Por que a Coreia do Sul boicotou imprensa local na Copa do Mundo por polêmica com Son Heung-min
Crise é tratada como "maior ruptura entre jogadores e jornalistas" na história moderna da seleção
A vitória por 2 a 1 sobre a Tchéquia na rodada de abertura do Grupo A da Copa do Mundo coloca a Coreia do Sul em posição de vantagem para garantir a classificação ao mata-mata. Contudo, fora de campo, a seleção lidera um boicote à imprensa local devido ao tratamento dado ao capitão Son Heung-min.
O site “Football Asian” trata a crise como a “maior ruptura entre jogadores e jornalistas na história moderna da seleção”, com a Associação de Futebol da Coreia (KFA) emitindo uma “reprimenda extraordinária”. Como consequência, o chefe de imprensa renunciou ao cargo.
A polêmica começou ainda antes do pontapé inicial na América do Norte. Durante a concentração dos Tigres Asiáticos em Guadalajara, jornalistas fizeram a cobertura do treino aberto e avistaram Son correndo ligeiramente afastado do grupo principal, o que foi alvo de críticas.
Um microfone aberto captou parte da imprensa da Coreia do Sul fazendo comentários depreciativos sobre o atacante do LAFC e sua dispensa do serviço militar obrigatório. O atacante da seleção realizou três semanas de treinamento básico no Corpo de Fuzileiros Navais, em 2020.
— Ele (Son Heung-min) nem sequer cumpriu o serviço militar obrigatório — ridicularizou um dos repórteres.
Son ganhou isenção especial do serviço militar obrigatório
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Cabe ressaltar que o serviço militar obrigatório sul-coreano tem uma duração padrão de 21 meses, e precisa ser realizado por todos os homens antes dos 28 anos. Só que, para jogadores de futebol, é possível se isentar do alistamento através de uma “honraria especial”.
Para conseguir a licença do governo, as possibilidades são: o título dos Jogos Asiáticos ou figurar entre os três primeiros colocados em uma Copa do Mundo ou nas Olimpíadas. Em 2012, a seleção sul-coreana conquistou a medalhe de bronze nos Jogos de Londres após ser eliminada para o Brasil nas semifinais.
Contudo, Son Heung-min não fez parte daquela campanha porque pediu dispensa da convocação para focar no desenvolvimento de sua carreira. À época, o atacante tinha 20 anos e atuava no Hamburgo. Já em 2014, a seleção venceu os Jogos Asiáticos, mas ele não foi liberado pelo Bayer Leverkusen para a participar do torneio.
Em 2016, Son disputou os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro com os Tigres Asiáticos, porém, acabou eliminado ainda nas quartas de final para Honduras, dando adeus à chance de conquistar pelo menos o bronze. Já nas edições de 2014 e 2018 do Mundial, o astro do Tottenham passou longe de terminar no top-3 da competição.
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A última esperança de Son Heung-min em não cumprir a totalidade do serviço militar obrigatório foi nos Jogos Asiáticos de 2018, logo após a Copa na Rússia. A Coreia do Sul bateu o Japão por 2 a 1 na final e ficou com o título. O capitão da seleção, então com 26 anos, recebeu a “honraria especial” do governo.
Son precisaria cumprir de três a cinco semanas de treinamento básico no Corpo de Fuzileiros Navais, cuja duração variada dependeria do campo em que seria alocado. Em abril de 2020, devido à paralisação do futebol em meio à pandemia de Covid-19, o atacante sul-coreano realizou seu serviço militar obrigatório no período mínimo.
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Seleção sul-coreana se irrita com tratamento da imprensa
Com o vazamento do áudio nas redes sociais dos jornalistas desmerecendo a maneira que Son Heung-min cumpriu seu serviço militar obrigatório, a imprensa do país sofreu com a reação negativa, tanto dos torcedores, quanto do elenco dos Tigres Asiáticos, que se uniu para apoiar o capitão.
Na zona mista depois da virada sobre a seleção tcheca, Son — que é solícito com a mídia — educamente se recusou a falar com os repórteres. No domingo (14), Hwang In-beom, que marcou um gol e deu uma assistência, era aguardado para uma entrevista no CT, mas o compromisso foi cancelado.
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Embora a justificativa oficial seja “conflito de agenda”, fontes internas da Coreia do Sul revelaram que a recusa partiu em acordo entre os próprios jogadores. Na segunda-feira (15), a federação soltou uma nota de profundo pesar à “linguagem inadequada e desrespeitosa” adotada por membros da imprensa no México.
O secretário da imprensa sul-coreana da Copa do Mundo renunciou ao cargo, assumindo total responsabilidade pela violação ética e pela consequente ruptura nas relações com os Tigres Asiáticos. Jesus Bernal, jornalista da “ESPN México”, revelou que membros da KFA deram uma “dura bronca” nos repórteres do país asiático após o mal-estar causado com o ídolo da seleção.
Com os atletas fechados com Son Heung-min, a Coreia do Sul enfrenta o México na quinta-feira (18), às 22h (horário de Brasília). A última rodada da chave contra a África do Sul acontece no próximo dia 24, no mesmo horário.