Copa do Mundo 2026

‘Críticas estúpidas. Isso é inaceitável’: Campeão do mundo rebate ataques a Mbappé no Real Madrid

Christophe Dugarry contesta narrativa que coloca Mbappé como principal culpado pelo ano sem títulos e divide responsabilidades no elenco merengue

Os números de Kylian Mbappé colocam o atacante entre os jogadores mais decisivos da última temporada europeia. Com 42 gols em 44 partidas pelo Real Madrid, o francês encerrou o segundo ano no clube mantendo a fama de artilheiro e protagonizando grandes atuações.

Ainda assim, a ausência de títulos transformou o camisa 9 em um dos principais alvos das críticas de torcedores, imprensa e ex-jogadores, que passaram a associar sua chegada ao desempenho coletivo abaixo das expectativas.

Christophe Dugarry, no entanto, foi na contramão disso. Campeão do mundo com a França em 1998 e hoje comentarista da “RMC Sport”, o ex-atacante saiu em defesa do capitão da seleção francesa e classificou como desproporcional a responsabilidade atribuída a Mbappé pelo fracasso do Real Madrid na temporada.

Para ele, os números do craque tornam injustificável tratá-lo como o principal culpado por um time que, segundo sua análise, apresentou problemas muito mais amplos.

— As críticas a Mbappé são estúpidas. Não sei se as pessoas que falam do Mbappé são sócias-torcedoras e realmente vão aos jogos. Para um cara marcar 42 gols em 44 jogos e depois ser culpado por o Real Madrid não ganhar nada, me parece inaceitável.

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Mbappé no Real Madrid: entre o peso da expectativa e o rótulo de culpado

Mbappé em ação pelo Real Madrid
Mbappé em ação pelo Real Madrid (Foto: Oscar Manuel Sanchez / ZUMA Press Wire / IMAGO)

Poucos jogadores chegaram ao Real Madrid cercados por tanta expectativa quanto Mbappé. Depois de anos de negociações frustradas e de uma transferência que mobilizou o futebol europeu, a contratação do francês foi tratada como a peça que ampliaria ainda mais o domínio do clube no continente.

Na prática, porém, as últimas duas temporadas mostraram um cenário mais complexo. O atacante correspondeu individualmente, manteve média de gols impressionante e confirmou a capacidade de decidir partidas. Ainda assim, o rendimento coletivo ficou distante do esperado, alimentando uma narrativa de que o encaixe da equipe jamais aconteceu plenamente.

Parte das críticas gira em torno da convivência entre tantas estrelas ofensivas. A presença de Mbappé, Vinícius Junior, Jude Bellingham e outros protagonistas levantou discussões sobre equilíbrio tático, divisão de protagonismo e até questões de ego.

Embora nunca tenham surgido evidências concretas de conflitos internos determinantes, a percepção de que o time demorou a encontrar uma identidade fez com que o francês passasse a simbolizar um projeto que ainda não entregou o que prometia.

Nesse contexto, o peso da camisa e da contratação acaba ampliando qualquer frustração. Quando o Real Madrid vence, o brilho costuma ser compartilhado. Quando perde ou termina uma temporada sem levantar troféus, o principal — ou um dos principais — astro normalmente concentra boa parte das cobranças. Para Dugarry, entretanto, essa lógica ignora aquilo que o atacante francês efetivamente produziu em campo.

— Você sempre pode esperar que seu jogador tenha um desempenho melhor, mas o que significa ter um desempenho melhor quando você já marcou 42 gols em 44 jogos?

— O Real Madrid está em declínio atualmente, e não é por causa de Mbappé.

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Dugarry amplia debate e divide responsabilidade pelo momento do Real Madrid

Mbappé, Vinícius Junior e Bellingham
Mbappé, Vinícius Junior e Bellingham (Foto: Manu Reino / DeFodi Images / IMAGO)

Na visão do ex-atacante, o foco excessivo em Mbappé acaba escondendo problemas estruturais que afetaram todo o Real Madrid ao longo da temporada. Se o desempenho coletivo ficou abaixo do esperado, a responsabilidade deveria ser compartilhada entre os principais nomes do elenco, e não concentrada apenas naquele que terminou o ano como principal goleador.

— E se os espanhóis querem atacar Mbappé, deveriam atacar também Bellingham, Vinícius e todos os jogadores que atuaram na Copa do Mundo e estão tendo um desempenho muito melhor por suas seleções. Mas se todos eles estão jogando melhor por seus países, então o problema está mais no Real Madrid.

A fala reforça uma tese que ganhou força nas últimas semanas, sobretudo após a chegada de José Mourinho: o desafio do Real Madrid vai além do desempenho individual de suas estrelas. A equipe ainda busca um modelo capaz de potencializar um elenco recheado de talentos, e a temporada sem títulos expôs dificuldades de funcionamento coletivo que dificilmente podem ser atribuídas a somente um jogador.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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