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‘Quando não se sabe ganhar, é preciso aceitar o empate’: A frustração de Marrocos após enfrentar o Brasil

Mohamed Ouahbi demonstrou mais insatisfação do que de alívio em entrevista logo após o empate com o Brasil

Quem esperava reencontrar o Marrocos defensivo e reativo da Copa do Mundo de 2022 teve uma surpresa e tanto no MetLife Stadium neste sábado (13). Os Leões do Atlas que o Brasil encontrou no empate por 1 a 1 na estreia do Grupo C são uma equipe radicalmente transformada, e a reação da seleção marroquina após o apito final revela muito sobre o nível de adversário com o qual Carlo Ancelotti terá de lidar ao longo desta fase de grupos.

Longe da organização defensiva rigorosa e das transições rápidas que marcaram a histórica campanha até as semifinais em 2022, o Marrocos de Mohamed Ouahbi (nomeado técnico apenas em março deste ano) adotou uma postura completamente diferente. Os marroquinos pressionaram com intensidade no meio-campo e desorganizaram o Brasil durante mais de meia hora, impondo um volume de jogo que poucos adversários conseguiram apresentar contra a seleção brasileira nos últimos tempos.

O empate foi garantido com o gol de Vinicius Júnior aos 32 minutos, depois que Ismael Saibari havia aberto o placar para os africanos aos 21. Mesmo assim, ao término do jogo, o sentimento predominante no lado marroquino não era de satisfação, e isso, por si só, é revelador.

‘Quando não se sabe ganhar, é preciso aceitar o empate’

A reação de Ouahbi no microfone da TV marroquina M6 após o apito final foi mais de insatisfação do que de alívio.

— Foi um belo jogo. As pessoas esperavam que fosse um confronto grande, e anunciamos desde o começo que queríamos vencer. Acho que houve momentos fortes, momentos em que precisamos sofrer um pouco, mas no geral fizemos um grande jogo. Estamos satisfeitos com o empate, mas não estamos eufóricos. Queríamos ganhar. Quando não se sabe ganhar, é preciso aceitar o empate — resumiu o técnico.

Mohamed Ouahbi Marrocos
Mohamed Ouahbi, técnico de Marrocos (Foto: Zuma/Icon Sport)

Não faz muito tempo, sair com um ponto diante de um gigante como o Brasil seria recebido como um feito e celebrado como tal. Que o próprio técnico encare o resultado com uma ponta de frustração diz tudo sobre a nova mentalidade desta seleção marroquina.

O Marrocos, aliás, esteve perto de ainda mais do que o empate. Aos 54 minutos, já nos acréscimos, Alisson salvou o Brasil em dois lances consecutivos: primeiro diante de Neil El Aynaoui e depois de Ayoube Amaimouni, ambos cara a cara com o goleiro. A seleção brasileira escapou por muito pouco.

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Um Marrocos técnico, intenso e em outro patamar

Campeão da Copa Africana de Nações 2025 por decisão da CAF e sétimo colocado no ranking da Fifa, o Marrocos não é mais uma equipe que aposta tudo no bloco baixo e no contra-ataque. Com jogadores de alta qualidade técnica como Brahim Diaz, o jovem Ayyoub Bouaddi (brilhante na estreia com apenas 18 anos), Neil El Aynaoui, Bilal El Khannouss e o sempre decisivo Achraf Hakimi, esta seleção tem o perfil e as ferramentas para impor seu jogo a qualquer adversário.

Para o Brasil, o recado está dado. O Grupo C reserva ainda o confronto com o Haiti na próxima sexta-feira, dia 19, no Estádio de Filadélfia, na Pensilvânia, mas o nível do adversário já enfrentado na estreia deixa claro que Ancelotti não poderá se dar ao luxo de repetir as fragilidades expostas na abertura da campanha.

Foto de Laurent KINOR

Laurent KINORGerente de Mercado

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