Guia da Copa do Mundo 2022 – Grupo F: Croácia
A Croácia perdeu nomes importantes do vice de 2018, mas também ganhou novos destaques e cresceu nos últimos meses sob a batuta de Modric
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A seleção croata não está mais pressionada a fazer uma grande campanha para acompanhar aquela da geração de 1998. A decisão da Copa do Mundo da Rússia cumpriu esse papel, e literalmente existe apenas um resultado melhor que o time de Zlatko Dalic pode alcançar no Catar. Mas é bom não confundir leveza com falta de fome. A Eurocopa mostrou que Luka Modric e companhia não estão prontos para abaixar a cabeça. Pressionados, deram uma resposta brilhante entre o fim da fase de grupos e as oitavas de final contra a Espanha. Se é difícil repetir o que aconteceu em solo russo, chegar o mais longe possível ainda é o objetivo. Marrocos e Canadá não são presas tão fáceis quanto parecem. Por outro lado, a Bélgica também não é mais a mesma. Grupo aberto, no qual a vice-campeã tem ótimas possibilidades.
Como foi o ciclo até a Copa
Quando seu time chega pela primeira vez na história a uma final de Copa do Mundo, a tendência é que o ciclo seguinte seja tranquilo, mesmo com o vice-campeonato. Não foi surpresa a manutenção de Zlatko Dalic como treinador, depois de assumir a seleção quase às vésperas do Mundial da Rússia. Sua principal missão era integrar novos nomes para substituir líderes que se despediram, como Mario Mandzukic, Danijel Subasic e Ivan Rakitic. E isso foi feito.
Os primeiros resultados indicavam uma certa ressaca natural. O segundo jogo depois da derrota para a França foi uma goleada para a Espanha por 6 a 0 pela Liga das Nações. A Croácia foi última colocada, embora não tenha sido rebaixada na primeira edição da competição por causa da mudança de formato. Derrota para a Hungria no começo das Eliminatórias da Eurocopa ligou um pequeno sinal de alerta, mas a vaga veio com o primeiro lugar, dois pontos à frente de Gales.
A segunda Liga das Nações não foi muito melhor e a permanência na primeira divisão foi confirmada com uma diferença mínima de saldo de gols, após trocar placares com a Suécia no confronto direto. Foram cinco derrotas naquela chave, duas pesadas para Portugal e França, sofrendo quatro gols em cada. Era mesmo um momento de preocupação, e a resposta na Eurocopa demorou para aparecer. Ganhou apenas a terceira rodada do seu grupo, com folgas contra a Escócia, para se classificar em segundo lugar.
Nas oitavas, enfim voltou a parecer o grande time que surpreendeu na Rússia. Insistindo em cair de cabeça erguida, os veteranos da Croácia conseguiram buscar o empate, mesmo perdendo para a Espanha por dois gols de diferença até os 40 minutos do segundo tempo. Os dois tentos espanhóis na prorrogação foram uma decepção, com o placar de 5 a 3, mas pelo menos havia dado uma demonstração de força. A dúvida era se seria um último suspiro ou o começo de uma reação.
No fim das contas, foi a segunda hipótese. A Croácia perdeu apenas um jogo desde aquelas oitavas de final em Copenhague – para a Áustria, na Liga das Nações. O resultado não custou a passagem às semifinais, liderando um grupo que tinha Dinamarca e França, duas das seleções mais fortes da Europa. Conseguiu até uma pequena revanche contra os franceses no Stade de France. Nas Eliminatórias, perdeu apenas um jogo e ficou um ponto à frente da Rússia. Garantiu vaga direta na Copa para mostrar que ainda tem lenha para queimar.
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Como joga
O setor em que a renovação é mais clara é na defesa. Começando pelo gol. Destaque em duas vitórias nos pênaltis no mata-mata, o veterano Danijel Subasic aposentou-se da seleção depois da Copa do Mundo da Rússia. Deu lugar à estrela em ascensão Dominik Livakovic, do Dínamo Zagreb. Nas laterais, Ivan Strinic pendurou as chuteiras e abriu caminho para Borna Sosa, do Stuttgart, com a opção de usar Josko Gvardiol nessa posição. No outro lado, Sime Vrsaljko até continuou sendo convocado, mas não chegou à lista final. O ofensivo Josip Juranovic, do Celtic, passou à frente.
O miolo de zaga ainda pode contar com jogadores experientes como Dejan Lovren e Domagoj Vida, mas os titulares devem ser o excelente Gvardiol pela esquerda, com Josip Sutalo, 22 anos, ao seu lado, e Martin Erlic como opção. O setor seguinte no 4-3-3 de Zlatko Dalic não tem segredo. Se em 2018 havia uma discussão sobre como encaixar quatro meias talentosos em três posições, a aposentadoria de Rakitic da seleção resolveu o problema. Marcelo Brozovic é o primeiro volante, Mateo Kovacic se movimenta pela esquerda, e Luka Modric tem liberdade para flutuar, criar, chutar de longe e entrar na área.
Existem opções de qualidade, caso algum desses pilares se machucar ou precisar de um descanso, principalmente Mario Pasalic – que é opção mais aberto pela direita -, mas também os jovens Lovro Majer, do Rennes, e Luka Sucic, do Red Bull Salzburg. Com Pasalic pelos lados, a Croácia tem uma formação mais afunilada, abrindo o corredor na direita para as subidas de Juranovic, e Andrej Kramaric provavelmente será um centroavante mais móvel.
Dalic tem opções para variar. O próprio Kramaric pode atuar pela ponta direita e dar lugar a um centroavante mais físico, como Bruno Petkovic ou Ante Budimir. Majer e Nikola Vlasic são outras opções de jogadores mais armadores atuando pelos lados, enquanto Mislav Orsic é mais agudo. Quem deve jogar sempre que possível é Ivan Perisic no outro lado do ataque. Um dos mais experientes do elenco e uma válvula de escape muito segura na velocidade e nas jogadas de linha de fundo.
Time base: Dominik Livakovic; Josip Juranovic, Josip Sutalo (Lovren ou Vida), Josip Gvardiol e Borna Sosa; Marcelo Brozovic, Mateo Kovacic e Luka Modric; Mario Pasalic (Andrej Kramaric), Ivan Perisic e Andrej Kramaric (Bruno Petkovic). Técnico: Zlatko Dalic
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Os donos do time
A eleição de Luka Modric como melhor jogador do mundo depois da Copa de 2018 gerou alguma polêmica. Tudo bem, ele jogou muito bem, mas será que foi para tanto? A aparente queda de rendimento nos anos seguintes, em um Real Madrid que coletivamente tentava se encontrar com Julen Lopetegui, Santiago Solari e o retorno de Zinedine Zidane, não contribuiu. Mas Modric teve um renascimento e chegará à Copa do Mundo novamente como um dos melhores meio-campistas vivos.
Com méritos para Carlo Ancelotti, que sabe administrar estrelas como poucos, Modric teve uma temporada 2021/22 que talvez tenha sido a melhor da sua carreira. Poupado aqui ou ali, com uma ou outra lesão menor, fez 45 jogos por todas as competições, mesmo aos 36 anos. Contribuiu com 12 assistências e teve um papel fundamental em títulos do Campeonato Espanhol e, principalmente, da Champions League, com momentos decisivos nas épicas reviravoltas no mata-mata.
É o mais velho do histórico trio de meio-campistas do Real Madrid, o que está em melhor forma e que continua sendo mais essencial ao funcionamento do time de Ancelotti. Esse pico de desempenho lhe rendeu um novo contrato e foi carregado à seleção. Modric foi um dos destaques da última Data Fifa antes da Copa do Mundo. Mesmo se estivesse em baixa, continuaria mandando prender e mandando soltar na Croácia. Em alta, então, tudo provavelmente girará em torno dele.
Na Rússia, foi Mateo Kovacic quem sobrou no banco na maioria dos jogos. Isso não acontecerá no Catar. A aposentadoria de Rakitic contribuiu, mas ele também buscou uma situação melhor. Trocou o Real Madrid, no qual tinha pouco tempo de jogo por causa da forte concorrência, pelo Chelsea. Se não se tornou titular absoluto em um setor que tem Kanté, Jorginho e Mason Mount, encontrou mais espaço e cresceu de rendimento. É titular em aproximadamente metade dos jogos, com presença frequente no restante, e ninguém o tira da escalação croata.
Com os alas avançando e dois meias criativos, a responsabilidade de dar equilíbrio à Croácia é principalmente de Marcelo Brozovic. A sorte é que ele já fez isso pela Internazionale, embora tenha um pouco mais de liberdade para chegar à frente do que na seleção. Foi um nome importante da conquista do scudetto com Antonio Conte. Uma lesão na coxa o tirou de ação durante outubro, mas conseguiu jogar alguns minutos antes da estreia na Copa do Mundo.
Falando em Conte, ninguém é mais fã de Ivan Perisic do que ele. Foi taticamente importante na sua Internazionale pela capacidade de jogar como ala com a qualidade de um ponta. Acompanhou Conte ao norte de Londres e continua fazendo a mesma coisa pelo Tottenham. Segue com força física excepcional, mesmo aos 33 anos, e potência para chegar à linha de fundo quase sempre que quiser. Se existem outras opções para armar o ataque, nenhuma passa por tirar Perisic da ponta esquerda.
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As caras novas
A defesa da Croácia foi o setor que mais sentiu a passagem do tempo. É possível que nenhum dos titulares da Copa do Mundo da Rússia comece jogando a maioria das partidas no Catar, embora Domagoj Vida e Dejan Lovren estejam na convocação. Para a sorte da vice-campeã, Josko Gvardiol surgiu nesse período como um dos mais promissores defensores do futebol europeu. Ainda com 20 anos, não estava nem no radar quatro anos atrás, mas agora é um jogador importante do RB Leipzig, como zagueiro, e foi titular durante a Eurocopa pela lateral esquerda. É uma flexibilidade interessante para Dalic. Permite até um esquema com três zagueiros, com ele saindo pelo lado, como foi testado em alguns amistosos.
Por mais que Modric pareça imortal de vez em quando, provavelmente não estará na próxima Copa do Mundo. Será importante dar experiência para outros jogadores de meio-campo para não perder tanta força no setor. Entre os jovens, Lovro Majer é quem mais pode crescer. Batia uma bola legal no Dínamo Zagreb e teve uma primeira temporada interessante pelo Rennes, um dos fortes times da Ligue 1. É um meia que também pode atuar pelos lados. Um dos seus 10 jogos pela Croácia foi como ponta direita contra Malta. Marcou dois gols.
Subasic foi um dos heróis da campanha na Rússia, mas deixou a seleção imediatamente depois da final e, aos 38 anos, abriu caminho para a nova geração de goleiros. E quem aproveitou bem esse vácuo foi Dominik Livakovic – um velho conhecido de quem joga Football Manager, sempre disponível por um preço camarada. O goleiro de 27 anos é titular do Dínamo Zagreb praticamente desde que foi contratado do NK Zagreb em 2016. Fez uma ótima fase de grupos na Champions League e foi reserva na Rússia. Ainda brigou por posição com Lovre Kalinic em um primeiro momento na seleção. Promovido de vez em 2019, não deve deixar a desejar debaixo das traves em relação ao seu antecessor.
Mislav Orsic não é exatamente um jovem. Tem 29 anos. Mas estreou na seleção croata em 2019, quando estava começando a ficar difícil ignorar seu rendimento pelo Dínamo Zagreb. Um atacante especialmente perigoso em competições europeias, como o Tottenham testemunhou em primeira mão. Dando outro exemplo, foi dele o gol da vitória sobre o Chelsea na primeira rodada desta fase de grupos da Champions League. Não deve ser titular, mas tem potencial de sair do banco de reservas e ser decisivo. O Mundial pode ser uma boa plataforma para dar um salto a uma liga mais rica, se for seu desejo – o Burnley o queria em janeiro, mas ele preferiu ficar no Dinamo.
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O técnico
Futebol exige muito esforço, talento e sacrifício. E também um pouco de sorte. Zlatko Dalic não tinha um currículo muito importante como técnico, nem havia sido um grande craque, quando recebeu a chance de treinar a Croácia no final da campanha das Eliminatórias para a Copa do Mundo. Assumiu depois da saída de dois nomes mais fortes, Niko Kovac e Ante Cacic, que tiveram alguns problemas internos de relacionamento. O que tinha para mostrar era uma final da Copa da Croácia com o Rijeka, em 2006, e títulos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes onde, no comando do Al Ain, alcançou a decisão da Champions League asiática. Agora tem um pouco mais porque é um treinador vice-campeão do mundo que soube, enfim, conduzir o talentoso elenco croata à sua primeira grande campanha desde 1998. Seu moral foi tão grande que nem chegou a ser contestado em meio a resultados ruins no começo do novo ciclo. A prioridade também era renovar o elenco, após a aposentadoria de algumas bandeiras, e ele foi bem sucedido. Agora, leva ao Catar uma boa mistura de líderes, como Modric, Brozovic e Perisic, e novos rostos com bastante potencial.
Geografia do elenco
A maioria nasceu dentro das fronteiras da Croácia, um país independente após a dissolução da Iugoslávia. São 19 jogadores nessa situação, com liderança da capital Zagreb, de onde saíram sete atletas. Mas há mais representantes da região costeira, com cinco naturais de Split, três de Zadar, incluindo Luka Modric, e Bruno Petkovic, oriundo de Metkovic, perto da fronteira com a Bósnia, mas ainda a uma distância curta do Mar Adriático. É a menor cidade croata com um representante na seleção, empatada com Nasice (ambas com cerca de 14.000 pessoas). Nasice, de Domagoj Vida, e Osijek, de Borna Barisic, ficam ao leste de Zagreb, perto das fronteiras com Hungria e Sérvia.
Como em muitas nações pós-Iugoslavas, existe uma intersecção entre elas. Três jogadores nasceram na Bósnia. O mais famoso é Dejan Lovren que fugiu aos três anos com a família para a Alemanha, onde passou parte da sua infância. Chegou à Croácia após não conseguir permissão para permanecer em solo alemão e começou a sua carreira como jogador de futebol. Em um depoimento à televisão do Liverpool, em 2017, quando defendia o clube inglês, deu declarações fortes sobre a dificuldade que passou, fugindo, cruzando fronteiras e precisando se estabelecer em um novo país. Ante Budimir foi seu conterrâneo. Também nasceu em Zenica, arredores de Sarajevo. Fugiu com a família para Zagreb e retornou à Bósnia pela primeira vez apenas aos seis anos. Josip Sutalo é de Capljina, no sudoeste, perto da fronteira com a Croácia.
Ao contrário da família Lovren, o pai bósnio-croata de Mario Pasalic ficou na Alemanha. Pasalic nasceu em Mainz, mas cresceu na Croácia, onde começou a sua carreira pelo Hajduk Split. Ao contrário de Josip Stanisic, filho de imigrantes croatas em Munique. Fez a sua carreira naquele país e teve a oportunidade de defender a seleção sub-19 da Alemanha antes de optar por seguir carreira internacional pela Croácia. “Minha família vem de Slavonski Brod, uma cidade no leste da Croácia. Então é um sonho para mim jogar pela seleção nacional da Croácia”, disse, ao anunciar sua decisão ano passado.
Os pais bósnio-croatas de Mateo Kovacic eram de Zabrde, na Bósnia, e se instalaram na Áustria, onde o garoto começou a impressionar pelo LASK Linz. Quando se aproximou da adolescência, começaram a aparecer interessados, incluindo gigantes do futebol europeu. Ele e a família, porém, preferiram retornar para perto das suas origens, e Kovacic se desenvolveu pelo Dínamo Zagreb. Luka Sucic, também filho de refugiados da guerra que nasceu em Linz, decidiu subir os patamares profissionais na Áustria mesmo. Chegou novinho à estrutura da Red Bull, da qual ainda não saiu.
Onde jogam
Como um dos principais formadores da Croácia – e da Europa como um todo -, o Dínamo Zagreb é o clube que tem mais representantes na seleção. São quatro, contando o goleiro Livakovic e o possível zagueiro titular Josip Sutalo. Apenas outros dois times locais conseguiram emplacar seus jogadores. O atacante Marko Livaja defende o Hajduk Split, e o goleiro Ivica Ivusic, o Osijek. No estrangeiro, predomina a Alemanha, onde os croatas são uma das maiores minorias étnicas. São cinco convocados, com um representante por clube e destaque para Andrej Kramaric, do Hoffenheim, e Josko Gvardiol, do RB Leipzig.
A Bundesliga não é a única grande liga europeia que influencia a seleção croata. Todas as cinco principais, aliás, têm pelo menos um representante, graças a Lovro Majer, o único que atua na Ligue 1. Mario Pasalic, Marcelo Brozovic, Martin Erlic e Nikola Vlasic jogam todos os fins de semana pela Serie A. Mateo Kovacic e Ivan Perisic, pela Premier League. A Espanha, onde milita o craque do time, Luka Modric, também conta com o goleiro Ivo Grbic e o atacante reserva Ante Budimir, do Osasuna. No total, são 15 jogadores das ligas de Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha e França, o que sinaliza a qualidade do elenco vice-campeão.
Em ligas mais periféricas, cada lado da Escócia tem alguém por quem torcer na seleção croata. O Celtic, por Josip Juranovic. O Rangers, por Borna Barisic. Curiosamente, dois laterais, um direito e um esquerdo. Ao contrário de muitos jogadores estrangeiros, Dejan Lovren continuou jogando na Rússia, pelo Zenit. Domagoj Vida recentemente trocou o Besiktas, no qual passou quase todo o ciclo da Copa do Mundo, pelo AEK Atenas. Luka Susic, 20 anos, é uma das promessas para o futuro do Red Bull Salzburg. Talvez se junte à colônia alemã, pelo RB Leipzig, como muitos de seus ex-colegas de clube.
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Um herói em Copas
Quando se fala em heroísmo, Copa do Mundo e Croácia, fica bastante difícil escapar de Davor Suker. Mas eu vou tentar porque, além de craque, Zvonimir Boban também era o capitão daquela seleção e foi um símbolo e protagonista de um episódio emblemático na história do país – e da divisão entre croatas e sérvios na época da cisão iugoslava – ao defender torcedores do Dínamo Zagreb da polícia, com direito a uma voadora em um oficial que acabou tendo um nariz quebrado. No ano seguinte, deixou o Dínamo para defender o Milan, pelo qual conquistou quatro títulos do Campeonato Italiano e uma Champions League, ganhando notoriedade mundial. Suspenso da Iugoslávia para a Copa do Mundo de 1990 pelo incidente com o policial, teria a chance de disputar o torneio, oito anos depois, pela Croácia.
Boban usou a braçadeira de capitão na França e foi o camisa 10, líder do meio-campo. Não contribuiu tão decisivamente em números, com apenas uma assistência antes da disputa de terceiro lugar, na vitória por 3 a 0 sobre a Alemanha nas quartas de final. E infelizmente ficou marcado pelo lance que começou a encerrar o sonho de disputar a final. Depois de Suker abrir o placar, Boban vacilou com a bola sob controle na entrada da área e foi desarmado por Lillian Thuram, que tabelou com Djorkaeff e empatou. O defensor depois marcaria o gol da virada também. O detalhe é que Boban não deveria estar em campo. Estava sentindo uma lesão na coxa e pediu ao técnico Miroslav Blazevic para ser substituído no intervalo. “Mas ele disse que eu tinha que jogar. Esse foi um grande erro”, resumiu o craque.
Calendário
Marrocos x Croácia – 23/11
Croácia x Canadá – 27/11
Croácia x Bélgica – 01/12
Todos os convocados
| Número | Posição | Jogador | Data de nascimento | Clube | Jogos | Gols | Local de Nascimento |
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