Copa do Mundo

Mais de um milhão de pessoas tentaram comprar ingressos para Brasil x Inglaterra no Mundial Sub-17

Uma das principais motivações na escolha das sedes do Mundial Sub-17 é a possibilidade de desenvolver o futebol local. Você pode perceber que parte dos países selecionados nos últimos anos não possui grande tradição, mas tem margem de crescimento. Um exemplo claro disso é a Índia, sede da competição em 2017. Em uma região extremamente populosa, o futebol vem criando o seu mercado. E o torneio juvenil acaba sendo o maior exemplo do potencial, diante do interesse da população. Para um mundial de base, o público é ótimo. Pois o frenesi atingiu seu ápice nos mata-matas. Depois de 66 mil assistirem a Brasil e Alemanha nas quartas de final, o confronto da Seleção com a Inglaterra nas semifinais teve mais de um milhão de pessoas tentando comprar os ingressos.

A equação somando o estádio enorme, a população apaixonada por futebol e as camisas pesadas explica a demanda impressionante. O jogo aconteceria inicialmente na cidade de Guwahati, mas o gramado encharcado obrigou a Fifa a transferi-lo para Calcutá, conhecida como “a Meca do futebol indiano”. Justamente a sede que atrai mais gente neste Mundial Sub-17, com públicos sempre superiores aos 45 mil presentes.

Palco principal da cidade, o Estádio Salt Lake já foi considerado o maior do mundo, embora sua capacidade tenha sido reduzida para 66 mil pessoas. Além disso, Calcutá é o berço do futebol na Índia e, com o esporte extremamente enraizado na região, apesar da falta de bases mais profissionais, abriga um dos maiores dérbis da Ásia. Fundado em 1889, o Mohun Bagan é o clube mais antigo do país, fomentado por famílias aristocráticas da região, e foi o primeiro time composto por indianos a derrotar adversários britânicos. Já no outro lado da rivalidade está o East Bengal, estabelecido em 1920, e que costuma representar a população com origem no atual Bangladesh. Costumeiramente, o Dérbi de Calcutá chegou a bater os 100 mil presentes nas arquibancadas do Salt Lake.

Nesta realidade apaixonada, Brasil e Inglaterra se inserem como uma válvula de escape no Mundial Sub-17. E há um grande envolvimento com as equipes ao longo da competição. O interesse pelos ingleses se dá principalmente pelas raízes coloniais, bem como pela repercussão crescente da Premier League. Em quatro de seus cinco jogos, os Three Lions levaram pelo menos 45 mil às arquibancadas. Já os brasileiros carregam a fama da Canarinho, enquanto há até mesmo uma aproximação pela aparência física, com muitos torcedores locais se identificando com a miscigenação. E a excelente campanha de Paulinho, Lincoln, Brenner, Alanzinho e companhia aumenta a repercussão.

Após a mudança no palco do jogo, a Fifa disponibilizou 66 mil ingressos em seu site. Eles estariam disponíveis a partir da noite desta terça. Porém, com mais de um milhão de interessados no sistema, o site da entidade internacional saiu do ar. Alguns torcedores tiveram a compra debitada, mesmo sem conseguirem os ingressos. O episódio levou a Fifa a emitir um pedido oficial de desculpas, prometendo resolver os problemas e garantir os bilhetes a todos que conseguiram a confirmação. Não será surpreendente se ocorrer algum problema também nos portões do Estádio Salt Lake.

Brasil e Inglaterra se enfrentam nesta quarta, 25 de outubro. E é bom que a Fifa aprenda com a experiência negativa, já se preparando para a decisão, que também acontece em Calcutá. A marca milionária pode ser superada de novo. Para se ter uma ideia do gigantismo indiano, “apenas” 3,5 milhões de pessoas solicitaram ingressos no início do processo global de vendas para a Copa do Mundo de 2018. Além disso, o último Mundial Sub-17, realizado no Chile, atingiu 482 mil pagantes como público total. Os números demonstram como algumas cidades indianas, sobretudo Calcutá e Nova Delhi, podem entrar na rota do futebol internacional. Se houve interesse, dá para esperar um Mundial de Clubes na Índia, ao menos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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