Por que naming rights dos estádios se transformaram em problema na Copa do Mundo
Entidade tenta driblar questão jurídica durante Mundial, mas organizadores têm encontrado problemas para seguir regras
A Fifa terá de lidar com uma questão comercial para além das partidas e organização da Copa do Mundo. No torneio deste ano, que será disputado no Canadá, Estados Unidos e México, a maioria dos estádios conta com marcas exibidas em suas fachadas, em razão de acordos de naming rights. No caso destes, o contrato assinado entre a organização das arenas e a Fifa, indica que as marcas não podem ser divulgadas durante as partidas.
De acordo com o “The Athletic”, os organizadores dos estádios têm encontrado dificuldades para “esconder” essas marcas visíveis na arquitetura. O acordo firmado entre as partes, ainda no início da preparação para o Mundial na América do Norte, tem como objetivo proteger a marca da Fifa e os patrocinadores do torneio.
Os estádios dos Estados Unidos são os mais afetados por essa dinâmica. As 11 arenas selecionadas para a Copa do Mundo, além de terem de passar por renovações em sua estrutura e dimensões do campo por serem projetadas para o futebol americano, contam com patrocínios visíveis no exterior do estádio.

Na divulgação do torneio, nenhuma dessas marcas será citada nominalmente pela entidade máxima do futebol. O MetLife Stadium, sede da final da Copa do Mundo, é chamado de “Estádio de Nova York e Nova Jersey” pela Fifa em seu cronograma de partidas e organização do evento.
As mudanças de nomes do estádios dos Estados Unidos na Copa do Mundo
- Mercedes-Benz Stadium (Estádio de Atlanta)
- Gilette Stadium (Estádio de Boston)
- AT&T Stadium (Estádio de Dallas)
- NRG Stadium (Estádio de Houston)
- GEHA Field at Arrowhead Stadium (Estádio de Kansas City)
- SoFi Stadium (Estádio de Los Angeles)
- Hard Rock Stadium (Estádio de Miami)
- MetLife Stadium (Estádio de Nova York e Nova Jersey)
- Lincoln Financial Field (Estádio da Filadélfia)
- Levi’s Stadium (Estádio de San Francisco e área da Baía)
- Lumen Field (Estádio de Seattle)
Nas últimas edições da Copa do Mundo, no Catar, Rússia e Brasil, a Fifa raramente teve de lidar com essas questões, já que os estádios, recém-inaugurados, ainda não haviam selados acordos para serem renomeados por marcas. No Brasil, por exemplo, a Arena Corinthians foi renomeada para “Arena de São Paulo” em função do torneio.
Fifa deverá ‘abrir exceção’ para estádio na Copa do Mundo
Dos 11 estádios nos EUA, dez não deverão ter problema para esconder seus patrocinadores durante os 40 dias em que as partidas serão disputadas. Entretanto, no caso de Atlanta, na Geórgia, a tendência é que a Fifa abra uma exceção à sua regra prevista no contrato.
Diferentemente de outras arenas, em que os naming rights estão presentes de forma discreta na fachada, teto ou nos telões, o Mercedes-Benz Stadium foi projetado para expor a logomarca da empresa automobilística em seu teto retrátil.

Segundo o “The Athletic”, soluções para a exibição da logomarca chegaram a ser discutidas pela Fifa, incluindo uso de inteligência artificial e a remoção temporária da estrutura. Entretanto, isso poderia resultar em danos à arena, e que acarretaria em um custo elevado para a entidade e os organizadores de Atlanta.
Para os demais estádios, alguns dos planos da Fifa envolvem, além da remoção completa de elementos que remetam à marca, a indicação às emissoras de que não sejam feitas tomadas aéreas durante, antes ou após as partidas.
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Mundial de Clubes não foi afetado pela política de naming rights da Fifa
A Copa do Mundo será a segunda competição disputada nos Estados Unidos desde 2025. No último ano, o Mundial de Clubes serviu como teste e um “termômetro” para a Fifa e os organizadores quanto à dinâmica que deverão aguardar no torneio deste ano.
Em relação aos naming rights, a Fifa não manteve a mesma política excludente da Copa do Mundo de 2026. Os estádios, durante o Mundial de Clubes, tiveram suas marcas expostas e divulgadas. É o caso do próprio Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.
A Trivela questionou a Fifa a respeito da diferença entre os acordos dos estádios no Mundial de Clubes e na Copa do Mundo, que permitiu a divulgação dos naming rights no último ano. Em resposta, a entidade não entrou em detalhes quanto ao torneio de 2025, mas garantiu que “protege seus patrocinadores e marcas”, incluindo em áreas próximas aos estádios.
— A Fifa está trabalhando em estreita colaboração com as autoridades dos estádios e as cidades-sede para implementar esses requisitos de maneira consistente com as edições anteriores do torneio, levando em consideração as características específicas da infraestrutura e as considerações operacionais de cada local — afirmou um porta-voz à reportagem.
NFL não inibe naming rights nos estádios da Copa do Mundo
Casa do futebol americano, os estádios dos EUA que receberão a Copa do Mundo não recebem o mesmo tratamento em relação aos naming rights pela National Football League (NFL), principal liga do esporte no país. Ao longo da temporada da bola, as 32 franquias podem divulgar as marcas associadas a seus estádios, assim como a própria liga.

Esse acordo é válido exclusivamente para os estádios americanos. Nas partidas disputadas fora do país, como ocorre na Alemanha, Inglaterra, Austrália e no Brasil, é preciso que as marcas arquem com valores junto à NFL para que tenham seus nomes divulgados pela liga.
A Neo Química Arena, por exemplo, foi chamada por “Arena Corinthians” nas duas partidas disputadas no estádio, em 2024 e 2025. O Brasil voltará a receber uma partida de futebol americano neste ano, no Maracanã, que não conta com acordo de naming rights atrelado ao estádio.



