Copa do Mundo

O Irã dá continuidade a um grande trabalho e, de novo com sobras, já se garante na Copa de 2022

Com protagonistas mais experientes e uma defesa ainda muito forte, o Irã se tornou a primeira seleção da Ásia classificada via Eliminatórias

O Irã atravessou um ciclo imponente rumo à Copa do Mundo de 2018, em que se garantiu no Mundial como a melhor equipe do qualificatório asiático, e, apesar da eliminação na fase de grupos, fez um bom papel na Rússia. Pois a força dos persas se repete rumo ao Catar e o time é o primeiro representante asiático a se classificar via Eliminatórias. A saída de Carlos Queiroz não impactou tanto na competitividade do Time Melli, especialmente após a chegada de Dragan Skocic, que sucedeu um período mais instável sob as ordens de Marc Wilmots. O Irã nada de braçada no Grupo A da fase decisiva da AFC e, nesta quinta-feira, assegurou sua vaga com três rodadas de antecedência, ao conquistar uma vitória simples sobre o Iraque por 1 a 0.

O Irã não ganhou tantos protagonistas assim em relação ao time que disputou a Copa do Mundo de 2018, mas dá para dizer que sua geração amadureceu. Nomes importantes da equipe ganharam mais rodagem nas grandes competições europeias. Os melhores exemplos estão no ataque. Enquanto Mehdi Taremi tem sua dose de destaque no Porto, Sardar Azmoun passou a emendar títulos com o Zenit. Outros mais rodados também fazem seus nomes em clubes europeus – a exemplo de Alireza Jahanbakhsh e Saman Ghoddos.

A base principal do Irã pouco mudou em relação a 2018, especialmente do meio para frente. Jogadores como o ponta Ali Gholizadeh, do Charleroi, são uma rara novidade entre os titulares. As mudanças pontuais aconteceram especialmente no sistema defensivo, onde se firmam novas opções como o zagueiro Hossein Kanaani, o lateral Sadegh Moharrami e o goleiro Amir Abedzadeh. Não são atletas necessariamente jovens, mas aproveitam o momento para ganhar sequência nas Eliminatórias. E a capacidade de marcação, afinal, não se perdeu na atual campanha nas Eliminatórias.

O Irã não é o time que parecia intransponível com Carlos Queiroz, mas mantém uma grande segurança defensiva. Isso se notou desde o início da classificação, embora a campanha na segunda fase não tenha sido tão boa, com derrotas para Bahrein e Iraque – que culminaram na demissão de Marc Wilmots em dezembro de 2019. Referendado por bons trabalhos em diversos clubes do próprio Campeonato Iraniano, o croata Dragan Skocic assumiu o comando em 2020 e recobrou as bases que garantiam o sucesso dos iranianos.

Com Skocic, o Irã terminou de garantir sua vaga na terceira fase das Eliminatórias. E, quando o momento decisivo chegou, os persas dão uma lição de competitividade no Grupo A do qualificatório – ao lado de Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Síria e Líbano. São seis vitórias e um empate em sete rodadas, com 12 gols marcados e apenas dois sofridos. Somente a Coreia do Sul, em Teerã, foi capaz de arrancar um ponto do Time Melli, com o empate por 1 a 1. De resto, apenas triunfos, muitas vezes impulsionados pelo bom papel de Taremi e Azmoun na frente.

É bem verdade que o excesso de empates entre os demais concorrentes do Grupo A antecipou o serviço do Irã. Mas não que tenha faltado competência, diante do ótimo aproveitamento dos persas. Nesta quinta, a missão foi cumprida com uma vitória simples por 1 a 0 no clássico contra o Iraque no Estádio Azadi. Taremi marcou o gol da vitória, aos três minutos do segundo tempo, num contra-ataque. Ao ser lançado, o centroavante aproveitou o vacilo da marcação para disparar sozinho e definir diante do goleiro iraquiano. Um gol que confirmou o retorno dos iranianos ao Mundial.

Uma boa campanha na Copa do Mundo dependerá do sorteio, e o chaveamento de 2018 foi um pouco cruel com o Irã, ao entrar no mesmo grupo de Espanha e Portugal. Ainda assim, mais talhado depois do que viveu na Rússia e também na caminhada até as semifinais da Copa da Ásia de 2019, esse time ainda parece capaz de se destacar no Catar. Além do mais, os iranianos ampliam sua história como uma potência mundialista na AFC. A seleção vai para a sua sexta Copa, a quinta nas últimas sete edições e a terceira consecutiva. Há uma clara continuidade, e isso aumenta a confiança do Time Melli para o final de 2022.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo