Copa do Mundo

A preparação acabou e a Copa começou: Brasil teve problemas e precisa lidar com eles

A preparação do Brasil foi quase perfeita. Mas, agora, a Copa do Mundo começou. E, quando ela começa, é necessário colocar em prática tudo que foi planejado. E o time de Tite não conseguiu fazer isso. A defesa foi sólida, mas teve uma falha crucial que permitiu o gol de empate da Suíça. O ataque produziu o lindo gol de Coutinho, que abriu o placar para os pentacampeões, mas não conseguiu ir além disso, com exceção do abafa desesperado dos minutos finais. Nem quando teve a bola, nem quando teve espaço. Não controlou o jogo, nem com a entrada de Renato Augusto, nem pressionou os jogadores da Suíça para recuperar a bola com muita intensidade. Ao levar o gol de empate, reagiu mal, se desorganizou, se apressou. 

Estava tudo maravilhoso e agora está tudo errado? Claro que não. Mas o empate por 1 a 1 contra a Suíça foi um choque de realidade. O Brasil chegou à Rússia praticamente sem problemas, mas ninguém consegue passar o mês inteiro em ritmo de passeio. O primeiro entrave chegou rapidinho. A chave para o sucesso ou não é como lidar com ele.  

Defesa fechada? Chama o Coutinho

O Brasil esperava dificuldades para furar a defesa da Suíça que, se não é um ferrolho defensivo como já foi no passado, não atuaria exposta para os contra-ataques brasileiros de jeito nenhum. E isso era uma preocupação porque o time de Tite havia demonstrado dificuldades nessa missão em partidas preparatórias, principalmente quando enfrentou os reservas da Inglaterra. Mas um dos brasileiros em campo tem um recurso especial para esse tipo de situação, e não estou falando da capacidade de drible de Neymar. Aos 19 minutos, Coutinho pegou a sobra na entrada da área e armou a perna direita, como tantas vezes fez no Liverpool e algumas no Barcelona. Soltou o chute com curva no ângulo de Yann Sommer. A bola ainda pegou na trave para transformar o lance em obra de arte. 

Papéis invertidos

Com vantagem no placar ainda muito cedo, a partida ficou perfeita para o Brasil, que não tinha mais responsabilidade de atacar e poderia aproveitar os contra-ataques com Coutinho, Willian, Neymar e Gabriel Jesus, jogadores muito rápidos. No entanto, não conseguiu armar nenhuma boa transição ofensiva. Na única, Jesus tomou a decisão errada ao tentar driblar para a esquerda e foi desarmado. Além do gol, as melhores chances no primeiro tempo saíram da bola parada: uma cabeçada de Jesus, que ele preferiu direcionar para a segunda trave ao invés de mandar para o gol, e outra de Thiago Silva. Por outro lado, a defesa foi muito sólida. A Suíça conseguiu apenas duas finalizações, ambas para fora. 

Gol da Suiça, tudo muda

Foi só elogiar. O que parecia um cenário tranquilo para o Brasil modificou-se totalmente, aos quatro minutos do segundo tempo. Zuber subiu sozinho, apenas entre reclamações de que teria empurrado Miranda, para cabecear às redes de Alisson. Tite não demorou para tirar Casemiro, que estava com cartão amarelo e provavelmente ficaria no mano a mano nos contra-ataques, e colocar Fernandinho. Também trocou Paulinho por Renato Augusto para tentar recuperar um pouco de controle no meio-campo. Aos 34 da etapa final, tirou Jesus e colocou Roberto Firmino. E as alterações é mais ou menos tudo o que tem para relatar mesmo porque o Brasil não criou oportunidades de gol para vencer. 

Problemas

Com exceção do gol de Coutinho, um lindo chute de fora da área, o Brasil foi muito mal no setor ofensivo. As peças, individualmente, não estiveram bem. Coutinho teve uma outra oportunidade dentro da área, mas chutou para fora. Jesus só acordou quando Firmino já estava prestes a entrar. Willian mal foi visto. E Neymar, como sempre acontece em momentos complicados, prendeu demais a bola, matou algumas jogadas e não ameaçou muito, com exceção de um chute na rede pelo lado de fora e uma cabeçada já no final. As chances mais claras de fazer 2 a 1 vieram com Firmino. Uma batida cruzada da direita e uma cabeçada para boa defesa de Sommer, em cobrança de falta. Nos acréscimos. Miranda pegou a sobra na entrada da área e mandou perto da trave. Também houve um corte em cima da linha, em chute de Renato Augusto, depois de outra bola parada. 

O Brasil só conseguiu passar a impressão de que poderia ganhar o jogo nos minutos finais. Mas muito mais no abafa do que na organização. A arbitragem virará pauta inevitável pelos dois lances capitais – além do gol da Suíça, um pênalti reivindicado em Jesus -, ambos muito interpretativos. Mas não pode apagar os problemas que o time apresentou dentro de campo na criação ofensiva. Não conseguiu organizadamente atacar nem quando tomava a iniciativa, nem quando tinha espaço para contra-atacar. 

Outro problema: a questão mental. O empate foi uma das únicas situações adversas enfrentadas desde a chegada de Tite. E, depois do gol suíço, deu para notar ansiedade e nervosismo nos jogadores em certos momentos. E, em outros, certo distanciamento da partida, sem pressionar os adversários para recuperar a bola como deveria fazer. A equipe brasileira continua uma das favoritas ao título. Mas apresentou falhas. E cabe a Tite corrigi-las. 

Ficha técnica

Brasil 1 x 1 Suíça

Estádio: Arena Rostov, em Rostov-On-Don (RUS)
Árbitro: César Ramos (México)
Gols: Coutinho (BRA); Zuber (SUI)
Cartões amarelos: Casemiro (BRA); Lichtsteiner, Schär, Behrami (SUI)

Brasil: Alisson; Danilo, Miranda, Thiago Silva e Marcelo; Casemiro (Fernandinho), Paulinho (Renato Augusto) e Coutinho; Willian, Neymar e Gabriel Jesus. Técnico: Tite

Suíça: Sommer; Lichtsteinen (Michael Lang), Manuel Akanji, Schär e Ricardo Rodríguez; Valon Behrami (Denis Zakaria), Granit Xhaka, Xherdan Shaqiri, Blerim Dzeimaili e Steven Zuber; Haris Seferovic (Breel Embolo). Técnico: Vladimir Petkovic

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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