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Messi se prepara para sua última Copa com confiança: “Vamos lutar de igual pra igual com qualquer um”

Prestes a jogar sua quinta Copa do Mundo, Messi relembra trajetória em cada uma delas e comenta sobre frustrações e alegrias com a camisa da Argentina, além da confiança para fechar com chave de ouro no Catar

Lionel Messi disputará a sua última Copa do Mundo no Catar. Não é exatamente uma novidade, já que o argentino tem 35 anos e dificilmente teria condições de jogar em 2026, aos 39, mas a sua frase afirmando que esta seria sua última ganhou manchetes. Não poderia ser diferente. O craque argentino, porém, falou muitas coisas interessantes em entrevista ao Star+ na Argentina. Lembrou a sua trajetória ns quatro Copas do Mundo anteriores, comentou sobre a força do grupo atual, que admite que é forte.

Considera que a Argentina não é a maior favorita, mas está perto e que vai encarar qualquer seleção de igual para igual. No Catar, Messi fará a sua última dança em Copas do Mundo e nunca esteve com um time tão pronto e tão bom para ganhar a taça, inédita na sua carreira. O atacante ainda comentou sobre o futuro e descartou ser técnico.

A ansiedade pela Copa do Mundo

“Conto os dias para a Copa do Mundo. Há ansiedade e nervosismo ao mesmo tempo. Quero que aconteça já. O que vai acontecer, como vamos jogar… É a última vez. Por um lado, não vemos a hora de chegar e por outro, o temor de querer que possamos ir bem”, afirmou o jogador, em entrevista ao Star+ na Argentina.

“Chegamos em um bom momento por como se deram todas as coisas, é um grupo muito preparado e forte. Mas na Copa pode acontecer de tudo. Todas as partidas são dificílimas, por isso é tão difícil uma Copa e é tão especial. Porque nem sempre os favoritos são os que terminam ganhando ou terminam fazendo o caminho que se esperava”, comentou Messi.

“Não sei se somos os grandes candidatos, mas a Argentina por si é candidata sempre pela história, pelo que significa, mais ainda agora no momento que chegamos, mas não somos os maiores favoritos. Acredito que há outras seleções que estão acima de nós hoje, mas estamos bem perto”. O atacante ainda disse algo que é mais do que esperado. “Seguramente será a última que jogarei”.

“A verdade é que me sinto bem fisicamente, pude fazer uma pré-temporada muito boa este ano que não pude fazer no ano passado, pela forma como se deu, comecei a jogar mais tarde, com o torneio já começado, sem ritmo. Depois fui para a seleção, quando voltei tive uma lesão… A pré-temporada deste ano foi fundamental para começar de outra maneira. Cheguei a este ano também com uma cabeça diferente, com uma mentalidade diferente e com muito entusiasmo”.

“É bom baixar um pouco o barulho. Vamos competir, vamos lutar de igual pra igual com qualquer um, mas não podemos acreditar que já somos campeões. Porque somos assim, acreditamos que somos melhores que todos e que vamos passar por cima de quem quer que venha e não é assim. Temos que ir aos poucos. Temos que ganhar a primeira partida”, disse o camisa 10 argentino.

“Apesar de podermos dizer que tivemos um rival acessível, é a primeira partida de uma Copa do Mundo e querendo ou não, esses nervos e a ansiedade você não sabe como cada um vai lidar. Estará cheio de argentinos, que podem fazer com que você jogue mais acelerado. É importantíssimo começar ganhar a primeira partida. E não será fácil”, alerta.

“Na Copa do Mundo passada aconteceu o mesmo, acreditávamos que iríamos passar fácil, que íamos ficar em primeiro no grupo, estávamos olhando os cruzamentos. Sigo pensando que se tivéssemos ganhado a primeira partida, seria diferente. Se eu tivesse convertido o pênalti para o 2 a 1, tudo seria diferente. Temos que ir aos poucos, estamos bem, esperançosos, as pessoas tem que ir para aproveitar”.

“Sou um a mais no grupo e tento me integrar a eles, porque eram todos garotos que já se conheciam de antes, que eram jovens, eu cheguei mais tarde porque nas primeiras partidas do processo eu não fui. Fiz mais do que o normal para que meu jeito de ser se integrasse o mais rápido possível. Fui eu que tentei me aproximar”.

Messi elogia ainda o técnico Lionel Scaloni. “Scaloni é uma pessoa muito próxima, que fala muitíssimo como o jogador, que tenta estar sempre para o que seja, uma pessoa que vive isso muitíssimo, se nota por e para o futebol, que adora o que faz, que sofre muito nas partidas e que merece tudo que viveu porque não foi fácil o processo para ficar e foi o que preparou tudo isso”.

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A história de Messi na Copa, por ele mesmo

Copa 2006: “Tive uma lesão antes da Copa, no Barcelona. Vinha jogando nos últimos amistosos da seleção, mas cheguei à Copa sem ter jogado nos últimos meses. Joguei contra a Holanda, com o México nas oitavas e depois com a Alemanha nem joguei”.

Copa 2010: “Acredito que tínhamos uma grande seleção, um grande elenco, mas a Alemanha nos pegou. Estivemos bem até o primeiro gol deles e a partir daí começamos a enlouquecer, a errar e os gols deles começaram a chegar. Foi difícil por causa da forma como foi perdido”.

Copa 2014: “Tínhamos um grupo espetacular. Vínhamos dos golpes da Copa América de 2011 na Argentina, mal nas Eliminatórias, porque se perdêssemos da Colômbia, as coisas se complicavam todas, mas ganhamos e a partir daí, não perdemos mais, o grupo se foi fortalecendo, se unindo, e não paramos até a final, que merecíamos ganhar. Acredito que sim. Pênalti em Higuaín? Sim. E com VAR… Com certeza”.

Copa 2018: “A verdade é que não chegamos bem, foi difícil nos classificarmos. Fizemos muitas mudanças, muito caos no meio da seleção com a mudança de treinador, de jogadores… Terminamos mal, mas continuo pensando que se ganhássemos a primeira partida, tudo seria totalmente diferente. Com a Croácia, jogaríamos de outra maneira. Até o primeiro gol, estávamos jogando de forma bárbara e depois tínhamos classificado no último jogo e mesmo assim não vencemos a França. Quando fizemos o 2 a 1, vem Pavard e faz aquele golaço de fora da área. Mas já vínhamos mal”.

Finais perdidas e comparação do time de 2022 com 2014

“Não ganhamos. Perdemos três finais seguidas e começaram as críticas ao grupo, aos que estamos mais tempo na seleção. Começaram a nos massacrar por não sermos campeões. Fazíamos tudo bem até a última partida, incluindo não perdermos porque as finais perdemos nos pênaltis. Depois veio todo o processo da Copa na Rússia que foi duro, sofrido, aconteceram muitas coisas nesse tempo, Em 2019, se montou um grupo totalmente novo, com muitos jovens, foi uma boa Copa América que nos deixou boas sensações. E a partir daí começou tudo”.

“Eu comparo muito com o processo de 2014 porque é um grupo muito similar, onde íamos muito bem, não víamos a fora de chegar os jogos da seleção para aproveitar, para passar um tempo juntos e assim foi todo o processo. Muito similar, me lembra muito o de 2014 em termos de grupo, de como vivemos o dia a dia quando estamos na seleção”.

Messi ainda ressalta que a Copa América de 2019, quando a Argentina perdeu a semifinal para o Brasil, no Mineirão. “Foi importante. Foi difícil arrancar e terminamos deixando uma sensação muito boa contra o Brasil. O que aconteceu nessa partida nos tornou mais fortes”, disse.

O título da Copa América em 2021

“Não podia acreditar. Não sabia como festejar nesse momento. É isso, o que eu precisava aconteceu. Um dos objetivos para terminar de fechar tudo para mim era fundamental poder ganhar algo com a seleção. Se não, ficaria sempre a dor dessas finais perdidas, de não poder me consagrar com a seleção. Foi o momento de decidir que é isso. Gostaria de ter comemorar o título de campeão diante das pessoas na Argentino uns dias mais. Porque foi uma loucura linda. Como o país viveu, os dias depois, até hoje acredito que as pessoas estão enlouquecidas com a seleção, com o que vem, empolgada”.

Futuro na carreira

“Treinador não, sempre disse que não. Pode ser que depois de mais velho isso mude… Lembro que Zidane dizia que não ia ser técnico e depois terminou sendo campeão da Champions, de tudo. Nunca se sabe. Por aqui, gosto da direção esportiva, preparar o grupo, acompanhar… Mas tampouco tenho isso 100% claro”.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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