Copa do Mundo

O estádio da final da Copa recebeu seu primeiro grande evento, com 77 mil para ver Al-Hilal x Zamalek

O Estádio Icônico de Lusail funcionou em capacidade máxima numa partida amistosa entre o campeão saudita e o campeão egípcio

Principal palco da Copa do Mundo, o Estádio Icônico de Lusail recebeu sua primeira partida internacional nesta sexta-feira. A praça esportiva com capacidade para 80 mil espectadores abrigará dez partidas do Mundial, incluindo a decisão. A arena já tinha sido inaugurada num duelo do Campeonato Catariano, mas nada comparado ao evento prometido desta vez, num encontro de apelo para os árabes: uma supercopa entre os campeões nacionais das duas ligas mais fortes do Oriente Médio, a Saudita e a Egípcia. Al-Hilal e Zamalek empataram por 1 a 1, com a vitória dos alviazuis nos pênaltis. Mais de 77 mil pessoas estiveram presentes e viram, além do futebol, shows de luzes e de fogos de artifício.

O Estádio Icônico de Lusail deveria ter sido inaugurado em 2020, mas as obras atrasaram. O palco, no entanto, fica pronto a tempo da Copa do Mundo. Serão seis jogos na fase de grupos por lá, com destaque para os duelos do Brasil contra Sérvia e Camarões, além de Portugal x Uruguai. Depois, a arena receberá um embate em cada uma das fases de mata-matas, até culminar na decisão. Depois de algumas partidas de menor alcance, o evento-teste veio com a chamada Supercopa Lusail entre Zamalek e Al-Hilal. Pela primeira vez o estádio seria usado em capacidade total.

A ideia da supercopa foi boa, aproveitando uma competição extinta que ocorreu em três oportunidades esparsas nas duas últimas décadas. A organização catariana faz a boa vizinhança com as duas ligas mais relevantes no futebol ao seu redor e atrai clubes de massa. Enquanto o Al Hilal domina o Campeonato Saudita com um tricampeonato, o Zamalek se restabelece no Campeonato Egípcio com um bicampeonato. Como resultado, as arquibancadas estavam lotadas no Estádio Icônico de Lusail. O fluxo de torcedores dos países vizinhos, aliás, era um motivo óbvio de interesse para testar as condições dos anfitriões.

O Al Hilal aproveitou suas estrelas internacionais (incluindo Michael) e se impôs contra o Zamalek treinado por Jesualdo Ferreira. Os alviazuis saíram em vantagem com um gol de Odion Ighalo por cobertura, mas os alvirrubros empataram antes do intervalo num rebote conferido por Zizo. Melhor em campo, o Al Hilal não conseguiu matar o jogo com bola rolando, mas foi bem mais competente nos pênaltis e venceu por 4 a 1. Pôde erguer uma taça pelo triunfo, com palco armado sob pompas.

O Estádio Icônico de Lusail deve ter sua capacidade reduzida depois da Copa do Mundo, indo de 80 mil para 40 mil lugares. A estrutura desmontada será redirecionada a espaços comunitários nas proximidades – usada em lojas, restaurantes, escolas e mesmo um posto de saúde. A cidade de Lusail se desenvolveu nos últimos 15 anos, com investimento pesado do governo catariano para que abrigasse estrangeiros e servisse de ponto turístico. A construção do palco da final da Copa reforça esse intuito.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo