Para aceitar Copa-2022 em novembro, clubes pressionam por torneio mais curto
A Copa do Mundo de 2022 deve mesmo ser a primeira a ser disputada fora do seu período clássico, em junho e julho. Segundo informações divulgadas nos últimos dias pelas agências internacionais, a força-tarefa que estuda as questões relativas ao Mundial do Catar irá propor que o torneio seja realizado em novembro e dezembro, mas haverá um custo: será preciso encurtar a duração, em dias, por exigência das ligas e clubes. Este é o custo que a Copa do Catar deve ter.
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“É quase certo que será em novembro/dezembro, mas o custo será uma diminuição na duração da Copa do Mundo e o período de preparação antes disso”, disse um representante da força-tarefa à Press Association Sport, uma agência de notícias especializada em esporte do Reino Unido. “As ligas têm sido contundentes em afirmar que são necessárias apenas duas semanas de preparação ao invés das tradicionais três ou quatro e que o torneio não pode ser tão longo quanto os 32 dias que durou no Brasil”, disse ainda o representante.
“Os jogadores dos clubes do hemisfério norte – que são a maioria – estão mais descansados que o normal e a logística para o Catar significa que serão menos de duras horas para os estádios, então não serão necessários dias de viagem para os times. Por exemplo, não serão necessários cinco dias entre a semifinal e a final – 72 horas serão suficientes”.
Os clubes e as ligas europeias já se mostraram insatisfeitos com a situação porque veriam seus principais jogadores saírem para a Copa do Mundo no meio da temporada, sem falar nos muitos ajustes que o calendário precisará. Há também a questão do Mundial de Clubes, normalmente disputado em dezembro, que provavelmente teria que ser adiado para janeiro. Isso sem falar na Copa Africana de Nações de 2023, programada também para janeiro, que teria que ser adiada.
A Premier League já divulgou comunicado falando sobre a mudança de datas e mostrando insatisfação: “A Copa do Mundo da Fifa de 2022 foi proposta e vencida pelo Catar como um torneio para o verão [no hemisfério norte]. A perspectiva de uma Copa do Mundo no inverno não é nem viável nem desejável para o futebol doméstico europeu”.
O presidente da Associação Asiática de Futebol (AFC), xeique Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, disse que há duas opções: janeiro/fevereiro ou novembro/dezembro e será preciso escolher uma delas, mas que escolher pelo início do ano significa colidar com as Olimpíadas de Inverno, o que é problemático.
“Não queremos que colida com a Olimpíada neste período”, afirmou o dirigente. “As partes interessadas estão preocupadas em jogar no verão, então nós temos que mudar para o inverno. É janeiro ou novembro. Será preciso fazer uma escolha”, continuou o membro da família real do Bahrein. “Mas eu acho que todo mundo concorda que janeiro ou fevereiro é difícil de jogar por razões que já mencionei, então resta novembro/dezembro. É como eu vejo esta questão. Se alguém me iluminar e dizer que há outro período, então eu sou todo ouvidos para o que eles têm a me dizer”, declarou o presidente da AFC.
Para muitos, a decisão da Copa do Mundo no inverno já “está fechada”, mas a questão é mais complicada que isso. A força-tarefa pode recomendar a mudança da data da Copa para novembro/dezembro e a Fifa certamente apoiará essa ideia. O problema é que a aprovação só pode ser dada pelo Comitê Executivo e é ali que essa decisão precisa passar. E a cúpula da Fifa apoiar não significa que isso vá ser aprovado pelo Comitê Executivo. Basta lembrar que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, nunca foi a favor da Copa no Catar, mas mesmo assim o país foi vencedor no Comitê Executivo (com todas as desconfianças que se levantaram e nunca se provaram, ou não fizeram força para provar, sobre corrupção no processo).
A Fifa já sabe o custo que a Copa do Mundo do Catar terá, se for mesmo realizada por lá: primeiro, os direitos de TV da Copa de 2026 nos Estados Unidos, um dos grandes mercados do mundo, foram para a Fox por um valor menor do que poderiam; os clubes e ligas ficarão enfurecidos em terem suas temporadas interrompidas no meio; e, por fim, o torneio terá que durar menos dias – o que significa, no fim, menos exposição aos patrocinadores do torneio também, além de um desgaste maior dos jogadores com o intervalo de dias menor entre os jogos. Este é o custo de uma Copa do Mundo no Oriente Médio. Um custo que o presidente da AFC parece disposto a pagar. Resta saber se o Comitê Executivo irá achar o mesmo.



