Copa do Mundo

Raphinha: ‘O carinho do torcedor brasileiro e do torcedor europeu comigo é diferente’

Camisa 11 chega como referência técnica, mas com menos 'popularidade' do que outros destaques ofensivos do Brasil na Copa do Mundo

Do quarteto ofensivo titular da seleção brasileira na Copa do Mundo, Raphinha é a principal referência técnica, ao lado de Vinicius Júnior. Ao mesmo tempo, na Copa do Mundo, o atacante do Barcelona talvez seja o nome menos popular entre o torcedor. E ele mesmo tem ciência de que não tem agradado a maior parte do brasileiros antes da Copa do Mundo.

Em comparação com Vini Jr., Lucas Paquetá, Luiz Henrique e até Matheus Cunha, centroavante que conquistou o ouro olímpico para o Brasil em Tóquio-2020, Raphinha fica atrás na popularidade. Ele disputou a Copa do Mundo de 2022, mas não conseguiu se destacar no ataque comandado pelo técnico Tite e passou a Copa do Mundo sem marcar.

Essa impopularidade de Raphinha também se deve ao sucesso, em um curto espaço de tempo, que alcançou na Europa. Natural de Porto Alegre, não chegou a atuar profissionalmente pelo Avaí, clube que o rolou, antes de rumar ao Vitória de Guimarães, de Portugal. Cresceu como jogador ao longo das passagens por Sporting, Rennes e Leeds United, antes de chegar ao Barcelona.

— Para ser sincero, sinto que realmente é diferente o carinho do torcedor brasileiro em comparação com o pessoal de fora (Europa) que me acompanha diariamente. Acredito que, se tenho de me provar para alguém, é para mim, para meus pais, meus filhos e minha mulher — afirmou Raphinha, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (10), no hotel The Ridge, em Nova Jersey.

Ida à Europa jovem ‘atrapalhou’ popularidade de Raphinha na seleção brasileira

Às vésperas da estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo diante de Marrocos neste sábado (13), às 19h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, Raphinha mostrou uma personalidade bem humorada. O atacante brincou com repórteres, riu quando questionado nos tapas em Carlo Ancelotti pelo aniversário de 67 anos do treinador e reconheceu que ainda pode evoluir pela seleção brasileira.

Por ter deixado o Brasil ainda jovem, Raphinha era um nome ainda “desconhecido” do imaginário popular antes da última Copa do Mundo. Agora, quatro anos depois de sua primeira Copa do Mundo, ele chega com a responsabilidade de assumir o protagonismo com a camisa 11 da seleção brasileira.

Raphinha chega como referência ofensiva do Brasil nesta Copa do Mundo
Raphinha chega como referência ofensiva do Brasil nesta Copa do Mundo (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

— Entendo que tem que goste e quem não goste do meu futebol. Vai ter dias que não vou entregar, mas sempre busco dar o meu melhor. É algo natural. Saí muito jovem do Brasil, então é normal que a galera desconfie. Está tudo bem — afirmou o atacante.

No ciclo com Ancelotti, Raphinha sofreu com lesões e ficou fora da maioria dos amistosos desde a chegada do treinador, em maio de 2025. Mesmo assim, nunca perdeu a titularidade: sempre que disponível, surge como plano A do Brasil no setor ofensivo.

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Diferenças da versão de Raphinha pelo Barcelona e pela seleção

Raphinha chega à esta Copa do Mundo depois de ser um dos postulantes à Bola de Ouro nas duas últimas temporadas. As lesões que sofreu em 2025/26 o afastaram da premiação, mas terminou 2024/25 entre os favoritos, atrás de Lamine Yamal e Ousmane Dembélé.

Sua versão na seleção brasileira ainda não se aproximou daquela do futebol espanhol. Pelo Barcelona, desde sua chegada, soma 75 gols em 177 partidas. Pela seleção brasileira, são 11 gols e oito assistências em 39 jogos — mas disputou apenas seis dos 12 jogos com Ancelotti.

— Se a gente é cobrado pelo que fazemos no clube, podemos fazer pela seleção também. Não tenho problema de falar que podemos melhorar, que podemos chegar próximo àquilo que fazemos nos clubes. Estamos trabalhando para fazer isso — reconheceu o atacante.

Na seleção brasileira, ainda não há uma definição da posição que Raphinha irá ocupar no quarteto ofensivo. Na vitória do Brasil frente ao Egito, iniciou do lado esquerdo, mas terminou o primeiro e o início do segundo tempo na ponta-direita. “Aí é o Mister que irá decidir”, brincou o atacante.

Calendário de jogos da seleção brasileira

  • 13/6 – Brasil x Marrocos (Copa do Mundo)
  • 19/6 – Brasil x Haiti (Copa do Mundo)
  • 24/6 – Escócia x Brasil (Copa do Mundo)
Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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