Copa do Mundo

Resultado à parte, precisamos aplaudir a Copa do Mundo de Thiago Silva e Miranda

A Copa do Mundo do Brasil terminou precocemente com derrota para a Bélgica, nas quartas de final. Os motivos para a eliminação de um dos favoritos serão devidamente explorados, mas nenhum deles passa pela defesa. Thiago Silva e Miranda fizeram um torneio irrepreensível, digno de aplausos e, mesmo na partida fatídica desta sexta-feira, conseguiram conter os avanços europeus e manter a Seleção viva até o fim da partida.

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Como o momento é muito mais propício para apontar os erros de Tite, também vale destacar um grande acerto. Não sabemos o que Marquinhos faria na Rússia, mas dificilmente seria melhor do que Thiago Silva. Recuperado dos baques da Copa de 2014, o zagueiro praticamente não cometeu erros e fez uma dupla de zaga sólida com Miranda. A confiança de Tite em seus defensores foi tão grande que, apesar do discurso de rodízio, os capitães, na prática, foram os dois zagueiros. Nas cinco partidas, a braçadeira ficou no braço de cada um deles duas vezes – Marcelo teve a honra na estreia.

Thiago Silva foi um dos melhores jogadores da primeira fase. Muito sólido nos dois primeiros jogos e monumental no terceiro, contra a Sérvia, com direito a marcar o gol que aliviou a vida do Brasil e garantiu a vaga nas oitavas de final. Miranda foi o pivô do gol da Suíça, na primeira rodada, mas aquela foi uma falha mais coletiva do que individual – já que Steven Zuber caminhou pela grande área sul-americana sem ser incomodado por ninguém.

Mas  ele se recuperou. E talvez tenha sido o melhor brasileiro em campo contra a Bélgica por causa do desafio que lhe foi reservado. Depois do show de Lukaku no primeiro tempo, deslocando-se pelos dois lados, puxando contra-ataques, fez uma marcação quase individual no atacante do Manchester United na segunda etapa. O zagueiro da Internazionale estava sempre próximo para se antecipar. Conseguiu conter as arrancadas do adversário. Minimizou o perigo o máximo que pode.

A proteção da seleção brasileira foi tão eficiente que o goleiro Alisson despediu-se da Copa do Mundo sem ter feito uma grande defesa, aquela intervenção cirúrgica e crucial. Teve mais trabalhando saindo do gol para interceptar cruzamentos do que parando chutes porque poucos chutes chegaram a ele. Em cinco partidas, o arqueiro da Roma fez cinco defesas, apenas o 27º goleiro que mais trabalhou no torneio, em um total de 40.

Nenhum dos três gols que o Brasil sofreu na Copa pode ser colocado na conta de uma falha individual da dupla de zaga. O primeiro, de Zuber, foi um problema coletivo. O primeiro da Bélgica foi contra, uma fatalidade. No segundo, os dois estavam na área adversária para um escanteio ofensivo. Não era responsabilidade deles parar o contra-ataque.

Ambos têm 33 anos e dificilmente jogarão mais uma Copa do Mundo. O legado que fica para a próxima geração, provavelmente liderada por Marquinhos, 24, é o exemplo: basta jogar como Miranda e Thiago Silva fizeram na Rússia, e o Brasil terá uma defesa fantástica para os Mundiais do futuro.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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