Copa do Mundo

Sonho da Copa 2030 vive e governos de Argentina e Uruguai trabalham na candidatura

Em 1930, a Copa do Mundo nascia em sua primeira versão. O Uruguai foi a sede do torneio, que acabou vencido pelo time da casa, então bicampeão olímpico – o torneio mais importante de futebol até então. Para comemorar o Centenário, já se fala em uma candidatura conjunta de Uruguai e Argentina – finalistas daquela primeira Copa – há algum tempo. Agora, o sonho começa a tomar forma: os dois governos se reuniram na casa rosada para oficializar a intenção de sediar o torneio e começar os trabalhos da candidatura.

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A reunião aconteceu nesta terça-feira, na Casa Rosada, sede do governo argentino em Buenos Aires. A reunião entre o presidente argentino, Mauricio Macri, e o uruguaio, Tabaré Vázquez. Além deles, outras autoridades estiveram no encontro: o secretário-geral da presidência argentina, Fernando de Andreis; o secretário de esportes argentino, Carlos Mac Allister e seu correspondente uruguaio, Fernando Cáceres; o ministro do turismo argentino, Gustavo Santos, e sua correspondente uruguaia, Liliam Kechichian; o coordenador geral de comunicação estratégica da secretaria de esportes, Fernando Martin; o diretor executivo da AFA, Gerardo León; e o presidente da AUF, Wilmar Valdez.

Com a reunião, os presidentes anunciaram oficialmente a intenção de organizar a Copa do Mundo de 2030 com a finalidade de “aprofundar ainda mais os laços de amizade que sempre  uniram os dois países”. A candidatura conjunta foi informada ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, e ao presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez. Infantino, que esteve na América do Sul em março de 2016, declarou, na época, apoio à candidatura.

O evento que Infantino esteve presente era da Iniciativa 2030, uma união de empresários argentinos e uruguaioos e dirigentes de futebol para fazer com que a candidatura se realize. “Queremos que o Mundial 2030 se concretize. Vamos colaborar para minimizar os riscos, evitar erros e que seja um êxito”, declarou o uruguaio Orlando Duvat, presidente de Zonamérica (uma zona franca do Uruguai, como a Zona Franca de Manaus no Brasil),ao jornal El País, do Uruguai. “É importante o apoio e colaboração da sociedade civil e empresarial”, afirmou ainda Alberto García Carmona, presidente da Iniciativa 2030 e vice-presidente do River Plate.

Segundo o Secretário Nacional de Esportes do Uruguai, Fernando Cáceres, a indefinição na situação da AFA foi o que atrasou a iniciativa. “A situação crítica que atravessava a AFA havia postergado as definições, mas na reunião que houve hoje [terça, 25] se espera ter uma ideia claro de como vamos transitar nestes anos”, afirmou Cáceres.

“Temos a decisão absoluta de levantar este tema à Fifa”, disse o secretário de esportes argentino Carlos Mac Allister ao jornal La Nación, depois da reunião que teve quase quatro horas. “A decisão é muito firme”, disse Gustavo León, secretário-geral da AFA. “E é óbvio que precisaremos de infraestrutura que hoje não temos. Não apenas estádios, mas estradas, aeroportos, hotéis e centros de treinamentos”, continuou o dirigente.

“É muito importante para dar o pontapé inicial que organizemos uma equipe que comece a trabalhar em como nos apresentarmos para sermos sede. Cada país designou um representante da secretaria, do ministério e da federação”, informou ainda Mac Allister.

Quando Mac Allister foi perguntado se Uruguai pediu que a final fosse em Montevidéu, o secretário brincou. “Poderíamos ceder-lhes que a final seja aqui com um resultado diferente e estamos contentes”, brincou o secretário. Naquela final de 1930, o Uruguai venceu a Argentina por 4 a 2 no estário Centenário, em Montevidéu, construído para aquela Copa.

“Queremos que os dois presidentes se encontrem em Montevidéu antes da partida das Eliminatórias”, insistiu Mac Allister. Apesar da empolgação com a candidatura, o secretário disse que é preciso ter pés no chão. “Vamos levar a candidatura à Fifa, mas temos que encarar muitas coisas, como as obras e financiamento, bem como envolver diferentes partes interessadas em ambos os países”, explicou o secretário.

A Copa do Mundo de 2030 ser na Argentina e Uruguai seria uma justa celebração do centenário do Mundial. É também uma oportunidade de vermos como será o processo de candidatura depois dos escândalos que elegeram Rússia e Catar como sedes de 2018 e 2022, respectivamente. O favorito para ficar como sede da Copa de 2016 é o trio Estados Unidos, Canadá e México e Argentina e Uruguai surgem como favoritas para 2030. Que a Copa 2014, no Brasil, tenha ensinado um pouco aos nossos vizinhos sobre o que não fazer em termos governamentais e de gastança público, mas tenha também inspirado em termos de organização e da alegria sul-americana do evento, que teve mais a ver com as pessoas do que com dirigentes e governantes.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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