Mesmo vencendo, Gana tem fragilidades expostas antes de encarar Inglaterra e Croácia
Triunfo ganês contra o Panamá seguiu mostrando problemas recorrentes da seleção africana
Gana arrancou uma vitória sofrida diante do Panamá () na madrugada desta quinta-feira (18), em Toronto, na abertura do Grupo L da Copa do Mundo 2026. Caleb Yirenkyi garantiu os três pontos aos 95 minutos, salvando a seleção de um empate que praticamente encerraria qualquer esperança de classificação ao ver o restante do calendário.
O resultado muda tudo para os Black Stars antes de enfrentar a Inglaterra, no dia 23 de junho, e a Croácia, no dia 27, os dois favoritos do grupo. Mesmo com apenas três pontos, Gana pode agora sonhar com uma vaga entre os melhores terceiros colocados, algo que teria sido praticamente impossível com um ponto.
Antes de Brandon Thomas-Asante, reserva que havia entrado na segunda etapa, cruzar para o gol de Yirenkyi numa jogada iniciada por Antoine Semenyo com um belo passe em profundidade, os homens de Carlos Queiroz passaram por todas as emoções possíveis.
Semenyo vai da desistência ao protagonismo em Gana
Lawrence Ati-Zigi: o herói necessário
No primeiro tempo, as Black Stars claramente não fizeram uma boa partida, sendo dominadas por um Panamá mais agressivo que poderia ter aberto o placar rapidamente não fosse a grande defesa do goleiro Lawrence Ati-Zigi diante de Celilio Waterman.
Com apenas 35% de posse de bola na primeira etapa, o goleiro do St. Gallen, da Suíça, vestiu a camisa de herói ao realizar uma saída decisiva dentro da área para impedir o ex-jogador do Marseille Amir Murillo, enquanto Jerome Opoku teve sorte de não sofrer penalidade apesar de um contato muito questionável com Cristian Martinez na área.
Numa saída aérea, Ati-Zigi colidiu com Opoku e Carlos Harvey e precisou de atendimento por dores nos isquiotibiais. Mesmo tendo aguentado até o intervalo, o ex-jogador do Sochaux foi substituído no começo da segunda etapa pelo veterano Benjamin Asare, do Hearts of Oak. Uma primeira etapa que Gana não lamenta ter encerrado em zero a zero.
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Black Stars sem criatividade por tempo demais
Além de ser dominada, Gana claramente não tinha inspiração o suficiente no ataque. Com Ernest Nuamah pela direita, Kamaldeen Sulemana pelo centro e Semenyo pela esquerda como suporte ao centroavante Jordan Ayew, a equipe de Queiroz apresentava uma frente ofensiva interessante no papel. Mas, à semelhança de um Semenyo esgotado pelas tarefas defensivas, o time demorou muito para criar perigo.
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As ausências de Mohammed Kudus, cortado da Copa do Mundo, e de Thomas Partey, impedido de entrar no Canadá para esta partida por conta de problemas judiciais, fizeram muita falta. Os dois pilares possuem o perfil necessário para dar mais dinâmica ao jogo das Black Stars.
Gana supera as falhas e arranca no sufoco
Para que Gana, que apresentava apenas 0,10 de xG com 60 minutos de jogo, começasse a criar chances reais, foi necessário aguardar as substituições de Sulemana e Nuamah, ambos decepcionantes, pelas entradas de Thomas-Asante, presente em tudo, e Issahaku Abdul Fatawu.
Mas outro problema surgiu: a falta de eficiência. Num cruzamento de Thomas-Asante, Jordan Ayew, que podia cabecear de perto, ficou curto e foi antecipado pelo defensor adversário por poucos centímetros.
Em seguida, o zagueiro Jonas Adjetey desperdiçou uma cabeçada em excelente posição após cobrança de falta de um Ayew inconsolável e à beira das lágrimas. Naquele momento, parecia que Gana rumava direto para o empate e uma provável eliminação. Mas era subestimar as virtudes mentais de um grupo longe de ser brilhante no jogo, porém com mais de um truque na manga. O impacto dos reservas deverá incitar Queiroz, que também contará novamente com Partey, a realizar mudanças no ataque diante da Inglaterra.