Copa do Mundo

Líder absoluto, Granqvist foi o grito e a calma no retorno dos suecos à Copa do Mundo

Longe da Copa do Mundo desde 2006, a Suécia entrou em campo em Nizhny Novgorod para resgatar sua história na competição. O time atual é inferior a vários outros que os suecos contaram em Mundiais anteriores. Ainda assim, eliminou a Itália na repescagem das Eliminatórias e, consciente de suas limitações, se candidata à classificação aos mata-matas do Grupo F. Entre as importantes lideranças está o capitão da equipe, Andreas Granqvist. Nesta segunda, além de comandar a defesa, o camisa 4 providenciou a tranquilidade para que os escandinavos vencessem o seu primeiro compromisso. Na marca da cal, anotou o gol que valeu a vitória por 1 a 0 sobre a Coreia do Sul.

Granqvist se tornou definitivamente um herói do futebol sueco justamente nos duelos contra a Itália. Foram partidas gigantescas do zagueiro, ajudando a conter o desespero italiano. O camisa 4 se punha como uma enorme barreira à pressão dos azzurri e ajudava a organizar o esforço coletivo de seus companheiros. Seu destaque foi tamanho que, ao final do ano, ele ganhou o prêmio de melhor jogador sueco de 2017 – interrompendo uma sequência de dez prêmios consecutivos entregues a Zlatan Ibrahimovic. E na Copa do Mundo, sua firmeza será ainda mais necessária, considerando as carências do time de Janne Andersson.

Aos 33 anos, Granqvist está aclimatado à Rússia. Desde 2013 defende o Krasnodar e é uma das claras referências no clube. Importância reafirmada na seleção, com a sequência do zagueiro como titular ao longo do mesmo período. E que a idade pese às costas, é ela quem oferece a experiência em três competições internacionais, em um elenco da Suécia longe de apresentar a mesma rodagem. Depois das decepções nas edições recentes da Eurocopa, a missão dos suecos é manter o retrospecto na Copa do Mundo. Em somente três das 11 participações os escandinavos caíram na primeira fase. Nas demais, sempre avançaram, com quatro campanhas entre os quatro primeiros do Mundial.

Em seu papel na defesa, Granqvist foi muito bem. A Coreia do Sul não testou muito a retaguarda da Suécia, é verdade, limitada quase sempre às investidas pelo lado direito, com Son Heung-Min, e às bolas paradas. O camisa 4 controlava o espaço na área sueca, ótimo nos bloqueios e nos cortes. Além disso, tinha papel fundamental para que sua equipe controlasse a posse de bola. Foram 73 passes, menos apenas que o meio-campista Sebastian Larsson. E quando a oportunidade surgia no ataque, o capitão também ameaçava.

Em meio à insistência da Suécia no jogo aéreo, Granqvist era uma referência a mais. Foram duas finalizações no primeiro tempo, levando perigo à meta da Coreia do Sul. Já no segundo tempo, ele assumiu a responsabilidade. Em pênalti assinalado com a ajuda do VAR, quem pegou a bola foi o capitão, e não os centroavantes trombadores da equipe ou os meio-campistas refinados tecnicamente. O zagueiro demonstrou uma tranquilidade peculiar, a quem imaginava que ele pudesse soltar a bomba. Esperou o goleiro Jo Hyun-woo cair à sua esquerda e apenas deslocou a bola à direita. Categoria de quem controla o mental dos escandinavos.

No final, apesar da pressão da Coreia do Sul, a Suécia segurou bem o resultado. Três pontos na conta e confiança rumo aos próximos desafios. Os suecos terão muito mais trabalho para encarar Alemanha e México na sequência da competição. Não poderão se dar ao luxo de desperdiçar tantas chances, como ocorreu diante dos sul-coreanos. Mas se segura em suas certezas, sobretudo o sistema defensivo. Granqvist é o foco e o ponto de equilíbrio.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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