Copa do Mundo

Criticados (e muito) na NFL, gramados sintéticos terão que ser trocados para Copa do Mundo de 2026

Provável palco da final da Copa de 2026, estádio em Nova Jersey tem gramado artificial e foi palco de diversas lesões na temporada

A discussão sobre grama artificial se intensificou bastante no Brasil por conta de lesões de atletas. E o debate ganhará cada vez mais protagonismo no planeta por conta de um problema envolvendo a Copa do Mundo de 2026, sediada em Estados Unidos, Canadá e México.

Dos 16 estádios que sediarão jogos da competição, oito possuem gramados sintéticos, que precisarão ser trocados, já que a Fifa exige grama natural nos jogos dos Mundiais. Desses 8, sete são nos Estados Unidos e 1 no Canadá, em estádios que também recebem jogos da NFL.

E assim como no futebol brasileiro, atletas de futebol americano também estão reclamando cada vez mais dos riscos de não se praticar o esporte em campos artificiais. Um dos principais favoritos a receber a final da competição, o MetLife Stadium se tornou um constante alvo de críticas.

Desde 2020, um número alto de jogadores já se lesionaram no estádio localizado em Nova Jersey, como Aaron Rodgers (tendão de Aquiles), além de Nick Bosa e Jabrill Peppers (ligamento do joelho). Tanto que através de sua conta no X (antigo Twitter), o também atleta Chris Long ironizou a probabilidade do MetLife Stadium receber a grande decisão do torneio.

— Vamos trazer os ligamentos de joelho mais caros do planeta ao MetLife (Stadium). Brilhante — escreveu o jogador, que depois confirmou o tom sarcástico de sua postagem ao site Newsweek.

Custo altíssimo para infraestrutura dos estádios

Apesar de ter uma infraestrutura praticamente pronta em termos de estádios construídos, transporte público e rede de hotelaria, reformas devem acontecer em grande parte dos estádios para a Copa do Mundo, principalmente os que precisarão trocar os gramados, o que pode doer no bolso dos responsáveis.

Em entrevista ao Sports Business Journal, o especialista em grama artificial John Rogers disse que as mudanças poderão custar “investimento que pode facilmente chegar a muitos milhões de dólares”. “Estaremos pedindo para que (a grama natural) sobreviva, e não prospere. Porque não temos tanta luz solar assim.”

Porém, segundo o site Ge.globo, a Fifa busca maneiras de lidar com o problema, visto que alguns estádios como o Mercedes-Benz, em Atlanta, não recebe luz natural em todos os pontos da grama por causa de seu teto.

A entidade máxima do futebol está em contato com o professor John Sorochan, da Universidade do Tennessee. Especialista em campos do esporte, ele é um pesquisador de gramado ideal, gestão do espaço e interação entre bola e atleta com a superfície.

— Esta Copa terá que ter tipos distintos de gramado, por causa da diferença de clima e território das sedes. O que fazemos é pesquisar e ajudar a Fifa a fornecer informações para os administradores dos estádios selecionarem, com evidências de dados, as gramas corretas, como instalá-las e geri-las para que a bola e os atletas tenham com a superfície a mesma interação (independentemente do estádio) — disse o professor.

Porém, o processo de troca de gramados pode durar entre 12 e 18 meses, o que seria um problema para o calendário tanto de NFL quanto MLS.

Dos três países-sede do próximo Mundial, só o México não terá grandes problemas com gramados. Tanto o estádio Azteca, na Cidade do México, quanto o Akron, em Guadalajara, e o Estádio BBVA, em Monterrey, já possuem campos naturais. O estádio da capital, inclusive, tem chances muito altos de ser o palco de abertura da Copa do Mundo de 2026.

Demanda da Fifa e dos jogadores

A exigência da Fifa por gramados naturais pode ser um detalhe custoso para certos especialistas, mas conta com o apoio de jogadores, e não só do futebol popular no Brasil, por exemplo. A lesão do astro Aaron Rodgers, no primeiro jogo da temporada no MetLife foi um dos estopins para as críticas aumentarem, com pedidos de “algo precisa mudar” entre os atletas.

— Nós precisamos nos livrar completamente da grama artificial. Eu não me interessa ouvir que é um estádio coberto, por eles fazem raios ultravioletas. Há como cultivar grama dentro do estádio. Há celeiros que cultivam montanhas de maconha — disse o jogador Jason Kelce, do Philadelphia Eagles, em uma crítica bastante assertiva e cômica.

Foto de Vanderson Pimentel

Vanderson Pimentel

Jornalista formado em 2013, e apaixonado por futebol desde a infância. Em redações, também passou por Estadão e UOL.
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