Quando o jogo mais apertou, Bruno Fernandes apareceu e resolveu como o ótimo garçom que é
O meia do Manchester United deu assistências para os gols de João Félix e Rafael Leão
Portugal teve uma estreia irregular. Durante a maior parte do jogo, parecia que caminhávamos para mais um 0 a 0. Cristiano Ronaldo, com um pênalti mandrake, abriu o placar, mas Gana não demorou para empatar. Quando a situação mais apertou, porém, apareceu Bruno Fernandes. Ele estava em uma tarde apagada, mas sacou duas assistências da cartola, para os gols de João Félix e Rafael Leão, e ajudou a garantir a vitória por 3 a 2 desta quinta-feira.
Enquanto estiver na seleção portuguesa, por pior que seja sua fase em clubes, Cristiano Ronaldo será a referência técnica, para não dizer craque, e o principal líder. Fernandes rivaliza com Bernardo Silva pelo segundo lugar. Até pela sua personalidade e inteligência, tem tudo para ser um futuro capitão, mas ainda não tem um histórico muito grande de brilho pela seleção portuguesa.
O meia que explodiu pelo Sporting chegou ao Manchester United em janeiro de 2020 e causou impacto imediato. Impulsionou o time de Ole Gunnar Solskjaer a uma vaga na Champions League. Na temporada seguinte, a sua primeira completa, fez 28 gols e deu 17 assistências. Caiu um pouco de rendimento, nos últimos 18 meses, como todo o United, preso entre a demissão de Solskjaer, o desastre de Ralf Rangnick, o começo de trabalho de Erik ten Hag e os dramas com Cristiano Ronaldo.
Mesmo sem tanta regularidade, a qualidade de Bruno Fernandes ainda impressiona. Ele se movimenta buscando espaços vazios no campo de ataque para receber a bola com tempo para pensar. Quando isso acontece, o risco é alto porque ele tem muita inteligência e visão de jogo. E para completar, consegue fazer com que os pés obedeçam o cérebro e coloca a bola onde quiser.
Não fez um bom primeiro tempo, e a escalação de Fernando Santos não o ajudou. Com a ideia de lotar o meio-campo, começou com quatro meias e João Félix, um meia-atacante, junto com Cristiano Ronaldo. Rúben Neves foi o primeiro volante, com Otávio pela esquerda, menos preso que Bruno Fernandes, pela direita. Bernardo Silva recuou bastante para fazer a saída de bola e, quando atacou, ocupou mais o lado esquerdo. Félix também se movimentou mais por ali, e Fernandes teve dificuldade para participar do jogo.
Ganhou mais liberdade no começo do segundo tempo, quando William Carvalho entrou no lugar de Otávio, embora suas duas assistências tenham saído em contra-ataques. Na primeira, recebeu no círculo central e nem dominou antes de soltar o passe rasteiro que pegou Baba Rahman no contrapé e deixou João Félix na cara do goleiro. Depois, Félix desarmou na intermediária defensiva, Ronaldo ajeitou, e Fernandes partiu do meio-campo. Carregou à entrada da área e soltou na medida para Leão bater colocado.
Não foi seu melhor jogo. Mas Bruno Fernandes foi decisivo. Isso também ilustra bem os problemas do time de Fernando Santos. Coletivamente, deixou a desejar, sem conseguir criar muitas chances quando esteve no domínio da posse de bola. Quando os espaços apareceram, brilhou a qualidade individual dos portugueses, e poucos deles, quase nenhum, tem mais do que o meia do Manchester United.



