Entre aplausos, gritos por Neymar e vaias pontuais, Maracanã abraça Seleção antes da Copa
Torcida brasileira lota Maracanã e vê Canarinho golear o Panamá por 6 a 2 em penúltimo amistoso antes do Mundial
O resultado final mostrou uma vitória tranquila por 6 a 2 sobre o Panamá — e de fato foi. Mas o último compromisso da seleção brasileira em solo nacional antes da Copa do Mundo também reservou doses de tensão no Maracanã. Diante de mais de 72 mil torcedores, o estádio alternou momentos de festa, preocupação e cobrança antes de terminar a noite embalado por aplausos e esperança para o Mundial nos Estados Unidos.
A movimentação ao redor do Maracanã já indicava que não se tratava de um amistoso qualquer. Desde o início da tarde, bares, calçadas e praças próximas ao estádio foram ocupados por torcedores vestidos de verde e amarelo. Grupos de amigos se reuniam para o tradicional esquenta, entre cervejas geladas, churrasquinhos e discussões sobre a equipe de Carlo Ancelotti. O clima lembrava mais uma véspera de Copa do Mundo do que uma simples partida preparatória.
O peso simbólico da noite ajudava a explicar a mobilização. O duelo contra o Panamá marcou a despedida oficial da Seleção antes do embarque para os Estados Unidos e também entrou para a história como o 120º jogo do Brasil no Maracanã, palco que acompanha alguns dos momentos mais marcantes da trajetória da Canarinho.
Antes da bola rolar, a apresentação de Ivete Sangalo contribuiu para transformar o estádio em uma grande celebração. O público respondeu em coro aos sucessos da cantora e criou um ambiente festivo que se estendeu para a entrada dos jogadores. Pouco depois, durante o Hino Nacional, o Maraca protagonizou uma das cenas mais tradicionais do futebol brasileiro, assumindo os versos finais a capela em um coro que ecoou por todo o estádio.
Vinícius Junior incendeia torcida, mas empate muda o ambiente
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Fvinicius-junior-gol-selecao-brasileira-scaled.jpg)
A atmosfera positiva ganhou ainda mais força quando Vinícius Junior abriu o placar logo nos primeiros minutos. O gol fez o Maracanã explodir e parecia confirmar a expectativa de uma noite confortável para a Seleção. A arquibancada respondeu com entusiasmo, empurrando o time e transformando cada ataque brasileiro em motivo para festa.
Mas a tranquilidade durou menos do que o esperado.
O empate panamenho trouxe um desconforto imediato para o estádio. Se até então predominavam cantos e aplausos, o gol adversário introduziu uma dose de ansiedade que mudou o comportamento das arquibancadas. Os erros brasileiros passaram a ser observados com mais atenção, e alguns jogadores começaram a ouvir reclamações mais claras vindas de determinados setores.
Alisson e Léo Pereira foram os principais alvos das vaias, embora elas tenham partido de uma parcela minoritária dos presentes. Ainda assim, o episódio evidenciou que, apesar do ambiente amplamente favorável, a torcida não estava disposta a ignorar atuações abaixo do esperado em um momento tão próximo da Copa.
Os murmúrios também apareciam a cada passe errado ou decisão equivocada. Por alguns minutos, o Maracanã reviveu a relação de cobrança que frequentemente marca os jogos da Seleção em território brasileiro.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Goleada da Seleção devolve confiança às arquibancadas
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Flucas-paqueta-gol-selecao-brasileira-scaled.jpg)
A apreensão desapareceu assim que o Brasil voltou a ficar em vantagem. O segundo gol, marcado por Casemiro, recolocou a torcida ao lado da equipe. Os cânticos retornaram e o ambiente recuperou a energia dos primeiros minutos da partida.
Com o terceiro e quarto tentos, anotados por Rayan, Lucas Paquetá, respectivamente, a sensação de controle tomou conta das arquibancadas. O que havia sido uma noite de emoções oscilantes transformou-se novamente em festa. Danilo Santos e Igor Thiago fecharam a goleada.
A reação do Maracanã ao longo da partida mostrou uma torcida dividida entre a empolgação e a exigência. Houve espaço para cobranças, para momentos de nervosismo e para algumas vaias pontuais, mas o sentimento predominante ao apito final foi de confiança.
Não por acaso, muitos torcedores permaneceram nas arquibancadas após o encerramento da partida. Entre aplausos, fotos e gritos de incentivo, a despedida da Seleção em solo brasileiro terminou em clima de celebração.
O caminho até a Copa ainda reserva desafios maiores do que o Panamá, mas o Brasil deixou o Maracanã com uma vitória e, principalmente, com a sensação de que a torcida segue acreditando que o hexacampeonato pode finalmente sair do papel.
Neymar vira personagem mesmo sem entrar em campo
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Fneymar-hino-brasil-scaled.jpg)
Mesmo fora da lista de relacionados, Neymar foi um dos personagens da noite. O atacante do Santos, que se recupera de uma lesão na panturrilha e ainda é dúvida para a estreia da Seleção na Copa do Mundo, teve seu nome cantado diversas vezes pelos mais de 70 mil torcedores presentes no Maracanã.
Os primeiros gritos surgiram ainda antes da bola rolar. Quando apareceu no gramado ao lado da delegação brasileira, o camisa 10 acenou para as arquibancadas e recebeu uma das maiores demonstrações de carinho da noite. O reconhecimento se repetiria ao longo da partida.
A reação do público evidenciou a expectativa em torno da recuperação do atacante. Embora a equipe de Carlo Ancelotti tenha chegado à reta final da preparação com outras referências técnicas em campo, Neymar segue sendo visto por boa parte da torcida como uma das peças centrais das ambições brasileiras para o Mundial.
Em uma noite marcada pela despedida da Seleção em solo brasileiro, a moral do camisa 10 perante às arquibancadas serviu como lembrete de uma das principais perguntas que acompanham o Brasil antes do embarque para os Estados Unidos: haverá tempo para Neymar chegar à Copa em plenas condições?