Copa do Mundo

‘Tinha a sensação que os brasileiros seriam assim’: O que surpreendeu auxiliar de Ancelotti na Seleção

Paul Clement acompanhou italiano em diversos clubes e revela surpresa ao conhecer jogadores do Brasil

Carlo Ancelotti chegou ao comando da seleção brasileira há pouco mais de um ano, no dia 12 de maio de 2025. Com ele, trouxe uma comissão técnica internacional, que inclui como auxiliares seu filho, Davide — que chegou a treinar o Botafogo –, e o inglês Paul Clement.

Clement tem grande experiência ao lado de Ancelotti durante a carreira do italiano em clubes. A história da dupla começou no Chelsea, em 2009, onde o inglês era treinador da base. Foram 106 jogos juntos em dois anos, duas FA Cups e uma Premier League. Agora no Brasil, Clement vai para seu quinto trabalho diferente com Ancelotti.

Em entrevista ao jornal inglês “Sky Sports”, o auxiliar da Seleção revelou como foi a conversa com o italiano para assumir o projeto do Brasil para a Copa do Mundo e se mostrou surpreso com o comprometimento dos jogadores brasileiros.

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A convocação de Neymar e a surpresa com a dedicação dos brasileiros

Segundo Clement, a energia dos jogadores brasileiros ao serem chamados para a Seleção é notável. “É perceptível como eles amam estar aqui, e eles se dão muito bem mesmo jogando em partes diferentes do mundo”, disse.

Neymar também foi um assunto da conversa. Mesmo sem jogar na seleção brasileira desde 2023, Ancelotti e sua comissão optaram por chamar o camisa 10 e a opinião do auxiliar foi parecida com a do treinador na hora da convocação:

“O Brasil tem um histórico de jogadores lendários, e Neymar está lá no topo. Temos muitos líderes no elenco, como Alisson, Marquinhos e Danilo, e jovens também. Temos Igor Thiago que já é popular no grupo, absolutamente o tipo de jogador que pode nos ajudar. Temos Rayan, Endrick… muito talento, com certeza”.

Seleção brasileira perfilada antes de jogo contra o Egito
Seleção brasileira perfilada antes de jogo contra o Egito (Foto: Rebekah Wynkoop / Sports Press Photo / Imago)

A reunião de talento no grupo causou apreensão para o inglês, principalmente em como seria a relação com grandes estrelas. Mas Clement foi surpreendido positivamente.

“Há sempre uma apreensão quando você chega, de como será seu contato com certos jogadores, mas esse grupo é incrível. Na primeira vez que vim, fiquei impressionado com o profissionalismo e a intensidade. Tinha uma sensação de que os brasileiros seriam mais ‘extravagantes’ e ‘estilosos’, mas sua dedicação e intensidade nos treinos é impressionante. E quando você junta isso com o talento que eles têm, é uma ótima mistura”, disse.

Clement participará de sua primeira Copa do Mundo em sua estreia como auxiliar em uma seleção profissional — 26 anos depois de chegar ao time sub-21 da Irlanda, também para ser auxiliar. Depois de acompanhar Ancelotti por Chelsea, PSG, Real Madrid e Bayern de Munique, pode ser o primeiro inglês na delegação brasileira a comemorar um título mundial.

O timing perfeito de Ancelotti com a seleção brasileira

Depois de conquistar a Champions League com o Real Madrid em 2022/24, Carlo Ancelotti se tornou um nome forte entre os interesses da CBF. Depois de longos contatos e uma promessa de encerrar a temporada 2024/25 antes de fechar, o italiano assumiu a Seleção. Para Clement, o timing foi perfeito.

“Existia a possibilidade dos dois se juntarem um pouco antes, mas acho que as estrelas se alinharam no momento certo para Carlo deixar o Real Madrid. Muitas vezes, o que acontece no futebol é por conta do timing”, relembra o inglês.

Clement e Ancelotti no Real Madrid, em 2013
Clement e Ancelotti no Real Madrid, em 2013 (Foto: Imago/Newscom World)

Durante a entrevista, o auxiliar explicou como funciona o trabalho da comissão técnica: basicamente, observar jogadores e escolher aqueles que estão em melhor forma:

“Acho que assisti cerca de 150 jogos nessa temporada, fui a 60 deles in loco. Assisti bons jogos, outros muito ruins, mas é uma parte boa do trabalho. É diferente do que eu estava acostumado a fazer”.

O auxiliar também recebeu a emissora inglês durante os treinos antes da vitória contra Senegal, na Data Fifa de novembro. Ele explicou como funciona o trabalho em campo: foco em tática, situações de 11 contra 11 e, no fim, momentos de competição “que os jogadores adoram”. E reforçou como é um trabalho diferente do dia a dia em clubes — pouco tempo e foco maior na relação entre jogadores.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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