Mesmo para alguém com um currículo como o de Lewandowski, o primeiro gol em Copas é um momento muito especial
Melhor jogador do mundo, decacampeão da Bundesliga, campeão europeu, artilheiro: Lewandowski tinha tudo, menos um gol em Copas
Robert Lewandowski é o atual melhor jogador do mundo, segundo a eleição da Fifa. O primeiro a conseguir dois prêmios consecutivos desde Ronaldinho Gaúcho em 2004-2006, excluindo Messi e Cristiano Ronaldo. Conquistou dez vezes o Campeonato Alemão com dois clubes diferentes. Foi vice-campeão europeu com o Borussia Dortmund, venceu a Champions League com o Bayern de Munique. Sete vezes artilheiro da Bundesliga, cinco consecutivas. E mesmo com um currículo tão recheado, o primeiro gol em Copas do Mundo fez com que extravasasse em emoção, como se fosse o momento mais importante da sua carreira.
Se não foi, está certamente entre os principais. Lewandowski estava devendo em grandes competições desde que estreou na seleção polonesa em 2008. Tinha apenas dois gols em oito jogos de Eurocopa antes da última edição, quando tentou carregar os companheiros ao mata-mata marcando três vezes nas duas rodadas finais. Não foi o bastante, mas pelo menos fez a sua parte, em um time com hábito de decepcionar e que raramente apresenta um desempenho à altura da qualidade das suas peças.
Não conseguiu ajudar a Polônia a se classificar para a Copa do Mundo de 2014. Quatro anos depois, passou em branco na Rússia. Como um bom whisky, seu futebol cresceu à medida em que foi ficando mais velho, mas terá 38 anos no próximo Mundial. Em uma seleção que depende tanto do seu poder de decisão, pode ser que tenha outra oportunidade de marcar seu nome no torneio mais importante do mundo. O risco desta ser a última, porém, é considerável, e o senso de urgência ficou claro principalmente no momento em que balançou a rede.
O gol poderia ter saído na rodada anterior. Teve uma estreia difícil contra o México, um jogo travado e de poucas chances claras. A mais importante partiu de um pênalti que sofreu, mas parou nas mãos do mítico Guillermo Ochoa, o que apenas aumentou sua ansiedade. Talvez tenha marcado na agenda o encontro com a Arábia Saudita como um cenário favorável para começar a construir seus números na Copa do Mundo, antes de o time de Hervé Renard impressionar o planeta com a ótima atuação contra a Argentina.
Os sauditas novamente mostraram qualidade contra a Polônia, que contou com Szczesny para manter sua meta intacta. E com Lewandowski para sair na frente, embora ele tenha dado apenas a assistência. Interceptou o cruzamento de Matty Cash na cara de Mohammed Al-Owais. Dominou bem, fazendo a bola subir, na direção da linha de fundo. Evitou a saída e rolou para Piotr Zielinski fuzilar. No segundo tempo, meio que sem querer, porque a bola apenas bateu em sua perna, acertou a trave.
Em certo momento a Copa do Mundo apenas colocou fim à palhaçada e decidiu que era hora de contar com um gol de Robert Lewandowski em sua história. O zagueiro Abdulelah Al Malki simplesmente deixou a bola escapar na entrada da área diante do maior artilheiro dos últimos quatro anos e meio. Bastou um toquinho com a ponta direita da chuteira para interceptar e um tapa no canto com a perna esquerda para finalmente deixar a emoção fluir.
E como ela fluiu, viu? O gol foi importante à Polônia, praticamente garantindo a vitória e aumentando suas chances de passar às oitavas de final, mas Lewandowski vibrou como se fosse a final. Deslizou no chão e enterrou o rosto no gramado, onde ficou deitado por vários segundos, recebendo o carinho dos companheiros. Levantou-se com os olhos marejados, deixando claro o quanto aquele momento significava para ele.
E com o fardo levantado, pareceu mais leve. Gostou do sentimento e, mesmo com o jogo resolvido, foi atrás do segundo. Estava recuando para ajudar na ligação, mordendo e fez uma linda jogada individual em que invadiu a área passando pela marcação e tentou encobri Al-Owais com uma cavadinha. Parou na defesa do goleirão. Depois, chegou a armar uma batida da entrada da área com a perna esquerda, mas foi atrapalhado pelo colega Jakub Kaminski.
Não que precisássemos de novas evidências do quanto a Copa do Mundo é especial. Mas está aí mais uma.



