alvo da declaração mais recente do governante acerca do tema. A região enfrentou, no começo de outubro, problemas com o que a mídia local chama de “tomada de controle nas ruas”. Multidão bloqueou o trânsito em uma avenida do município e atacou viaturas policiais, de acordo com a imprensa do país.
Trump foi questionado se preocupações com a segurança poderiam levar à revogação de Boston como anfitriã na Copa e, consequentemente, tirar o Gillette Stadium da lista de estádios do evento. “Poderíamos tirá-los”, disse o presidente ao falar com jornalistas na terça-feira (14).
Ele também criticou a prefeita Michelle Wu. “A prefeita deles não é boa. Ela é de esquerda radical, e eles estão tomando conta de partes de Boston”.
— Se alguém estiver fazendo um trabalho ruim e eu sentir que as condições são inseguras, eu ligaria para Gianni (Infantino), o chefe da Fifa, que é fenomenal, e diria: ‘Vamos mudar de local’. E ele faria isso. Não gostaria, mas faria.

Em setembro, Trump já havia comentado sobre os casos de Seattle (onde está o Lumen Field) e São Francisco (Levi’s Stadium), que tiveram manifestações e também serão sede do torneio. Um repórter perguntou se os protestos poderiam causar a saída das cidades do Mundial. “Acho que sim, mas vamos garantir que elas estejam seguras. São governadas por lunáticos de esquerda radical que não sabem o que estão fazendo”, criticou.
— Se acharmos que alguma cidade vai ser perigosa na Copa, não vamos permitir que ela participe. Vamos mudar de lugar.

Desde 2003, a Fifa alterou apenas uma vez a sede de um torneio de futebol profissional: a Copa do Mundo feminina daquele ano. A competição seria originalmente na China, mas o surto de síndrome da angústia respiratória aguda (SARA) no país fez com que os organizadores transferissem o Mundial para os EUA por questões de saúde.
A Copa do Mundo sub-20 de 2023 também teve mudança de local e passou da Indonésia para a Argentina por motivos políticos. O país asiático se opôs à participação de Israel na ocasião.



