Copa do Mundo 2026

Com Mbappé histórico, França esbanja fartura em passeio com marcha variável na Copa

Seleção francesa alterna ritmos, supera Iraque e reforça status de elenco mais completo do torneio

A França confirmou o favoritismo e venceu o Iraque por 3 a 0 nesta segunda-feira (22), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, pela segunda rodada do Grupo I da Copa do Mundo. O resultado teve a assinatura de Kylian Mbappé, autor dos dois gols da partida e responsável por alcançar uma marca histórica.

Com 16 gols em Mundiais, o camisa 10 francês ultrapassou Ronaldo Fenômeno e igualou Miroslav Klose na segunda colocação da artilharia da história da competição. À frente deles está Lionel Messi, dono de 18 gols.

A atuação francesa, porém, foi marcada por mais do que os números de seu principal astro. A partida ficou interrompida por pouco mais de duas horas devido ao mau tempo na região da Filadélfia. O protocolo de segurança foi acionado no intervalo por conta da incidência de raios nas proximidades do estádio. Quando o jogo foi paralisado, a seleção comandada por Didier Deschamps já vencia por 1 a 0.

Mesmo sem apresentar intensidade máxima durante os 90 minutos, a bicampeã mundial mostrou novamente por que é apontada por muitos como a dona do elenco mais profundo e qualificado desta Copa. Quando acelerou, foi amplamente superior ao Iraque. Quando reduziu o ritmo, administrou o confronto sem grandes sustos.

França esbanja elenco farto

Uma das principais virtudes desta seleção francesa está justamente na quantidade de soluções que Deschamps possui à disposição. Poucas equipes do Mundial conseguem alterar peças importantes sem perder qualidade ou identidade. Contra o Iraque, isso ficou evidente mais uma vez.

Na estreia diante do Senegal, vencida por 3 a 1, o treinador havia apostado em Aurélien Tchouaméni para formar o meio-campo ao lado de Adrien Rabiot. Diante dos iraquianos, a escolha foi diferente. Manu Koné ganhou a vaga e entregou características distintas ao setor.

Enquanto Tchouaméni é um meio-campista mais posicional, defensivo e responsável por controlar os ritmos da partida, Koné oferece maior mobilidade, intensidade e presença ofensiva. É um jogador capaz de percorrer grandes distâncias, contribuir na pressão e aparecer próximo da área adversária.

Outra troca significativa aconteceu no ataque. Após começar a Copa com Désiré Doué entre os titulares, Deschamps promoveu Bradley Barcola à equipe principal. A decisão teve origem direta no impacto causado pelo ponta do PSG na estreia.

Contra Senegal, Barcola entrou aos 35 minutos do segundo tempo, quando os franceses venciam por apenas 1 a 0 e ainda conviviam com a possibilidade de uma reação africana. Bastaram dois minutos e 11 segundos para o atacante justificar sua entrada. Após lançamento de Rabiot, deixou Kalidou Koulibaly para trás em velocidade e encobriu Edouard Mendy com categoria, encaminhando a vitória francesa.

Além de assegurar o resultado, Barcola reforçou sua condição de alternativa real ao poderoso setor ofensivo formado por Mbappé, Michael Olise, Ousmane Dembélé e Doué. A disputa segue aberta tanto na seleção quanto no PSG, e a concorrência saudável evidencia a riqueza de opções disponível para Deschamps.

Didier Deschamps, técnico da seleção francesa
Didier Deschamps, técnico da seleção francesa (Foto: Lev Radin/Sipa USA/Icon Sport/Icon Sport)

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França e suas diferentes rotações na mesma partida

Se a qualidade individual sobra, a França ainda busca maior regularidade dentro das próprias partidas. O time parece atuar em diferentes rotações e nem sempre mantém a intensidade que o torna praticamente imparável.

Foi assim na estreia. Contra Senegal, os franceses fizeram um primeiro tempo abaixo do esperado e foram para o intervalo empatando sem gols. Na etapa final, aumentaram a velocidade, elevaram a pressão e resolveram rapidamente o confronto.

Diante do Iraque, o roteiro foi quase o inverso. A França começou em ritmo forte, pressionando alto, ocupando o campo ofensivo e criando dificuldades desde os primeiros minutos. O gol cedo parecia indicar uma atuação dominante até o fim da primeira etapa.

Mas o ímpeto inicial diminuiu. Com a vantagem no placar, a equipe passou a circular mais a bola e perdeu agressividade. Continuou controlando o jogo, porém sem a mesma fome demonstrada no início. O intervalo chegou com apenas um gol de diferença.

Após a longa paralisação causada pelas condições climáticas, o cenário pouco mudou. A França seguiu rondando a área iraquiana, monopolizando a posse e mantendo o adversário acuado, mas sem transformar a superioridade em avalanche ofensiva. Faltava aceleração.

O segundo gol nasceu de um presente da defesa iraquiana. Curiosamente, foi justamente após ampliar a vantagem que os Bleus voltaram a aumentar o ritmo. A pressão reapareceu, as recuperações de bola ficaram mais agressivas e os espaços começaram a surgir com frequência.

É um detalhe que não comprometerá a caminhada francesa na fase de grupos, mas que merece atenção quando o mata-mata começar. A impressão deixada até aqui é clara: a França possui repertório, profundidade e talento para atropelar praticamente qualquer adversário.

O desafio de Deschamps talvez seja convencer sua equipe a jogar nesse nível durante mais tempo. Porque, quando acelera, a sensação é de que poucos conseguem acompanhá-la.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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