Tim Vickery: ‘Esse é o grande problema de uma Copa do Mundo com 48 seleções’
No segundo episódio do programa "Futebol em Contexto", Tim Vickery e Allan Simon debateram presente e futuro do maior evento do futebol
As reflexões de Tim Vickery são sempre um convite ao pensamento crítico, e sua participação na segunda edição do programa “Futebol em Contexto”, no canal da Trivela no YouTube, não foi diferente.
Ao lado do jornalista Allan Simon, Vickery se debruçou no debate sobre a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções, equilibrando a necessidade histórica de inclusão com as preocupações técnicas e climáticas que cercam o novo formato.
O dilema da inclusão na Copa do Mundo
Vickery começou pontuando que a Copa do Mundo, em sua essência histórica, foi um duopólio entre América do Sul e Europa. Para que o torneio se tornasse verdadeiramente “do mundo”, a abertura para outros continentes tornou-se uma necessidade política e esportiva.
Segundo o colunista da Trivela, como nenhum dos grandes polos tradicionais aceita ceder suas vagas conquistadas, a única saída lógica foi a expansão: “Para incorporar o resto do mundo, tem que crescer. Tem que crescer, não tem como”.
O jornalista destacou um ponto crucial sobre o desenvolvimento do futebol africano. No formato de 32 seleções, a rotatividade era tão alta que as nações da África raramente conseguiam acumular a experiência necessária. “As seleções africanas não estavam acumulando aquela experiência de jogar três Copas consecutivas”, explicou, defendendo que a manutenção de países fora da “brincadeira” impede o amadurecimento técnico do restante do mundo.

Apesar de considerar a ampliação inevitável, Vickery admitiu que, em um cenário de “página em branco”, o modelo com 32 seleções ainda é o ideal do ponto de vista técnico e matemático. O grande temor para ele neste ano não é a queda de nível técnico por conta de seleções menores, mas sim o regulamento.
Com o aumento de times e a possibilidade de terceiros colocados avançarem, surge o fantasma do futebol reativo. “Com 48, é possível ganhar a Copa do Mundo sem ganhar um jogo”, alertou. Para ele, o formato pode estimular um futebol de pouco risco, onde equipes buscam o empate nos 90 minutos para decidir nos pênaltis, descaracterizando a agressividade que se espera.
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O clima: A ameaça silenciosa

A conversa no “Futebol em Contexto” também tocou em um ponto sensível: o desgaste físico e as mudanças climáticas. Vickery usou a final do Catar como exemplo positivo, argumentando que o alto nível daquela partida se deveu ao fato de ter sido disputada no meio da temporada europeia, com os atletas no auge físico.
Para as próximas edições (nos EUA, México e Canadá em 2026, e na tríade Espanha, Portugal e Marrocos em 2030) o calor de junho e julho preocupa. “Vai ser insustentável em muitos lugares ter Copa do Mundo em junho e julho. Quente demais é uma ameaça à saúde e à qualidade do jogo”, concluiu, chegando a sugerir que o torneio deveria ser repensado para o início do ano, visando preservar a integridade dos jogadores e o nível do espetáculo.
Neste episódio do Futebol em Contexto, Tim Vickery e Allan Simon também analisaram o contexto geopolítico que envolve os Estados Unidos e outros países participantes e as preocupações sobre o tratamento a estrangeiros e a experiência do torcedor.



