Copa do Mundo

Revolução e ‘injustiça’: As melhores seleções que não ganharam a Copa do Mundo

De Puskás a Zico, as equipes que encantaram gerações, revolucionaram o futebol e entraram para a história mesmo sem levantar a taça

Vencer a Copa do Mundo é o objetivo máximo de qualquer seleção, mas a história mostra que nem sempre o melhor time termina campeão. Ao longo das décadas, algumas equipes produziram futebol suficiente para mudar a forma como o esporte era jogado, inspiraram gerações inteiras e conquistaram admiração global, mas tudo isso sem erguer o troféu mais importante.

Em muitos casos, essas seleções foram vítimas de detalhes: lesões, erros de arbitragem ou simplesmente do azar que acompanha qualquer competição de mata-mata. Ainda assim, deixaram um legado tão forte que, décadas depois, continuam sendo lembradas com mais carinho do que alguns campeões mundiais.

Hungria e Holanda: revolucionários na Copa do Mundo que pareciam imbatíveis

Poucas seleções chegaram a uma Copa do Mundo com tanto favoritismo quanto a Hungria de 1954. Liderada por Ferenc Puskás, a equipe vinha de uma sequência impressionante de resultados e era considerada praticamente invencível.

Os húngaros haviam derrotado a Inglaterra por 6 a 3 em Wembley, algo impensável na época, e chegaram ao Mundial da Suíça exibindo um futebol ofensivo e moderno. Na campanha, atropelaram a Coreia do Sul por 9 a 0, venceram a Alemanha Ocidental por 8 a 3 na fase de grupos e eliminaram Brasil e Uruguai no mata-mata.

Na final, porém, sofreram uma das maiores zebras da história do esporte. Depois de abrir 2 a 0 nos primeiros minutos, viram os alemães reagirem e vencerem por 3 a 2. O episódio ficou conhecido como “Milagre de Berna” e transformou a Hungria no símbolo máximo das grandes seleções que nunca conquistaram uma Copa.

Hungria de 1954 perdeu uma final histórica para a Alemanha
Hungria de 1954 perdeu uma final histórica para a Alemanha (Foto: IMAGO / Schirner Sportfoto)

Vinte anos depois, mais um caso parecido: se existe uma equipe que mudou a forma de enxergar o futebol, foi a Holanda de 1974.

Comandada por Rinus Michels, Johan Cruyff e pelo conceito do “Futebol Total”, desenvolvido no Ajax e levado para a seleção, a equipe transformou movimentação, ocupação de espaços e pressão sem bola em arte. Praticamente fundou os conceitos do Jogo de Posição e mudou para sempre a forma como o esporte é jogado.

Os holandeses encantaram o mundo na Alemanha Ocidental. Chegaram à final após exibições memoráveis, incluindo uma vitória maiúscula contra o Brasil, que venceu o tri quatro anos antes.

Na final, abriram o placar contra os anfitriões sem sequer permitir que os alemães tocassem na bola. Mas a Alemanha Ocidental reagiu e venceu por 2 a 1. A derrota não impediu que aquela seleção se tornasse uma das mais influentes da história do futebol.

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Brasil de 1982 virou lenda sem ser campeão do mundo e do 1998 também merecia

Nenhuma seleção derrotada é tão amada pelos brasileiros quanto a de 1982. Com Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo, Júnior e Éder, o time treinado por Telê Santana apresentou um futebol ofensivo, técnico e extremamente criativo. Para muitos, foi a melhor seleção brasileira desde a era Pelé.

A equipe venceu seus cinco primeiros jogos no Mundial da Espanha e chegou como favorita ao duelo contra a Itália na segunda fase. Bastava um empate para avançar.

Brasil de 1982 é um dos times históricos a não vencer a Copa do Mundo
Brasil de 1982 é um dos times históricos a não vencer a Copa do Mundo (Foto: OrangeCreek / Icon Sport)

Mas Paolo Rossi viveu a tarde de sua vida, marcou três vezes e eliminou o Brasil em uma das partidas mais famosas da história das Copas. O resultado foi tão traumático quanto simbólico. O Brasil não foi campeão, mas aquela seleção se transformou em referência eterna do chamado “futebol arte”.

Em 1998, por outro lado, a seleção brasileira já vinha de um título. O tetra foi suado e redefiniu a ótica sobre como o Brasil poderia jogar. Mas o time que tentava o penta na França era mais mágico, talentoso e recheado. Era, inclusive, um time melhor do que em 2002, quando de fato foi campeão.

Outras seleções que ficaram a um passo da glória

A lista de times que poderiam fazer história ainda inclui grandes equipes. A Holanda também vice-campeã em 1978 e 2010, com uma era pós-Cruyff e outra de reinvenção, mas que também não conseguiu.

A seleção brasileira de 1950 derrotada no Maracanã diante do Uruguai, depois de ser ampla favorita, também foi chocante. Os europeus também têm grandes times que nunca chegaram lá: Portugal de 1966 liderado por Eusébio, a França de Michel Platini nos anos 1980 e a Croácia de Luka Modric em 2018.

Cada uma delas chegou perto do título por caminhos diferentes. Algumas perderam finais. Outras caíram em jogos históricos antes da decisão. Todas, porém, deixaram uma marca profunda no futebol mundial.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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