Haiti mostra virtude que pode atrapalhar Brasil, mas também dá caminho para duelo na Copa
Seleção caribenha perde de virada segundo jogo na preparação para o Mundial, mas jogo intenso e vertical se destaca
O adversário mais fraco da seleção brasileira no grupo C da Copa do Mundo deixou impressões mistas nos dois amistosos antes da competição. Após golear a Nova Zelândia por 4 a 0, o Haiti tomou a virada do Peru treinado por Mano Menezes, 2 a 1, nesta sexta-feira (5).
Foi uma atuação por muito tempo interessante e reforçando o que teve de bom no jogo anterior. A seleção caribenha teve dois jogos com uma proposta bem parecida: atacar de forma o mais vertical e veloz possível. Pode ser em contra-ataques, a partir de roubadas de bola, ou até em saídas de bola diretas, com lançamentos ou toques diretos.
Os neozelandeses sofreram com isso na última terça (2), quando os Grenadiers marcaram todos os seus gols em jogadas rápidas e finalizadas na área em cruzamentos e passes enfiados na defesa.
O selecionado sul-americano passou pela mesma coisa nesta sexta. Com 15 minutos contra os peruanos, André Carrillo, do Corinthians, foi pressionado, perdeu a bola no meio-campo, Louicius Deedson recebeu no lado direito e tocou em profundidade. Quem surgiu foi um dos destaques do Haiti, Wilson Isidor, do Sunderland, para marcar belo gol em finalização na saída do goleiro.
A seleção haitiana também mostrou uma virtude clara sem bola, podendo se aproveitar de uma falha do Brasil.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F06%2Fhaiti-nova-zelandia-scaled.jpg)
Pressão do Haiti pode incomodar seleção brasileira
O fator mais impressionante do jogo com o Peru foi a intensidade e a dedicação dos jogadores do Haiti sem a bola. Quando os sul-americanos ameaçavam uma saída de bola desde o goleiro, eles subiam uma pressão com marcação individual no 4-4-2 que sufocava qualquer jogador que recebesse a bola.
A seleção brasileira, mesmo tendo um bom zagueiro na saída de bola como Gabriel Magalhães, tem dificuldades em sair tocando pelo chão a partir da defesa, em especial quando surge uma boa pressão adversária. A ausência de um meio-campista para desafogar pesa nisso.
A agressividade haitiana não se limitava ao momento mais recuado. Nos momentos em que a Blanquirroja rodava a bola próximo do grande círculo, a pressão era direcionada a partir de algum passe para trás ou hesitação do adversário. Assim que, após vacilo de Carillo, veio o único gol da vitória.
Claro que o contexto importa. Tanto a Nova Zelândia, posição 85 no ranking de seleções da Fifa, como o Peru, vice-lanterna nas Eliminatórias Sul-Americanas, são absolutamente mais frágeis e não trazem um desafio para o Haiti como terá na Copa do Mundo.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Ancelotti pode encontrar caminho nas bolas paradas
A virada peruana veio no espaço de apenas três minutos, no final do segundo tempo, quando cada lado já tinha alterado mais da metade dos times. Ambos os gols vieram em escanteios que deram muito espaço para as finalizações de Renzo Garcés e Jairo Vélez.
Foram justamente as bolas paradas que mais incomodaram o Haiti na partida anterior. Ainda com o 1 a 0 desfavorável, a Nova Zelândia incomodou em escanteios, faltas e cruzamentos na área e até poderia ter empatado. É uma clara fragilidade dos caribenhos.
Em geral, porém, as atuações mostraram qualidades e a derrota só veio quando os reservas estavam em campo. A seleção do Haiti chegará ao Mundial empolgada e estreará contra a terceira força do grupo: Escócia, em 13 de junho. Depois, terá Brasil (19) e Marrocos (24).
Será apenas a segunda participação dos Grenadiers na competição após a primeira disputa, em 1974, com três derrotas. Ou seja, buscam os primeiros pontos e até o primeiro gol da história da nação em Copas.