‘Não estará certo 100% das vezes’: Kane vê mérito acima dos erros e blinda Tuchel após campanha inglesa
Capitão inglês reconhece frustração pela eliminação, mas atribui ao treinador papel decisivo na melhor Copa da seleção desde 1966
A campanha da Inglaterra na Copa do Mundo terminou com um gosto agridoce. A vitória sobre a França na disputa pelo terceiro lugar amenizou um pouco a frustração causada pela eliminação para a Argentina na semifinal, mas não apagou a sensação de que o time deixou escapar uma oportunidade histórica de voltar à decisão do torneio pela primeira vez desde 1966.
Foi justamente nesse contexto que Harry Kane fez questão de blindar Thomas Tuchel. Alvo de fortes críticas pelas escolhas feitas na derrota diante dos argentinos, o treinador alemão viu seu principal jogador assumir publicamente sua defesa após o encerramento da campanha inglesa.
Depois da conquista da medalha de bronze, o capitão reconheceu que nem todas as decisões do comandante foram acertadas, mas destacou que isso não diminui o impacto positivo de seu trabalho ao longo do Mundial.
— Ele é em grande parte responsável por termos alcançado nossa melhor colocação em Copas do Mundo em 60 anos. (…) Só porque ele é um dos melhores técnicos do mundo não significa que ele estará certo 100% das vezes — afirmou Kane.
A declaração do artilheiro surge poucos dias depois da semifinal em que Tuchel passou a ser o centro das discussões na Inglaterra. Com vantagem no placar diante da Argentina, o treinador promoveu uma sequência de substituições conservadoras, retirando jogadores capazes de manter a posse de bola e reforçando o sistema defensivo. A equipe passou a atuar muito próxima de sua própria área, perdeu o controle do jogo e viu a Albiceleste construir uma virada nos minutos finais.
As decisões dividiram torcedores, analistas e parte da imprensa inglesa. Mesmo assim, Kane preferiu ampliar a análise da campanha em vez de resumir o trabalho do treinador aos momentos derradeiros da semifinal.
Kane reconhece frustração, mas pede visão mais ampla sobre campanha
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Ao defender Tuchel, Kane não ignorou o tamanho da decepção causada pela eliminação. O atacante reconheceu que a derrota para a Argentina ainda pesa sobre o grupo e afirmou compreender a reação dos torcedores ingleses, que esperavam ver a seleção disputar a final da Copa do Mundo.
— Os torcedores têm todo o direito de estar com raiva, e Tuchel sabe disso melhor do que ninguém.
Na visão do camisa 9, a frustração é consequência direta da expectativa criada pelo próprio desempenho da Inglaterra ao longo do torneio. A equipe chegou às semifinais após ter passado por superações diversas ao longo da campanha, alimentou o sonho de conquistar o bicampeonato mundial e esteve muito perto de voltar a uma final inédita para diferentes gerações de torcedores ingleses.
Por isso, segundo Kane, a dor da eliminação precisa ser entendida justamente pelo tamanho do objetivo que o elenco havia estabelecido desde o início do torneio.
— Como jogadores, como torcedores e como comissão técnica, todos nós realmente acreditávamos que este torneio era nosso. Mas isso é futebol. Quando você sonha tão alto quanto nós sonhamos e chega tão perto, dói tanto quanto dói agora.
O discurso também funciona como uma tentativa de preservar o ambiente interno da seleção. Em vez de buscar culpados, o capitão reforçou a ideia de que o fracasso na semifinal deve ser dividido entre todos os envolvidos no projeto, sem concentrar toda a responsabilidade nas decisões tomadas à beira do gramado.
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Futuro na seleção segue aberto, e Kane evita colocar limites
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A Copa de 2026 marcou a terceira participação de Harry Kane em Mundiais. Aos 32 anos — completará 33 no fim de julho —, o atacante encerrou a competição com seis gols e como uma das principais referências técnicas da Inglaterra durante toda a campanha.
Naturalmente, a idade fez surgir perguntas sobre seu futuro com a camisa inglesa. Questionado se o torneio disputado na América do Norte poderia ter sido sua despedida em Copas do Mundo, Kane preferiu não fazer projeções definitivas.
O centroavante admitiu que a próxima edição, em 2030, ainda parece distante, mas garantiu que não pretende estabelecer um prazo para encerrar sua trajetória internacional. Enquanto mantiver o nível de rendimento que considera adequado, seguirá à disposição da seleção.
— Quatro anos é muito tempo, obviamente, mas como já disse antes, jogar pela Inglaterra é a minha maior ambição e o que mais me orgulha. Sinto-me melhor do que nunca. Nunca me imponho limites nessas coisas. Enquanto eu continuar jogando no nível em que estou, continuarei representando a Inglaterra, é assim que funciona. Quatro anos é muito tempo, então não quero me empolgar demais nem pensar muito no futuro. Estou dando um passo de cada vez.
A fala encerra uma Copa marcada por sentimentos opostos para o capitão inglês. Individualmente, Kane voltou a ser decisivo, terminou entre os principais artilheiros do torneio e liderou uma campanha que colocou a Inglaterra no pódio pela primeira vez em seis décadas. Coletivamente, porém, permanece a sensação de que o elenco tinha qualidade suficiente para ir além.