Por que Luiz Henrique perdeu espaço com a Seleção na Copa do Mundo?
Atacante do Zenit foi utilizado apenas na estreia contra Marrocos e perdeu espaço após ser 12º jogador de Ancelotti no ciclo pré-Mundial
Dos nove atacantes convocados por Carlo Ancelotti, pode-se dizer que três destes eram certezas da seleção brasileira antes mesmo da Copa do Mundo. Raphinha e Vinícius Júnior, destaques em Barcelona e Real Madrid, e Luiz Henrique, um dos jogadores com mais minutos sob o comando do treinador neste ciclo. Nos Estados Unidos, no entanto, ele só atuou em pouco mais de 40 minutos, ainda na estreia, contra Marrocos.
Todos os outros atacantes tiveram mais minutos do que ele. Até Igor Thiago, que perdeu espaço depois de uma sequência de amistosos positiva com o treinador, foi titular na estreia da Copa do Mundo. E mesmo Neymar, lesionado durante as primeiras semanas do Mundial, foi utilizado diante da Escócia e na eliminação contra a Noruega.
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Luiz Henrique chegou à Copa do Mundo como o 12º jogador da seleção brasileira. Aquele nome certo de entrar no segundo tempo, e capaz de mudar o panorama de uma partida. Foi assim em amistoso contra a França, em março, e em sua estreia com o treinador, diante do Chile, em setembro de 2025. Depois de disputar nove das 12 partidas com Ancelotti pré-Copa, com duas assistências, foi limitado a apenas um dos cinco jogos nos Estados Unidos.
Função de Luiz Henrique ajuda a explicar sua ausência com Ancelotti
Luiz Henrique foi testado a exaustão por Ancelotti. Primeiro, como reserva — e com retorno imediato diante do Chile; depois, como titular, formando o quarteto ofensivo no 4-2-4 idealizado pelo treinador. Depois da convocação final para a Copa do Mundo, o atacante do Zenit chegou a estar entre os 11 iniciais no primeiro tempo diante do Panamá. Mas, assim como o restante da equipe, não rendeu aquilo que o treinador esperava no Maracanã.
Fato é que as grandes atuações de Luiz Henrique vieram quando o atacante não foi titular. Quando iniciou as partidas, ficou apagado e não conseguiu ser o mesmo jogador explosivo que o fez ser convocado, ainda por Dorival Júnior, quando defendia o Botafogo. Em campo, ele pode atuar tanto como um jogador mais agudo, atacando a linha de fundo, quanto como um meio-campo pela direita.
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Contra o Marrocos, Luiz Henrique entrou no segundo tempo para corrigir os problemas do Brasil pela direita. Na estreia da Copa do Mundo, Ancelotti optou por lançar Lucas Paquetá nesta função em vez de Raphinha, e montar a equipe em um 4-2-3-1. Para a segunda etapa, ao colocar o lateral Danilo e o atacante do Zenit, reforçou o setor para auxiliar o camisa 11.
A lesão de Raphinha, entretanto, mudou este cenário para Luiz Henrique. É impossível dizer, com certeza, se ele teria mais minutos com atacante do Barcelona como titular, mas a opção de Ancelotti para substitui-lo foi o estreante Rayan, e não o ex-Botafogo. Com isso, Luiz Henrique perdeu espaço com o passar dos jogos.
Rayan se destacou mais como um ponta na seleção brasileira, e foi este fator que o auxiliou a conquistar posição. Luiz Henrique, por sua vez, atuou mais próximo ao meio-campo contra Marrocos, permitindo os avanços de Danilo pelo corredor direito. Pela idade (34 anos) e por não executar mais essa posição no Flamengo, onde é zagueiro, ele teve de ocupar este setor diante do corte de Wesley.
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Ancelotti optou por outros nomes para substituir Raphinha e Rayan
A titularidade de Rayan permitiu que Danilo não precisasse chegar até a área quando o Brasil estivesse no ataque. Contra a Noruega, por exemplo, o lateral se aproximou em diversos momentos como um meio-campista, na função que Bruno Guimarães, próximo à linha de frente, exerceria.
Rayan estreou pela primeira vez contra o Haiti, quando Raphinha precisou ser substituído ainda no primeiro tempo. Naquele momento, ao ter sido escolhido em vez de Luiz Henrique — mesmo que fosse o atacante que tivesse entrado contra Marrocos —, o ex-Vasco ganhou a confiança de Ancelotti para a continuidade da Copa do Mundo.
Ancelotti não abordou em nenhum momento a minutagem de Luiz Henrique na Copa do Mundo. Quando tirou Rayan de campo, em vez de apostar no jogador do Zenit, foi Endrick quem ganhou oportunidades na direita. Isso ocorreu contra a Escócia. Já diante da Noruega, Ancelotti substituiu o atacante do Bournemouth por Danilo Santos, para atuar como um meia-direita. Endrick, que entrou mais cedo na partida, foi deslocado para a ponta, para acomodar Neymar.
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A única atuação de Luiz Henrique contra Marrocos também foi discreta. Não chegou a finalizar a gol e acertou 12 passes — seis destes em seu próprio campo. Naquela partida, entrou no lugar de Igor Thiago, que não havia dado a resposta que Ancelotti esperava como centroavante. Já Rayan, contra Escócia e Japão, se mostrou um jogador mais incisivo do que aquele do Zenit.
Luiz Henrique, contra Marrocos, não conseguiu pressionar a defesa marroquina. Rayan, por outro lado, foi crucial para as duas últimas vitórias da Seleção, ao forçar o erro que gerou dois gols contra Escócia e Japão. Foi mais discreto contra a Noruega, assim como o restante da equipe.
— Estava um pouco ansioso. Mas depois que entrei na partida, dei o primeiro toque na bola, já me senti mais à vontade. Quando entro na partida ou quando estou de titular, quero entregar o meu amor, a minha alegria dentro de campo, os meus dribles, os meus passes ali pra ajudar nossa equipe sempre sair vitoriosa — afirmou Luiz Henrique, à “TV Globo”, após estreia contra Marrocos.
Mesmo com essa atuação discreta na Copa do Mundo, Luiz Henrique não deixa a seleção brasileira com a imagem “arranhada”, e ainda pode fazer parte do próximo ciclo até 2030, quando terá 29 anos. Durante a preparação para o Canadá, Estados Unidos e México, Ancelotti rasgou elogios ao atacante e mostrou que conta com seu nome para formar a base da Seleção.