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Inglaterra mostra otimismo para sediar a Copa 2030: “Processo da Fifa ficou mais transparente”

Governo britânico acredita que com um processo mais transparente na seleção de sedes, há mais chances de levar a Copa para lá em 2030

A UK Sport, equivalente ao Ministério do Esporte do Reino Unido, confirmou que tem como objetivo sediar a Copa do Mundo de 2030, que marcará o centenário do torneio. Este é um dos eventos que o governo afirmou que pretende levar ao Reino Unido, segundo o plano estratégico divulgado pelo governo.

Entre os concorrentes pela Copa 2030 deve ter uma candidatura sul-americana, que envolva Uruguai, sede da primeira Copa, em 1930, e também de Argentina, Paraguai e Chile. Seria, portanto, a primeira candidatura de quatro países diferentes para uma mesma Copa. Há outros concorrentes especulados, como a China, além de uma candidatura balcânica com Bulgária, Romênia, Grécia e Sérvia.

Em março o governo britânico já tinha dado sinalização positiva para sediar a Copa de 2030. Simon Morton, operador-chefe da UK Sport, se mostrou mais empolgado com o atual processo de candidatura da Fifa, diferente do que o país viveu quando tentou sediar a Copa de 2018, que acabou com a Rússia.

“A Fifa fez algumas mudanças importantes no processo de candidatura, se tornou significativamente mais transparente”, afirmou Morton. “Alguns dizem que a candidatura [de 2018] foi talvez um pouco isolada demais – bom, estamos falando de uma candidatura de cinco países, então o tom é completamente diferente”.

“Isso é pioneiro, sem precedentes em termos do que estamos falando. Então, acho que essas coisas nos dão a confiança de que, depois de 11 anos desde a última candidatura, as coisas têm potencial para ser diferentes desta vez”, afirmou ainda Morton, lembrando que o processo para a escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022 foi feito em dezembro de 2010.

A Copa do Mundo é a cereja do bolo de um projeto que a UK Sport tem trabalhado para que o Reino Unido receba grandes eventos esportivos. Neste ano, a Supercopa da Uefa será disputada em Belfast, na Irlanda do Norte. Em 2014, a final da Champions League será jogada em Wembley, como foi em 2013 e 2011. A Eurocopa Feminina, em 2022, também será jogada na Inglaterra.

Em 2010, a Inglaterra se candidatou para sediar a Copa do Mundo de 2018, mas o processo é contestado até hoje. Havia muito apoio público para receber o evento e muita confiança do governo que a candidatura inglesa era forte. Contou com o envolvimento próximo do príncipe William, além d e David Beckham e primeiro-ministro do país na época, David Cameron e o seu antecessor também, Gordon Brown, o primeiro a colocar o projeto em movimento.

A Inglaterra acabou eliminada na primeira rodada de votação. Teve apenas dois votos entre os 22 possíveis (só o Comitê Executivo votava, na época). A Rússia já largou com nove votos e confirmaria sua vitória na rodada seguinte, quando teve 13 votos e, asism, teve mais da metade dos votos em relação a Espanha/Portugal e Holanda/Bélgica.

Desta vez, os ingleses parecem mais confiantes e há mesmo uma mudança no processo que pode favorecê-los. Desde o Fifagate, em 2015, e a queda de Joseph Blatter, a Fifa tem mudado diversos aspectos. Gianni Infantino assumiu em 2016 e o primeiro processo de seleção de sede de Copa que comentou, para a Copa 2026, teve mudanças radicais. Em vez do famoso caderno de encargos, que se tornava um peso aos países que sediavam o evento, a ideia foi o contrário: a entidade privilegiaria países que já tivessem infraestrutura pronta, seja do ponto de vista de cidade, seja do ponto de vista esportivo, com estádios e centros de treinamentos.

Com isso, a candidatura tripla de Estados Unidos, Canadá e México venceu Marrocos e sediará a Copa 2026. Um dos diferenciais exaltados pela Fifa foi justamente que a candidatura já tinha toda a infraestrutura construída, ao contrário do Marrocos, que teria não só que melhorar suas estruturas de transporte, mas também construir novos estádios. Nenhum novo estádio será construído para a Copa de 2026.

Por esse aspecto, a Inglaterra tem de fato uma vantagem sobre seus concorrentes. Tem diversos estádios capazes de receber jogos da Copa do Mundo sem precisar de qualquer reforma, além de uma estrutura de hotéis e de transporte que poderia fazer com que o país sediasse a Copa no ano que vem, se assim fosse necessário. Candidaturas dos outros países talvez precisem de alguns ajustes.

De qualquer forma, a disputa com a candidatura sul-americana deve ser forte. Não só pelo aspecto nostálgico de sediar a Copa do Mundo no mesmo local onde ela foi disputada pela primeira vez, em 1930, mas porque ainda que não tenha o mesmo nível dos estádios ingleses, Uruguai, Argentina, chile e Paraguai já possuem toda a infraestrutura pronta. Veremos como serão os próximos passos.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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