Infantino defende Copa a cada dois anos para distribuição de receitas: “É o reverso da Superliga”
Presidente da Fifa diz que Copa a cada dois anos permitiria criar fundo para desenvolver o futebol em países com menos recursos
Depois de alguns meses sem falar do assunto, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, voltou a defender a Copa do Mundo a cada dois anos. Desta vez, o argumento é que geraria mais fundos que seriam usados para apoiar o futebol em países menos desenvolvidos. O dirigente afirmou que a ideia seria o reverso da Superliga Europeia, que ruiu em abril deste ano.
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O presidente da Fifa apresentou um estudo de viabilidade sobre a Copa do Mundo a cada dois anos para federações internacionais nesta segunda e incluiu uma pesquisa conduzida pela empresa de consultoria Nielsen que diz que a mudança criar um “combinado adicional de US$ 4,4 bilhões em receitas no primeiro ciclo de quatro ano”, o que significa um aumento de 62% dos atuais níveis de arrecadação.
Segundo Infantino, o crescimento de receita permitiria criar um fundo, que apoiaria as associações de futebol individuais e permite um desenvolvimento para jogadores e técnicos. Esse fundo seria de US$ 3,5 bilhões, que ele chamou de “esquema de solidariedade”, usado em países com menos recursos. “É o reverso da Superliga. É sobre oportunidade para todos. Este é o princípio fundamental deste projeto”.
O fundo seria gerido pelo ex-técnico do Arsenal, o francês Arsène Wenger, que se tornou um dos principais defensores da ideia. Ele exerce o cargo de chefe de desenvolvimento do futebol na Fifa e defende uma mudança no calendário de jogos de seleções, além da Copa do Mundo a cada dois anos. Seria uma redução das Datas Fifa, alvo de críticas de clubes europeus.
Em outubro, Infantino pareceu recuar na ideia da Copa do Mundo a cada dois anos quando disse que o plano só iria para frente “se fosse benéfica para todo mundo”. Ele fez isso depois de forte oposição da Uefa e da Conmebol à ideia, cm inclusive ameaça de desfiliação dos europeus.
Uefa e Conmebol tem agido em conjunto nos últimos meses e anunciaram na última sexta-feira um acordo de cooperação inclusive em termos de competições. Não foi anunciado, mas há planos de incluir seleções da Conmebol na Liga das Nações, algo ainda em fase bastante embrionária e que só seria possível na reforma do calendário internacional a partir de 2024 – justamente o momento que a Fifa está brigando pela nova Copa do Mundo bienal.
A junção de forças de Conmebol e Uefa é vista como uma ação sobretudo política para marcar posição contra a Fifa. Estudos separados de viabilidade, conduzidos pela Uefa e pelo Fórum Mundial de Ligas afirmam que uma Copa do Mundo a cada dois anos teria um impacto grande nas associações locais e nas competições de clubes.
Infantino afirmou que a Copa a cada dois anos criaria mais oportunidades para redistribuição financeira, mas não mostrou nenhum detalhe de como isso seria feito. Só disse que o fundo “irá, obviamente, ter que investir nos lugares certos. Precisamos primeiro aprovar a proposta e tomar a decisão de seguir em frente”. Ou seja: ele tá dizendo que só dá para explicar os benefícios se a proposta for aprovada. Não parece muito confiável ou transparente.
O presidente da Fifa também refutou a possibilidade que a Copa do Mundo perca prestígio por ser mais frequente e justificou que o bolo “só fica maior”. A mudança significaria fazer as Copas continentais, como Eurocopa, Copa América, Copa Africana de Nações etc. serem jogadas nos anos ímpares. A Copa do Mundo Feminina também seria disputada a cada dois anos, mas nos anos ímpares. A Fifa também planeja um torneio mundial de clubes para o futebol feminino.
Ainda segundo Infantino, o estudo de viabilidade será publicado nos próximos dias, sem dar uma data certa. O dirigente também não quis confirmar se a votação sobre essa mudança acontecerá no Congresso da Fifa em março de 2022, no Catar. “Levará algum tempo para chegar a essa boa decisão”, disse o presidente da Fifa.



