‘Não precisava ter dito isso’: Klopp vira centro de polêmica por opiniões na Copa do Mundo
Estilo irreverente como comentarista tem gerado elogios, críticas e até pedidos públicos de desculpas na Alemanha
A Copa do Mundo de 2026 tem produzido surpresas dentro de campo, como o empate entre Espanha e Cabo Verde, mas uma das histórias mais comentadas do torneio acontece longe das quatro linhas. Desde o início do Mundial, Jürgen Klopp se transformou em um dos personagens mais debatidos da competição graças ao seu trabalho como comentarista da televisão alemã.
Longe dos bancos de reservas desde que assumiu o cargo de Diretor Global de Futebol da Red Bull, o ex-técnico do Liverpool encontrou um novo espaço para exercer sua personalidade expansiva. Ao lado de Thomas Müller, ídolo do Bayern de Munique, Klopp vem protagonizando análises que misturam observações táticas, humor e opiniões contundentes.
Essa combinação tem conquistado parte do público, mas também provocado críticas de figuras importantes do futebol alemão.
Klopp critica a Espanha após empate na estreia da Copa do Mundo
O episódio mais recente ocorreu após o surpreendente empate sem gols entre Espanha, grande favorita ao título, e Cabo Verde, que teve Vozinha como principal destaque. Enquanto muitos apontaram o resultado como uma das grandes zebras da competição, Klopp preferiu valorizar o desempenho da seleção africana.
“Foi o primeiro tempo mais interessante da Copa do Mundo. Cabo Verde está jogando com uma mentalidade de bloco baixo que é realmente impressionante de ver.”
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O alemão também aproveitou para rebater a expectativa de que a Espanha venceria com facilidade.
“Muitos esperavam que a Espanha vencesse facilmente e de goleada, mas o futebol não funciona assim, especialmente em uma competição como essa.”
A análise chamou atenção porque contrariou a narrativa dominante após a partida. Em vez de focar na decepção espanhola, Klopp destacou a evolução tática de seleções consideradas menores e a crescente competitividade do futebol internacional.
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As críticas ao estilo Klopp
Se as análises têm sido elogiadas por parte da audiência, o comportamento descontraído do ex-treinador de Liverpool e Borussia Dortmund também virou alvo de questionamentos.
O principal episódio envolveu uma brincadeira sobre Julian Nagelsmann, técnico da seleção alemã. Durante uma transmissão, Klopp referiu-se ao comandante da Mannschaft como “o ainda treinador da Alemanha”, comentário que rapidamente gerou repercussão negativa no país.
Pouco depois, o próprio Klopp reconheceu o exagero: “Percebi que depois de amanhã farei 59 anos e continuo sendo um idiota.” A retratação não impediu críticas de nomes importantes do futebol alemão. Lothar Matthäus classificou a fala como “frívola” e “muito impensada”. Já Bastian Schweinsteiger afirmou que o comentário jamais deveria ter sido feito.
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“Klopp não precisava ter feito um comentário assim. Não foi legal, e com razão ele pediu desculpas.”
Andreas Möller foi ainda mais duro ao analisar o tom das transmissões. “Isso me parece uma piada. Quase tudo é piada, só pensam em rir. Sinto muita falta de objetividade.”
O debate expõe um dilema: ao mesmo tempo em que o público costuma reclamar de comentaristas excessivamente burocráticos, a abordagem mais espontânea de Klopp também encontra resistência entre ex-jogadores e analistas acostumados a um formato mais tradicional.
A Copa, os patrocinadores e a primeira ‘corneta’ do Mundial
As críticas de Klopp não ficaram restritas ao campo. Durante a competição, ele também questionou a organização da Copa do Mundo e o impacto comercial sobre o jogo. Ao comentar as pausas para hidratação, o ex-treinador sugeriu que os interesses comerciais estariam se sobrepondo às necessidades esportivas. “O futebol está sendo feito refém por executivos em salas com ar-condicionado”, disse.
“Vi os jogadores parados durante uma pausa por causa do calor, enquanto os intervalos comerciais ditavam o ritmo do jogo. A quem a Copa do Mundo realmente serve? Aos torcedores, aos jogadores ou aos anunciantes?”
Além das críticas institucionais, o alemão também protagonizou a primeira grande “corneta” do torneio ao analisar a vitória do México sobre a África do Sul na abertura da competição.
“Foi simplesmente uma tática ruim. Nenhuma das duas equipes jogou bem. Não foi um jogo de alto nível.”
As declarações ajudam a explicar por que Klopp se tornou uma das figuras mais comentadas da Copa de 2026. Mesmo longe da área técnica, o alemão continua fazendo exatamente o que sempre fez durante sua carreira: provocando debates, dividindo opiniões e se recusando a passar despercebido.